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Movimento offline conquista pessoas cansadas das redes

Plataformas e clubes se espalham pelo mundo oferecendo shows e encontros no modo offline, reforçando o desejo por interação humana autêntica

Foto: Pexels

A tendência “offline” vem atraindo milhares de pessoas para shows, encontros e eventos sem celular — espaços onde é possível, como dizem os organizadores, “encontrar sua turma”. Uma das realidades mais marcantes do vício em redes sociais é a autoconsciência de quem está preso a esse ciclo: pesquisa recente do British Standards Institution revelou que 68% dos adolescentes entrevistados afirmaram se sentir pior quando passam muito tempo conectados, e 47% eliminariam completamente as redes sociais se pudessem.

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Diante desse cenário, não surpreende que centenas de milhares de pessoas estejam buscando eventos “IRL” (na vida real), nos quais telefones celulares são proibidos ou têm uso limitado. Diversos novos serviços têm investido em “experiências offline” voltadas para encontros sociais e relacionamentos, e a multiplicação dessas iniciativas em agendas de americanos e europeus evidencia um desejo profundo de reconexão humana.

O Offline Club of Europe, por exemplo, acumula mais de meio milhão de seguidores no Instagram — um indicador irônico de sucesso — e reúne seus membros em diferentes locais do continente, onde os smartphones ficam trancados em uma caixa logo na entrada. Depois disso, atividades como ler, conversar, tomar um drinque ou jogar um jogo de tabuleiro acabam substituindo o hábito de ficar vidrado no celular.

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Foto: Vitolda Klein | Unsplash

Além do Offline Club, empresas como Kanso, Sofar Sounds e o aplicativo 222 também têm lucrado ao incentivar a desconexão de usuários de feeds repletos de anúncios direcionados e conteúdos gerados por inteligência artificial. Cada uma delas encontrou seu nicho, mas todas buscam resgatar formas de interação social que eram comuns antes da popularização dos smartphones.

A Kanso — uma plataforma de planejamento de eventos — tem organizado encontros selecionados e sem celulares em grandes cidades como Nova York, São Francisco e Londres. Recentemente, promoveu seu primeiro evento de música ao vivo sem telefones em San Diego, batizado de Kanso Unplugged. Após o primeiro evento em Nova York, o fundador Randy Ginsberg escreveu em um artigo explicando o conceito: “Imediatamente após o evento, várias pessoas vieram até mim dizendo que foi a melhor experiência que já tiveram em Nova York.” 

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Ele relatou ainda que “Os convidados permaneceram além da duração prevista do evento, e muitos acabaram formando amizades depois de se conhecerem lá. Um deles chegou a conhecer um investidor que transferiu dinheiro para sua startup já no dia seguinte.” Nos encontros da Kanso, os telefones ficam guardados em pequenos armários e podem ser retirados apenas ao final.

O aplicativo 222 segue uma lógica semelhante de incentivo ao encontro presencial. Gratuito e disponível apenas para iPhones, ele envia convites para grupos de pessoas se reunirem em espaços públicos, encorajando os usuários a “escolher o acaso”. Sem perfis, mensagens diretas, deslizar para a direita ou rolagem infinita, o app identifica outros usuários “verificados” com maior probabilidade de compartilharem interesses e os convida para eventos onde a interação acontece de forma espontânea. Avaliado por 3.600 usuários da Apple, o 222 alcançou 4,7 de 5 estrelas, sendo descrito como um aplicativo “IMPERDÍVEL” e um organizador versátil de encontros que podem render ótimas noites — mesmo que não resultem em romance. Já a Sofar Sounds, empresa de concertos itinerantes, conecta artistas e público por meio de experiências intimistas em 400 cidades ao redor do mundo. Embora não sejam totalmente offline ou livres de celulares, os eventos pedem aos participantes que evitem usar seus telefones durante as apresentações.

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