casa energia
Foto: Derek Swalwell
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Por fora, uma casinha branca simples, por dentro, uma residência que é quase uma central de energia renovável. Assim é a “Casa Jardim” (Garden House) que gera diariamente 100 kwh. A residência foi construída em Melbourne, na Austrália, para um casal com três filhos. 

O escritório Austin Maynard Architects, que desenvolveu o projeto, afirma que as casas australianas utilizam em média 19 kwh de energia por dia. Para se ter uma ideia, os brasileiros consomem em média 152,2 kwh de energia elétrica por mês, de acordo com um estudo da Universidade Federal de Santa Catarina. Logicamente, em ambos países, a média pode variar muito. Ainda assim, é possível ter dimensão do que é ter tecnologias sustentáveis suficientes para produzir 100 kwh por dia dentro de casa: no Brasil, seria suficiente para suprir as necessidades energéticas de quase um mês inteiro.  

Isso é possível graças ao sistema totalmente elétrico. O telhado é coberto por 17kW de painéis solares. Água quente, aquecimento e resfriamento, aquecimento do sistema hidráulico e da piscina são feitos por bombas de calor de alta eficiência. Projetada para funcionar “fora da rede”, a residência possui baterias Tesla que armazenam 26kwh de energia gerada. Também o carro elétrico da família é alimentado inteiramente pela casa. 

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Para manter a temperatura interna agradável, isolamento de parede de dupla espessura, isolamento de piso e janelas com vidros duplos foram incorporados. Além disso, todas as áreas de estar têm janelas do chão ao teto, permitindo que o sol aqueça a laje do piso de concreto nos meses de inverno, irradiando calor ao longo do dia e da noite. Já no verão, toldos são usados como proteção passiva.

Outros recursos sustentáveis incluem o uso de tijolos reciclados, ventilação de recuperação de calor e depósito de água de 15 mil litros, armazenado sob a laje na garagem. A água coletada da chuva é usada para dar descarga nos vasos sanitários e também para irrigação do jardim. 

 Fotos: Derek Swalwell 

A casa ainda é totalmente automatizada. Persianas, luzes e ventiladores podem ser controlados de qualquer lugar.

“Esta casa, um oásis urbano de alto desempenho e alta tecnologia, ilustra o futuro da energia sustentável: casas eletrificadas, alimentadas pelo sol, alimentando nossa rede de energia compartilhada”, afirma os arquitetos da Austin Maynard.

Casa Jardim

Para além da performance energética, chama atenção que a propriedade é muito maior do que parece quando vista de fora. Isso acontece porque a única parte da casa visível da rua é uma garagem com telhado inclinado revestida de telhas brancas. A surpresa é que a casa principal está ao fundo e seu acesso se dá por uma passagem lateral de tijolos e espécies verdes.

O projeto da casa se dividiu basicamente em quatro partes unidas por corredores de vidro espelhado. Internamente, há portas ocultas que permitem a abertura ou o fechamento de espaços. Tais peculiaridades atende aos clientes que queriam uma residência aconchegante em que não tivessem a sensação de uma casa grande. 

Fotos: Derek Swalwell

Conectada com tudo ao seu redor, a casa possui uma garagem e uma oficina com vista para a rua. A sala de estar e cozinha dá vista para o jardim. Também o dormitório do casal possui uma área de estar com varanda e vista para o jardim. Além disso, possui grandes portas envidraçadas que ajudam nesta conexão com o espaço verde e ao mesmo tempo trazem iluminação natural para o interior dos cômodos. 

A exigência dos moradores, quando solicitaram o projeto arquitetônico, era construir uma casa sustentável e multi-funcional, que pudesse mudar e se adaptar ao longo do tempo. O jardim que já existia no fundo do terreno e as árvores também deveriam ser preservados ao máximo possível. Por isso, o projeto teve orientação de um arborista e levantamentos detalhados das zonas das raízes das árvores e dimensões do tronco.

“A Casa Jardim não é simplesmente construída em torno das árvores, mas, em alguns lugares, suspensa – pairando acima do solo para proteger as zonas das raízes das árvores”, explicam os arquitetos. Em uma área de 535 m² nasceu este lar em que o jardim é a referência e o ponto de orientação.

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