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Memorial Brumadinho: arquitetura para lembrar e não repetir

Conheça o impressionante espaço em MG construído para honrar 272 vidas perdidas

Memorial Brumadinho
Logo na entrada, uma drusa de cristal homenageia as joias, a forma como as famílias das vítimas recordam seus entes queridos perdidos. Foto: Pedro Mascaro

No próximo dia 25 de janeiro completa 7 anos que a barragem da mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, se rompeu em Minas Gerais. A tragédia ceifou 272 vidas. Ainda que o assunto hoje tenha pouca repercussão midiática, diversas iniciativas buscam manter tal memória viva. O espaço Memorial Brumadinho é exemplo disso.

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Desenvolvido pelo escritório Gustavo Penna Arquiteto e Associados, o projeto tem como cliente a AVABRUM (Associação de Familiares das Vítimas e Afetados pelo Desabamento da Barragem da Mina do Córrego do Feijão). O memorial é fruto de uma mobilização liderada pelos familiares das vítimas, que buscavam um espaço digno de homenagem.

A arquitetura do Memorial Brumadinho une simbolismo e sensibilidade. O espaço consiste em um pavilhão de entrada, um bosque, áreas de convivência ao ar livre, caminhos que levam a um monumento-escultura, um espelho d’água, salas de exposição de Memória e Testemunho, espaço meditativo e uma área de armazenamento dos fragmentos corporais das vítimas.

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O bosque possui 272 ipês amarelos (um para cada vida perdida) e os espaços expositivos são pensados para levar à reflexão. A ideia é que mais que um tributo às vítimas ou espaço de lembrança, o local seja uma ferramenta de questionamento e mudança. “O memorial convida visitantes de todo o país a conhecer, refletir e não esquecer a maior tragédia humanitária já ocorrida em solo brasileiro em um local de trabalho. E não esquecer para não repetir”, propõem os familiares.

mineradora vale
Três espaços foram escavados na terra no ponto médio da fenda. À esquerda, Memória, onde as famílias homenageiam seus entes queridos. À direita, Testemunho, onde os fatos da tragédia são expostos, e um espaço sagrado que guarda os restos mortais recuperados das vítimas. Foto: Pedro Mascaro

Iluminação premiada

O Projeto de Iluminação desenvolvido pela empresa Atiaîa Lighting Design é um espetáculo à parte. As luzes transmitem informação, brilho e presença, iluminando mensagens, símbolos e a arquitetura, honrando a memória das vítimas: um poema, um aglomerado de cristais, 272 flores de ipê, 272 estrelas no lago (as “joias” perdidas), uma escultura que chora sobre paredes de concreto misturadas com o pigmento de resíduos de mineração.

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Atiaîa
Das órbitas oculares geométricas da escultura, lágrimas fluem continuamente, formando um véu sobre as paredes de concreto. A água, símbolo de memória e purificação, percorre o espaço em dois fluxos até alcançar o espelho d’água sob o mirante, onde o luto encontra a contemplação. Foto: Leo Drumond/Nitro

A luz guia a jornada dos visitantes criando uma atmosfera envolvente, sensível e respeitosa. Todo esse trabalho rendeu o prêmio de Projeto de Iluminação Arquitetônica do Ano de 2025 no prestigiado LIT Awards, um reconhecimento global de excelência em design de iluminação.

Memorial Brumadinho

Semelhante à iniciativas internacionais como o Memorial 11 de Setembro (EUA), o Memorial de Auschwitz (Polônia) e a ESMA (Argentina), o Memorial Brumadinho também foi construído in situ — ou seja, no local da tragédia. O objetivo é manter viva a lembrança do que não pode se repetir e fomentar a reflexão sobre esse episódio marcante para o país.

