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Árvores em Los Angeles absorvem mais carbono do que o esperado

Vegetação urbana compensa uma parcela surpreendente de emissões de combustíveis fósseis durante os meses mais quentes, segundo estudo

Árvores Los Angeles
Centro de Los Angeles. Foto: BDS2006 CC BY 3.0

Ajudam a melhorar a qualidade do ar, reduzir o efeito de ilhas de calor e ainda absorvem significativamente mais dióxido de carbono do que o esperado. É o que revela um novo estudo da Universidade do Sul da Califórnia (USC) sobre as árvores localizadas no centro de Los Angeles. A vegetação compensa uma parcela surpreendente de emissões de combustíveis fósseis durante os meses mais quentes. 

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A pesquisa, publicada recentemente na Environmental Science & Technology, fornece uma das medições mais detalhadas até o momento sobre como as árvores urbanas impactam a qualidade do ar. Os pesquisadores descobriram que a vegetação na área de estudo absorveu até 60% das emissões diurnas de CO2 de combustíveis fósseis na primavera e no verão e cerca de 30% anualmente — colocando Los Angeles entre as cidades com as maiores taxas de absorção de CO2 registradas.

Para rastrear o CO2 em tempo real, a equipe de pesquisa lançou o que eles chamam de matriz do Censo de Carbono, implantando 12 sensores de alta resolução. Os equipamentos mapearam como as concentrações de CO2 mudaram conforme o ar se movia pela paisagem urbana, permitindo que os pesquisadores considerassem a velocidade e a direção do vento e a densidade urbana para determinar até que ponto a vegetação local estava compensando as emissões.

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árvores Los Angeles
Foto: Braden Egli na Unsplash

“Você pode pensar em emissões como passageiros em um trem”, disse Will Berelson, que liderou a pesquisa e é professor de ciências da Terra, estudos ambientais e ciências espaciais na USC. “À medida que o vento move a poluição pela cidade, parte é recolhida e parte é despejada. Esses sensores nos permitem ver esse processo em tempo real.”

Ao contrário de alguns modelos que estimam os níveis de CO2 com base nas vendas de combustível e dados de tráfego e outros modelos que avaliam o CO2 que atinge um sensor específico, este estudo, realizado de julho de 2021 a dezembro de 2022, mediu o CO2 diretamente, gerando uma estimativa mais precisa e localizada das emissões.

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Para diferenciar o CO2 gerado por combustíveis fósseis do CO2 emitido por organismos vivos, os pesquisadores usaram CO (monóxido de carbono). O CO é coemitido com o CO2 quando combustíveis fósseis queimam, e tem um comportamento atmosférico similar.

Embora o estudo tenha se concentrado em uma parte de Los Angeles, as descobertas fornecem insights valiosos que podem ser aplicados a outras áreas urbanas.

As árvores estão ajudando, mas não são suficientes

Uma das maiores surpresas do estudo foi que as árvores absorvem mais CO2 durante o verão, apesar de ser a estação mais seca de Los Angeles. Imagens de satélite mostram que a vegetação urbana de Los Angeles é notavelmente verdejante no verão, provavelmente devido à irrigação, acesso a águas subterrâneas por canos com vazamento e espécies de árvores resilientes.

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Ainda assim, as árvores não conseguem acompanhar as emissões. Como esperado, os níveis de CO2 aumentaram durante a hora do rush, reforçando o fato de que, embora a vegetação ajude, ela não pode compensar a poluição de carros, prédios e indústrias por si só.

resfriar as cidades
Foto: Marius Karotkis | Unsplash

As descobertas do estudo ajudam a informar a USC Urban Trees Initiative, uma parceria entre a USC, a cidade de Los Angeles e organizações comunitárias focadas na expansão da vegetação urbana em comunidades que mais precisam dela. Ao identificar onde as árvores absorvem mais carbono, a pesquisa fornece insights baseados em dados que podem ajudar a orientar futuros esforços de plantio.

“A natureza está nos ajudando”, disse Berelson, “mas não podemos confiar que ela fará todo o trabalho”. De fato, o estudo estima que a vegetação urbana absorve apenas cerca de 30% das emissões anuais de combustíveis fósseis na área de estudo, ressaltando a necessidade urgente de energia limpa, melhor transporte público e reduções mais amplas de emissões.

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Futuro com mais monitoramento 

Com base no sucesso do estudo, a equipe da USC expandiu sua rede de sensores, adicionando mais oito sensores a leste da área de estudo original e a oeste em Santa Monica. Esses sensores, desenvolvidos como parte de um projeto maior, fornecem dados de emissões de alta resolução raramente disponíveis em áreas urbanas.

“Nosso objetivo é monitorar mais áreas de Los Angeles para definir valores de referência de emissões de CO2 e identificar onde a vegetação está causando o maior impacto e onde mais vegetação é necessária”, explicou Berelson, que é professor Paxson H. Offield em Sistemas Costeiros e Marinhos.

Ele acredita que essa abordagem de monitoramento em tempo real pode servir de modelo para cidades no mundo todo monitorarem e reduzirem as emissões de forma mais eficaz.

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Los Angeles estabeleceu uma meta de se tornar neutra em carbono até 2050 e, embora sua vegetação urbana forneça um impulso natural, Berelson enfatiza que reduzir o uso de combustíveis fósseis continua sendo o passo mais crítico no combate às mudanças climáticas.