Galo da Madrugada inclui ações socioambientais no Carnaval 2025
Coleta de 100% dos resíduos sólidos, galo de materiais reciclados e desfile de pessoas com deficiência estão entre as iniciativas; saiba o que é o Galo da Madrugada
Coleta de 100% dos resíduos sólidos, galo de materiais reciclados e desfile de pessoas com deficiência estão entre as iniciativas; saiba o que é o Galo da Madrugada
O galo já está de pé no Recife. Símbolo do carnaval de rua da cidade, o Galo Gigante marca o início da folia carnavalesca que começa oficialmente nesta quinta-feira (27), em Pernambuco.

Considerado o maior bloco de carnaval do mundo, o desfile do Galo da Madrugada acontece sempre no primeiro sábado de carnaval, sendo realizado este ano no dia 1º de março a partir das 9h. Além das atrações, para o Carnaval 2025, a organização anunciou uma série de iniciativas socioambientais, que destacamos abaixo:
A produção de resíduos durante a folia é monumental. Para minimizar o impacto, o bloco garante que será realizada a coleta seletiva de 100% dos resíduos sólidos gerados durante o desfile, em parceria com cerca de 10 cooperativas de catadores.A estimativa é de 300 trabalhadores cooperados e cerca de 100 avulsos. A organização, em parceria com a Novelis, fará a compra direta de todas as latinhas coletadas no dia, além do pagamento de diária pelo serviço prestado.

Os trabalhadores terão, ainda, sua própria ala no desfile. O “bloco dos catadores” virá com, aproximadamente, 50 coletores, que, enquanto desfilam, vão coletar ao longo do percurso do bloco os materiais recicláveis que encontrarem pelo caminho. Ao final, também haverá um ‘arrastão sustentável’, que será a limpeza final pelo percurso.
Pelo segundo ano consecutivo, o Galo fará a compensação de 100% do carbono emitido em todas as atividades que envolvem o desfile – deslocamento de trios elétricos e carros alegóricos, montagem de camarotes e deslocamento de trabalhadores, por exemplo.

A neutralização de CO₂ também abrange a confecção do Galo Gigante, erguido sobre a Ponte Duarte Coelho. Com cerca de 27 metros de altura e nove toneladas, a escultura terá todas as etapas de sua construção monitoradas para garantir a compensação ambiental adequada.
Outra novidade deste ano é a parceria inédita com a Rede Muda Mundo, que assume o braço social do bloco com o objetivo de transformar a folia em impacto positivo. A iniciativa busca fortalecer a economia local, promover inclusão e incentivar práticas sustentáveis.
Entre as ações, a parceria prevê a redução de resíduos e campanhas de conscientização ambiental, além do incentivo ao consumo de produtos e serviços da comunidade. Para os organizadores do Galo, essa é uma oportunidade de ampliar o papel do bloco na sociedade.
Pela primeira vez, o desfile do Galo da Madrugada contará com uma ala formada por foliões com deficiência, incluindo cegos, surdos e cadeirantes.
Um dos integrantes dessa ala é o funcionário público Fernando Dias, de 58 anos, que é cego e folião do Galo desde 1983. Ele nunca abriu mão de participar da festa no chão. “Já aconteceu de pessoas me verem no meio da multidão e, achando que eu estava em um local inadequado, tentarem me acomodar em um camarote. Agradeci a gentileza, mas expliquei que gosto mesmo é de estar ali, no meio do povo, com amigos – deficientes ou não – tomando aquela cerveja gelada”, brinca Fernando.
Além do desfile, Fernando e outros cinco cegos participarão, no próximo dia 16, da segunda edição da Corrida do Galo, que este ano, pela primeira vez, contará com um grupo de cegos acompanhados por corredores guias. “É a segunda vez que participo e a primeira do restante do grupo. Temos muito orgulho desse convite do Galo, que abre portas para a inclusão também dentro dessas competições. Assim como no desfile, queremos inspirar outros deficientes a se juntarem ao nosso grupo de corredores. Inclusive, já temos recebido contato de pessoas interessadas em participar”, conta Fernando.

