Uma das maiores vinícolas do Brasil adota manejo livre de herbicidas
Do solo ao copo, Salton avança em produção sustentável com plantas de cobertura
Do solo ao copo, Salton avança em produção sustentável com plantas de cobertura
Ao completar 115 anos de história, a Salton, líder nacional em espumantes e vinícola em atividade mais antiga do Brasil, brindou o seu legado com um novo lançamento. O Rosé Extra-Brut, elaborado exclusivamente com uvas Pinot Noir cultivadas nos vinhedos da empresa em Santana do Livramento (RS), traz um sabor especial: é fruto de um território onde a Salton vem testando e aprimorando práticas sustentáveis de manejo da terra.
A marca vem se destacando por redefinir a viticultura brasileira a partir do conceito de viticultura de precisão. Na unidade batizada de Azienda Domenico, a vinícola cultiva 170 hectares de vinhedos próprios, totalmente livres de herbicidas, onde aplica técnicas biológicas e realiza colheita mecanizada. Além disso, por meio do programa Terroir Salton, a empresa oferece apoio técnico a mais de 40 produtores parceiros, promovendo práticas de manejo sustentável com rastreabilidade em cada etapa do processo.
Essa transformação foi possível graças à substituição dos produtos químicos por plantas de cobertura, que exercem a função de proteger e regenerar o solo. Entre as espécies, o azevém é a mais utilizada, embora outras gramíneas também sejam aplicadas com bons resultados.

“Por meio de pesquisas desenvolvidas junto às equipes de viticultura e universidades, descobriu-se que o azevém traz ganhos para o solo, como a redução da erosão, o controle de temperatura em períodos de calor mais intensos, a redução na taxa de evaporação e sequestro de carbono, resultando em remoções de gases de efeito estufa”, explica o diretor-presidente Maurício Salton. “Com o uso dessa e de outras gramíneas nativas deixamos de utilizar herbicidas em nossos vinhedos próprios”, completa.
Com o avanço de tecnologias de controle e monitoramento (como, por exemplo, a instalação de estações meteorológicas na propriedade), a empresa também conseguiu reduzir significativamente o uso de inseticidas e outros agrotóxicos em seus vinhedos. O acompanhamento climático detalhado permite às equipes identificarem com precisão quando e onde as intervenções são necessárias, tornando as aplicações mais pontuais e eficientes. “Todas essas informações são compartilhadas com os nossos produtores parceiros, para que eles também possam replicar as intervenções em suas propriedades, evitando desperdícios”, pontua o diretor-presidente.

Para viabilizar as mudanças, a empresa formou parcerias com a Universidade de Caxias do Sul e a Universidade Federal de Santa Maria, desenvolvendo pesquisas científicas sobre calibração de solo no contexto vitícola da região.

Apesar do foco em práticas ecológicas, a Salton não possui uma linha de produtos orgânicos. A empresa já produziu suco de uva orgânico, mas os custos de produção eram muito elevados, tornando o produto quase inacessível no mercado. Segundo explica Maurício, as condições climáticas da região, especialmente na Serra Gaúcha, com elevada precipitação, tornam o manejo orgânico mais desafiador, exigindo um ambiente muito específico e controlado para garantir a qualidade.

Em Santana do Livramento, a Salton adotou ainda um sistema de irrigação sustentável, aproveitando barragens para captar água da chuva e utilizando gotejadores que fornecem pequenas quantidades de água diretamente às plantas, garantindo apenas o necessário para o desenvolvimento ideal dos vinhedos. Com a automatização do sistema nas áreas de plantio, é possível controlar em tempo real o volume de água distribuído, com sensores que monitoram a umidade do solo, permitindo reduzir o consumo e aumentar a eficiência. Além disso, a tecnologia permite o agendamento remoto da irrigação, priorizando períodos com menor taxa de evaporação.
Ao unir inovação e cuidado ambiental, a Salton mostra que é possível produzir vinhos e espumantes de qualidade respeitando o solo e o ecossistema.