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Dia da Amazônia: alertas e caminhos para salvar a floresta

Contador de árvores derrubadas, pesquisas com dados sobre desmatamento e caminhos regenerar o bioma marcam a data

Amazônia
Foto: Valdemir Cunha | Greenpeace

No dia 5 de setembro celebramos o Dia da Amazônia, mas infelizmente não temos muito o que comemorar. Os índices de desmatamento e queimadas vêm batendo recordes mês a mês, apesar de constantes alertas de que é necessário preservar e regenerar a floresta.

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De acordo com o último relatório publicado pela revista britânica Nature, 75% do desmatamento da Amazônia é irreversível: ou seja, são territórios onde a floresta não cresce mais. Nesse ritmo, diz a revista, a Amazônia pode virar savana ainda no século XXI.

Em um comunicado enviado à imprensa, o Greenpeace mais uma vez repete que “proteger a Amazônia é importante para o equilíbrio climático, para garantir os meios de vida das populações que vivem na região e é fundamental para manter o ciclo da água no Brasil. Sem floresta, não tem água, não tem comida, não tem futuro!”.

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Muita gente, no entanto, ainda não tem consciência da gravidade da situação na Amazônia e, para alertar sobre a dimensão do que está acontecendo, a Natura instalou um grande contador de árvores derrubadas na região amazônica que vai ocupar o tradicional centro comercial de Brasília até o dia 2 de outubro.

árvores cortadas amazônia
Contador de árvores derrubadas em tempo real na região amazônica é apresentado no maior painel de LED da América Latina. Foto: Raul Vasconcelos

O número vai ser atualizado diariamente e vai ganhar visibilidade em um painel de mais de mil metros quadrados, o maior painel digital da América Latina, localizado próximo à Praça dos Três Poderes.

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O objetivo da intervenção urbana é revelar dados estatísticos sobre o desmatamento, imagens e outras informações relacionadas à conservação da maior floresta tropical do mundo com o intuito de promover conhecimento público sobre o desmatamento, bem como questionar autoridades políticas e candidatos sobre ações efetivas pela conservação e regeneração da floresta.

Ao longo do próximo mês, dados da plataforma on-line PlenaMata, criada por Natura, Mapbiomas, Infoamazonia e Hacklab, serão refletidos no painel, além de tweets do perfil AmazoniaViva, lançado pela Natura para chamar a atenção sobre o aumento do desmatamento na floresta amazônica.

Natura Amazônia
Ação em Brasília busca conscientizar a sociedade sobre a importância do voto para a regeneração da Amazônia. Foto: Raul Vasconcelos

O questionamento a políticos e candidatos em relação à Amazônia também está presente na nota do Greenpeace pelo Dia da Amazônia. Os ambientalistas lembram que é possível proteger a floresta e “o Brasil pode reconstruir os sistemas de proteção da floresta”.

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“Este é um ano eleitoral e teremos nas mãos o poder de decidir se queremos seguir com a economia da destruição, que traz lucro para poucos enquanto prejudica toda a sociedade, ou se queremos propostas e ações que ajudem a construir a Amazônia que precisamos, com valorização da ciência, da floresta em pé e de seus povos”, reforça a ONG.

Caminhos para cuidar da floresta

Segundo o Greenpeace, existem 5 medidas urgentes para que os próximos representantes do povo brasileiros possam começar a reconstruir a agenda socioambiental do Brasil. Confira quais são as ações apontadas:

  1. Retomar imediatamente a execução de um plano eficiente e articulado de combate ao desmatamento, nos moldes do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAM).
  2. Destinar orçamento adequado para ações e políticas de proteção ambiental e de direitos territoriais bem como fortalecer os órgãos ambientais e fundiários como Ibama, ICMBio, INCRA e FUNAI, o que inclui renomear servidores capacitados para cargos de chefia de órgãos relevantes para a pauta socioambiental, realização de concursos públicos e a contratação de servidores.
  3. Destinar florestas públicas não-destinadas para conservação e uso sustentável, reconhecendo os direitos à terra de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares (inclusive territórios de uso comum e assentamentos da reforma agrária).
  4. Retomar o processo de responsabilização por crimes ambientais e aplicação de multas e penalidades previstas em lei.
  5. Retomar o processo de demarcação dos territórios de povos indígenas e comunidades tradicionais, bem como criar mecanismos e implementar ações para a desintrusão de invasores, o combate a atividades criminosas nesses territórios, em especial o garimpo, e o combate à violência contra esses povos.

Os ambientalistas afirmam que se não mudarmos a maneira como fazemos política, corremos o risco de colocar “o planeta e nosso país na direção de um futuro difícil para todos”.

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Indígenas querem mais representatividade

Diversos estudos apontam os indígenas e os povos tradicionais como os melhores guardiões da floresta. E vem justamente dos povos originários uma novidade para estas eleições.

A Bancada Indígena, composta por 30 candidatos de todas as regiões do País e de 31 povos diferentes, é uma iniciativa da Articulação dos Povos Indígenas da Amazônia (Apib), dentro do movimento “Aldear a Política”, que traz como proposta a ampliação da representatividade indígena nos poderes legislativos e executivos em todo o país, como forma de fazer frente organizada contra as iniciativas legislativas prejudiciais aos povos originários, além de avançar na proposição de medidas favoráveis à pauta socioambiental.

indígenas florestas
Mulheres e crianças em trilha dentro da floresta que cerca a aldeia Ikpeng, no Xingu, à procura de árvores com sementes. Foto: Ayrton Vignola

O que diz a ciência?

Dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto Imazon apontam que de agosto de 2021 a julho de 2022, foram derrubados 10.781 quilômetros quadrados de floresta, uma área equivalente a sete vezes a cidade de São Paulo. O desmatamento, que aumentou 7% em comparação ao mesmo período do ano passado, é considerado o maior nos últimos dez anos.

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Philip Martin Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) defende que o desmatamento na Amazônia precisa parar imediatamente. E ele não fala apenas do desmatamento “ilegal” ou o desmatamento “líquido”, calculado pela diferença entre a área total desmatada e a área de floresta recuperada.

desmatamento amazônia
Foto: Agência Brasil

“Além da necessidade de manter a biodiversidade e os povos tradicionais na região, a floresta amazônica tem um papel vital para o Brasil por reciclar a água. Uma parte da água que chega a São Paulo, por exemplo, vem das zonas úmidas mantidas pela floresta e chega pelos ventos conhecidos como “rios voadores”. Essa água é essencial para manter as metrópoles naquele lugar, além de manter atividades agrícolas em uma boa parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste”, explica.

O pesquisador, que também é membro da Academia Brasileira de Ciências e segundo cientista do mundo em citações sobre aquecimento global (Thomson-ISI), salienta que o desmatamento também contribui para o aquecimento do planeta.

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Philip afirma que o Brasil, que já sente os primeiros impactos das mudanças climáticas, provavelmente será um dos países mais afetados. “É um quadro realmente muito preocupante. Por isso, ações de indivíduos e da sociedade organizada são essenciais para qualquer mudança. Além de ações conscientes para minimizar o impacto ambiental no cotidiano, os indivíduos também podem influenciar as decisões tomadas pelos governos e pelas empresas”, ressalta Fearnside.

seca
Com emissões no patamar atual, temperatura média pode subir até 4°C em algumas regiões da América do Sul. Foto: Fernando Frazão | Agência Brasil

As áreas de florestas destruídas nos últimos dois anos na Amazônia chegaram a 21.257 quilômetros quadrados, quase o tamanho do estado de Sergipe. Os dados do Imazon também apontam que essa foi a quarta vez seguida em que a devastação atingiu o maior patamar desde 2008, quando o instituto iniciou o monitoramento com o SAD.

Ponto de não retorno

A engenheira florestal boliviana Marlene Quintanilla também traz informações alarmantes. Marlene coordenou o estudo “Amazônia contra o relógio: Um diagnóstico regional sobre onde e como proteger 80% até 2025”, lançado nesta segunda-feira, 5 de setembro.

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De acordo com a pesquisadora, o Brasil é o país com a porção mais extensa da Amazônia e o que menos está fazendo para conservá-la. “Já atingimos ponto de não retorno em algumas regiões da Amazônia”, diz Marlene.

fogo amazônia
Sobrevoo na região da Amacro (Amazonas, Acre e Rondônia), em uma área com cerca de 8.000 hectares de desmatamento. Foto: Nilmar Lage | Greenpeace

A afirmação é baseada em extensa pesquisas da Red Amazónica de Información Socioambiental Georreferenciada (RAISG), da qual Quintanilla faz parte. Os pesquisadores identificaram que 26% da Amazônia já estão transformados ou altamente degradados, o que a coloca no patamar do ponto de não retorno definido por trabalhos científicos anteriores – este ponto chegaria, de acordo com outros estudos, quando transformação e degradação somadas ultrapassassem o limiar de 20% a 25%.

Para conferir a reportagem completa e uma entrevista detalhada com Marlene Quintanilla, acesse a matéria publicada pela Agência Pública.

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Amazônia de Pé – você pode ajudar!

Quem quer ajudar a frear este quadro e não sabe como ganhou uma possibilidade de ação com o projeto de lei de iniciativa popular (PLIP) “Amazônia de Pé”, que cobra do governo federal a proteção dos territórios mais atacados na região: as florestas públicas não destinadas.

projeto de lei amazônia de pé
Foto: Cledisson Junior | Divulgação

O projeto foi elaborado pela ONG NOSSAS em parceria com mais de 60 organizações e, para que a lei seja aprovada, são necessárias as assinaturas de 1,5 milhões de brasileiros e brasileiras. Com estas assinaturas, o PLIP poderá ser entregue no Congresso Nacional em 2023.

“Precisamos conversar com nossas famílias, nossos amigos, nossos vizinhos. Sabemos que eles se importam com a floresta, agora é a hora de pedir que eles não só se importem, mas ajam”, explica a diretora da campanha, Daniela Orofino, convidando a sociedade para a mobilização.

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Qualquer brasileiro com título de eleitor pode se tornar um co-autor da lei. O processo começa no site amazoniadepe.org.br que, além de apresentar a minuta do projeto de lei na íntegra, também ensina como baixar a ficha, assinar e coletar assinaturas de outras pessoas.

Por fim, a ficha poderá ser entregue em um dos pontos de coleta espalhados pelo Brasil ou enviada pelos Correios para a caixa postal da campanha.

Amazônia
Foto: Tamara Saré | Agência Pará

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