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Muro verde em SP será ‘pago’ com compensação ambiental de árvores cortadas

Para ambientalistas, uma árvore nunca poderia ser trocada por um jardim vertical.

17 de março de 2017 • Atualizado às 14 : 20

Avenida 23 de Maio antes da gestão Dória. | Foto: iStock by Getty Images

Muro verde em SP será ‘pago’ com compensação ambiental de árvores cortadas
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Para viabilizar a instalação do muro verde na Avenida 23 de Maio, na cidade de São Paulo, a gestão do prefeito João Doria (PSDB) decidiu usar uma compensação ambiental devida por uma empresa que cortou árvores para a construção de um condomínio residencial no Morumbi.

Segundo matéria do jornal O Estado de São Paulo, a empresa Tishman Speyer cortou 856 árvores para a construção de três torres de apartamentos de alto padrão. Como contrapartida, ainda na gestão do ex-prefeito Kassab (PSD), a empresa se comprometeu a fazer a compensação com um plantio de 26.281 mudas para a instalação de quatro parques lineares na zona sul da cidade, no valor total de R$ 13 milhões. Porém, durante a gestão de Fernando Haddad (PT), em 2015, este valor foi transferido para a construção de oito jardins verticais, e desses, apenas dois foram concluídos. (veja aqui)

Após a polêmica de cobrir os grafites da 23 de Maio de tinta cinza, a prefeitura decidiu utilizar o saldo existente para a construção de um muro verde com dez mil metros quadrados no corredor norte-sul de São Paulo, no valor de R$ 9,7 milhões. A primeira fase deve ser concluída no próximo mês.

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Muro com a espécie conhecida por unha de gato já existente na Avenida. | Google Street View

O uso de jardins verticais nas cidades é bastante elogiado por biólogos e ambientalistas, porém, é considerado ineficiente quando usado como compensação de corte de árvores nativas e exóticas. “O muro verde é como um paciente na UTI. Ele custa muito caro, precisa de manutenção permanente e não sequestra carbono como as árvores. Nós estimamos que o serviço ambiental prestado por duas árvores corresponde a cerca de 1,5 mil metros quadrados de parede verde. A diferença é absurda”, afirmou ao Estadão o biólogo Marcos Buckeridge, pesquisador do Instituto de Biociências e do Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo (USP). Fazendo o calculo correto, seriam necessários então 642 mil metros quadrados de muro verde, mas o que será instalado corresponde a apenas 0,23% deste valor.

Segundo Nik Sabey, ambientalista do coletivo Novas Árvores Por Aí, o plantio de paredes verdes é utilizado muitas vezes como ferramenta para greenwashing (estratégia de marketing sustentável enganosa). “Uma árvore nunca poderia ser trocada por um jardim vertical. Uma árvore dura centenas de anos e vive sem precisar de manutenção. Já um jardim vertical, lindo como são, se não forrem irrigados, morrem. Cortar uma árvore hoje é perder um patrimônio ambiental que precisa ser evitado ao máximo. Mesmo assim, se for necessário, precisa ser compensado de forma séria e duradoura”, afirma ao CicloVivo.

Já o atual secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Gilberto Natalini, relatou ao Estadão que recebeu da gestão anterior o termo de compromisso ambiental (TCA) que permitiu usar jardins verticais para compensar corte de árvores na cidade e que “melhorou” o acordo ao transferir o projeto de jardins de paredes privadas para um muro público. Ele ainda afirmou que criou um grupo de estudo para analisar alterações na lei de compensação, porém sem garantir a proibição da prática.

Redação CicloVivo

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