“A criação da Ala da Acessibilidade (no Galo) é uma forma de incluir as pessoas com deficiência que precisam de necessidades específicas para se locomover e se comunicar, bem como de proporcionar a esses cidadãos a chance de brincar na rua como fazem os demais foliões”, acrescenta Liliana Tavares, responsável pela Ala da Acessibilidade no desfile do Galo da Madrugada. “O bloco já contava com o Camarote da Acessibilidade, mas agora deu mais um passo para abraçar as diferenças e promover a inclusão”, finaliza.
Por fim, a produção da indumentária do famoso “Galo Gigante” é a ação mais visível. A estrutura foi confeccionada com garrafas pet, canos de PVC, pneus, lonas, entre outros materiais reciclados. Os foliões puderam contribuir doando garrafas PET: a Prefeitura do Recife disponibilizou 14 ecoestações e mais de 130 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) pela cidade para a coleta dos materiais.

Batizado de Galo Cidadão Ecológico, a escultura possui 32 metros, a mais alta da história. O galo começou a ser erguida às 18h45 da noite de quarta-feira (26) para uma multidão de foliões, marcando a tradicional abertura dos festejos.
O projeto do Carnaval 2026 é que o Galo seja feito inteiramente de materiais reciclados coletados no desfile deste ano. “O Carnaval precisa ser sustentável, comprometido e criativo. Isso é modernizar a tradição e refletir as necessidades do mundo atual”, afirma Leopoldo Nóbrega, artista plástico responsável pela escultura.
Fundado em 23 de janeiro de 1978, por um grupo de amigos e familiares que tinham por objetivo reviver o carnaval de rua do Recife – à época, os dias de momo, na capital pernambucana, resumiam-se, praticamente, às festas privadas -, o Clube de Máscaras o Galo da Madrugada foi às ruas, pela primeira vez, no dia 4 de fevereiro daquele mesmo ano, com cerca de 75 integrantes. No ano seguinte, inaugurando o seu estandarte oficial, a agremiação já reunia mais de 300 foliões nas ruas do Bairro de São José e adjacências.

A cada novo carnaval, os números de brincantes mais que dobravam e, com isso, começavam a ocorrer as primeiras mudanças no desfile – como por exemplo, o quantitativo de orquestras no chão e, posteriormente, a utilização de caminhões para apresentação dos músicos. Em 1984, veio outra grande virada de chave no Galo, que foi a chegada dos trios elétricos. No fim daquela década, já se estimava um número de brincantes na casa das centenas de milhares que vinham prestigiar o bloco no Sábado de Zé Pereira.
Já no início da década de 1990, falava-se que o Galo da Madrugada atingira a marca de um milhão de foliões, o que rendeu à agremiação, em 1994, o reconhecimento do Guinness Book (o livro dos recordes) como o maior bloco de carnaval do mundo. Em comemoração ao título, a Prefeitura do Recife instalou, no carnaval do ano seguinte, uma escultura gigante do Galo – com 23 metros de altura e três toneladas – no Rio Capibaribe. Em 1996, o monumento passou a ocupar a Ponte Duarte Coelho, tradição que se mantém até hoje e se tornou uma das principais marcas e atrativos do carnaval de Pernambuco.

Atualmente, a peça, com nove metros a mais de altura e pesando quase três vezes mais em relação à pioneira de quase três décadas atrás, é assinada pelo artista plástico Leopoldo Nóbrega – que trouxe um novo olhar ao gigante, que passou a unir beleza às questões de sustentabilidade, preservação do meio ambiente e inclusão.
Em 2009, no desfile que homenageou o idealizador e fundador do bloco, Enéas Freire – falecido em junho de 2008, aos 86 anos – o Galo da Madrugada alcançou um novo recorde de público: 2 milhões de foliões.

No ano passado, quando homenageou o saudoso cantor e compositor pernambucano Reginaldo Rossi, o bloco reuniu mais de 2,5 milhões de foliões, distribuídos nos cerca de 6,5 km de percurso. Ao longo dos seus 47 anos de história, o Galo também já prestou homenagem, nos seus temas, a personalidades como Ariano Suassuna, Chico Science, Luiz Gonzaga, Carlos Fernando, Alceu Valença e J.Michiles, entre outros.
“Pernambuco: do Galo ao Bacalhau, viva o Carnaval”. É com este tema que o bloco ganhará as ruas do Centro do Recife, a partir das 9h do próximo sábado (1º), numa festa para um público estimado de mais de dois milhões e meio de foliões, espalhados em um percurso de 6,5km – com início no Forte das Cinco Pontas e término na Rua do Sol.

Com Elba Ramalho entre as atrações, o percurso terá 30 trios elétricos. Além dos artistas (confira a programação completa aqui), haverá as tradicionais orquestras de frevo e bonecos gigantes.
O desfile este ano é composto por seis alegorias que vão exaltar e homenagear manifestações típicas do carnaval de Pernambuco.