Um estudo nacional elaborado por 345 pesquisadores apontou que a temperatura média no Brasil vai aumentar entre 3°C e 6°C até o fim do século. O relatório, que analisou detalhadamente cada região do país, revela que o norte e o nordeste vão enfrentar mais períodos de seca, enquanto, no sudeste e na região sul, o aumento das precipitações deverá colaborar para a ocorrência de mais enchentes.

Os dados também consideram os locais em que são registrados os maiores índices de emissões de gases poluentes na atmosfera, e fazem parte do primeiro relatório de avaliação nacional do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, que deverá ser divulgado na íntegra apenas em setembro. O estudo foi compilado por pesquisadores de diversas áreas.

Para elaborar o documento, especialistas se dividiram em três grupos e analisaram os biomas de cada região. Assim, concluíram que o cenário será de secas na Caatinga e na Amazônia, devido à redução das chuvas em 40% nestas áreas. Já nos pampas e na Mata Atlântica, as precipitações serão até 30% mais frequentes.

Produzido em etapas, o estudo levou em conta uma série de pesquisas científicas publicadas desde 2007: o primeiro grupo considerou os dados sobre as mudanças climáticas no Brasil, o segundo analisou os impactos no meio ambiente e o terceiro grupo pesquisou as formas de mitigação de gases efeito-estufa no país.

O estudo foi elaborado nos mesmos padrões do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), grupo da ONU que faz as avaliações sobre alterações do clima em escala global. O relatório é um dos primeiros a utilizar regras globais para detalhar o cenário climático exclusivamente brasileiro até 2100.

Por Gabriel Felix – Redação CicloVivo

Avatar
Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.