A vila de Loutuowan, na cidade chinesa de Longquanguan, durante centenas de anos foi isolada por montanhas que a circundam. Com isso, houve um atraso no desenvolvimento econômico da aldeia e muitas famílias optaram por abandonar suas casas, muitas delas viraram ruínas.

Nos últimos anos, no entanto, o governo local alocou recursos financeiros e materiais para renovar e reconstruir as casas na aldeia e ajudá-la a se livrar da pobreza. Depois de esforços incessantes, a qualidade da vida dos moradores foi melhorando gradualmente.

Sobras de madeira de demolição

Durante a reforma, os moradores podiam optar por um telhado tradicional de madeira ou um telhado feito de concreto moldado no próprio local. A última solução foi a preferida pois era mais fácil de implementar e a maioria dos residentes eram idosos. Com isso, as vigas de madeira desmontadas das estruturas dos telhados foram deixadas sem uso no local.

O projeto de revitalização da aldeia já previa um pergolado para descanso e sombra. Porém, no projeto original, seria necessário levar até o vilarejo grandes estruturas de ferro e madeira que precisariam ser comprados, transportados e exigiam até mesmo guindastes. Foi então que a equipe de arquitetos da LUO Studio teve a ideia de elaborar uma solução mais simples e mais conveniente para criar o pergolado: fazer uma estrutura geodésica utilizando a madeira de demolição.

Foto: © Jin Weiqi

Com o sistema geodésico, é possível construir estruturas sólidas e grandes, utilizando o mínimo de material. A estrutura apresenta grades que melhoram seu desempenho para suportar diferentes  forças da natureza, garantindo assim maior segurança por um longo período de uso.

As peças de madeira de demolição então foram separadas para que a maior quantidade de resíduos pudessem ser reutilizados e também para que as obras pudessem ser realizadas pelos próprios moradores. As vigas de madeira das antigas casas possuíam diferentes tamanhos, no entanto, nenhuma delas foi cortada.

Foto: © Jin Weiqi

Em vez disso, os arquitetos engenhosamente organizaram a posição de cada uma delas, criando uma estrutura de pérgula flexível em harmonia com o ambiente montanhoso ao seu redor. Com esse esquema de construção, o escritório economizou custos e ainda melhorou a eficiência.

Fotos: © Jin Weiqi

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.