Atiaîa
O caminho é uma fenda de 230 metros, uma ruptura literal e simbólica que corta o terreno apontando para o local exato do rompimento da barragem. As flores de ipê, símbolo de vida e resiliência, lembram a chama das velas e evocam uma procissão. Foto: Pedro Mascaro

Além das exposições, o Memorial desenvolve projetos educativos e de pesquisa voltados a temas como meio ambiente, direito à memória, geografia, história e reparação simbólica. Com isso, reafirma o compromisso de se tornar referência em iniciativas que dialogam com memórias traumáticas no Brasil e no mundo.

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Memorial Brumadinho
Na metade do projeto, uma escultura quadrada ergue-se como uma cabeça suspensa sobre o caminho, representando a humanidade em seu fracasso. O mapa de Córrego do Feijão está impresso em sua superfície. Ele contempla o local do desabamento, onde duas vítimas ainda não foram encontradas. Foto: Douglas Magno / NITRO

“Este não é apenas um espaço de lembrança”, afirma Fabíola Moulin, presidente da Fundação Memorial de Brumadinho. “O Memorial Brumadinho reflete o compromisso ético com a reparação simbólica e com a preservação das memórias daqueles que foram vitimados pelo rompimento da barragem. É um lugar que nos obriga a lembrar, a refletir e a lutar para que tragédias como essa jamais voltem a acontecer”, completa.

Memorial Brumadinho
Área de estar externa, entre o Pavilhão de entrada e a Fenda. As aberturas permitem vistas para a Cafeteria e parte do Espaço de Meditação. Luminárias rasantes iluminam as paredes de concreto e os beirais. O espelho d’água da drusa não é iluminado, mas reflete o ambiente ao redor. Foto: Pedro Mascaro

Aberto ao público desde janeiro de 2025, o Memorial Brumadinho tem entrada gratuita, mas é necessário a retirada prévia do ingresso. Confira os dias e horários no site. O espaço é gerido pela instituição privada e sem fins lucrativos Fundação Memorial de Brumadinho.

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“O que a memória ama permanece eterno. Eu te amo com a memória, imperecível.” O poema “plan grazing lights”, de Adélia Prado, apresenta o baixo-relevo das letras da sinalização com efeitos de luz e sombra, destacando também a textura e a cor do concreto misturado com pigmento proveniente dos resíduos da mineração. Foto: Pedro Mascaro
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Terminais de fibra óptica com lentes são integrados ao concreto para iluminar a cascata de baixo para cima e também na parte frontal da escultura para destacar as lágrimas. Os jatos de água são iluminados lateralmente com fibra óptica do tipo mangueira. Foto: Pedro Mascaro
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No fundo do lago, foram instalados 272 terminais de fibra óptica, programados para oscilar e criar um efeito de céu estrelado. Um mapa da esfera celeste às 00h01 do dia 25 de janeiro de 2019, data do rompimento da barragem, é projetado no leito do lago. A luz é presença, é vida. Foto: Pedro Mascaro
Memorial Brumadinho
Vista aérea: da esquerda para a direita, encontram-se o Pavilhão de Entrada, a área de estar externa, o Poema, a Fenda, o Monumento, o mirante e o lago. Memória e Testemunho estão abaixo do bosque, perto da Escultura quadrada. Foto: Jomar Bragança

 

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Ato por Memória

Um ato vai para marcar os sete anos do rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho, no dia 25 de janeiro, às 10h, na Avenida Paulista, em São Paulo,  Além das 272 vidas perdidas, a tragédia deixou marcas ambientais profundas e ainda visíveis: contaminação do Rio Paraopeba, destruição de ecossistemas, impactos duradouros nas comunidades e um modelo de mineração que segue sem mudanças estruturais. Sete anos depois, a responsabilização definitiva ainda não ocorreu.

O ato surge justamente para manter viva a memória das vítimas, alertar para o risco de novas tragédias e recolocar no centro do debate público a urgência da justiça socioambiental. A programação reúne toque simbólico da sirene, ações educativas, atividades culturais, plantio de mudas e o Pedal pela Vida, conectando memória, meio ambiente e mobilização cidadã.

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Campo de futebol que foi base de resgate de vitimas de Brumadinho virou tela de obra de arte, em 2022. | Foto: Saype

 

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