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Plataforma fortalece segurança alimentar indígena

Plataforma da Embrapa busca fortalecer a segurança alimentar e a gestão territorial enfrentada por povos indígenas em vulnerabilidade

Sônia Guajajara com indígenas que participaram do lançamento – Foto: Claudio Bezerra | Embrapa

Em resposta à vulnerabilidade enfrentada pelos 279 povos indígenas do Brasil, que ocupam cerca de 13,75% do território nacional, a Embrapa lança uma iniciativa voltada a fortalecer a segurança alimentar e a gestão territorial indígena. Trata-se da Plataforma Embrapa de Iniciativas com Povos Indígenas, apresentada em 9 de outubro de 2025, na sede da Empresa, com a presença de autoridades governamentais e lideranças dos povos originários.

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“Essa Plataforma, considerada um instrumento de alta relevância estratégica, social, ambiental e científica, tem como principal objetivo organizar e fortalecer as ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) da Embrapa junto aos povos indígenas. Seu foco central é contribuir para a Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (SSAN) e para a Gestão Territorial das comunidades”, explica a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF), Terezinha Dias, líder do projeto que estabeleceu a iniciativa.

Foto: Guadalupe Noriega | Embrapa

Urgência social e ambiental

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Segundo Terezinha Dias, os povos originários do país estão entre as parcelas da população com os piores índices de insegurança alimentar e nutricional. “Eles enfrentam a aceleração das mudanças nos sistemas alimentares locais e a perda de conhecimento tradicional, diversidade de cultivos, caça, pesca e coleta de frutos, fatores que fragilizam seus sistemas agrícolas tradicionais. Tais problemas são agravados pela perda de territórios, desmatamento e degradação ambiental”, observa a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 20 Unidades Descentralizadas da estatal que desenvolvem projetos voltados aos povos originários e têm participação destacada na Plataforma.

Conforme o chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Ricardo Alamino, a iniciativa, submetida pela Unidade à carteira de projetos da Empresa, reflete uma ampla mobilização interna, pois reúne recursos humanos, abrange diversas atividades e resultados programados e contempla dezenas de povos indígenas em 17 Estados brasileiros, alinhando-se aos eixos estratégicos de atuação das equipes envolvidas.

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A Plataforma está alinhada à Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), aprovada em 2012 pelo governo federal, com o objetivo de proteger, conservar e garantir o uso sustentável dos recursos naturais.

Quais os eixos de atuação

Gestão: abrange as áreas técnica e financeira, além da contribuição a políticas públicas e da comunicação estratégica.

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Solução de Inovação 1 – Diálogos Interculturais: foca no fortalecimento da SSAN por meio da capacitação em produção de base ecológica e da avaliação de sistemas produtivos junto a diferentes povos.

Solução de Inovação 2 – Contribuições para a Gestão Territorial e Ambiental Indígena: envolve diagnósticos voltados à efetivação de Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs).

Solução de Inovação 3 – Fortalecimento de Redes Sociotécnicas Regionais: busca criar e consolidar redes que integrem profissionais da Embrapa e organizações indígenas.

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Ministério dos Povos Indígenas
Sonia Guajajara, no Palácio do Planalto. Foto: Valter Campanato | Agência Brasil

“Hoje estamos construindo a política indígena, com protagonismo dos povos indígenas. Vemos  que a Embrapa, neste momento reconhece, valoriza e dialoga”, disse a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, ao comentar a importância da iniciativa da estatal para fortalecer os laços de uma parceria histórica com as diferentes etnias durante o evento de lançamento. 

Ela elogiou a construção da plataforma, na qual já foram mapeados cerca de 50 povos indígenas incluídos em ações de pesquisa e intercâmbio de conhecimento com pesquisadores da Embrapa, em diferentes regiões e biomas. Além disso, Guajajara destacou que, finalmente, com a instalação da plataforma e também ações do governo federal, começa a ser colocado em prática o Acordo de Paris, firmado em dezembro de 2015, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – COP21. O acordo, entre outros pontos, reconhece  e equipara  o conhecimento dos povos indígenas e das comunidades tradicionais ao científico, sendo uma medida imprescindível  para enfrentar a crise climática. 

 

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“A gente precisa que essas ações cheguem no chão, nos territórios”, enfatizou a ministra, lembrando que para enfrentar a crise climática é necessário provocar grandes transformações, entre elas a mudança dos sistemas agroflorestais. Ou seja, a valorização da agricultura familiar, do pequeno produtor e das comunidades locais para obter uma mudança nos sistemas alimentares.