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Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) mostrou que o fundo das Represas Billings e Guarapiranga está contaminado com metais pesados como chumbo, cobre, níquel e zinco. De acordo com os especialistas, esta contaminação compromete a qualidade da água e pode pôr em risco a saúde da população, já que as águas das duas represas abastecem boa parte da cidade de São Paulo. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) nega a informação de risco à saúde e diz que monitora a concentração dos metais pesados presentes nos mananciais.

O estudo atribui a contaminação ao esgoto, que é despejado de forma irregular por casas. O ambientalista Silvano da Silva, no entanto, culpa as indústrias.  De acordo com o ambientalista, que desenvolve um projeto na Guarapiranga, alumínio, chumbo e metais não são gerados por esgoto doméstico. Ele afirma que grande parte do esgoto coletado pela Sabesp não é tratado e questiona a diferença de esgoto clandestino e coletado, se ambos são jogados na represa sem nenhum tratamento.

Outro problema que vem assolando a Guarapiranga é a proliferação descontrolada das macrófitas (plantas aquáticas flutuantes) que causam mau cheiro, interferem na fauna local e tornam mais propícios os acidentes náuticos. A propagação dessas plantas se deve principalmente ao fato de esgotos in natura serem lançados na represa, o que remete à questão da ocupação irregular do entorno. A Billings, por exemplo, registra poluentes em nível cem vezes maior do que o permitido.

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Em entrevista à rádio CBN um representante da EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A.), o engenheiro Paulo Sérgio Silva, disse que essas macrófitas não têm efeito para a saúde, não oferecem risco, portanto não deve haver preocupações. Ele também isenta a sua empresa de responsabilidade, por cuidarem da geração de energia e não do abastecimento de água.

Em outra entrevista para a mesma rádio, a pesquisadora científica do Instituto de Botânica, Célia Leite Santana, diz que existem dois tipos de organismos aquáticos presentes: as macrófitas, que são visíveis, e as algas. Ela afirma que nenhum dos dois tipos é prejudicial à saúde, mas que a grande quantidade destes organismos representa desequilíbrio ecológico, sendo prejudicial para a própria água. Estes problemas encarecem o tratamento. Exemplo disso são entupimentos causados pelas algas e pela poluição e, também, o fato de algumas delas liberarem toxinas na água.

A pesquisadora explica que a poluição que chega à represa é a fonte de alimento para as macrófitas e que essa matéria orgânica é rica em nitrogênio e fósforo, é composta por dejetos humanos, ou seja, esgoto. Porém, quando as macrófitas morrerem toda a matéria orgânica voltará para a água, agravando ainda mais a contaminação e poluição.

As macrófitas ocorrem geralmente em áreas de várzea e, como são plantas aquáticas flutuantes, elas podem ser carregadas pelo vento. A pesquisadora explica que provavelmente pelo excesso de chuvas as plantas tenham sido arrancadas das áreas de alagamento e levadas para o corpo da represa. Segundo ela, a retirada do material deve ser feita o mais rápido possível, pois a vegetação já chegou a ocupar cinco quilômetros de extensão. Geralmente neste processo não se limpa totalmente a água. Uma pequena parte das algas deve permanecer nas áreas de várzeas, pois, ao se alimentarem, elas filtram o ambiente retirando o excesso de matéria orgânica.

Para Silvano elas são uma aliada. Ele coleta Pistia stratiotes e Salvinia auriculata, duas espécies de macrófitas, para adornar seu laguinho e diz ajudar no controle biológico da água. Os peixes que vivem ali passaram a se reproduzir, desde sua inserção, e a qualidade da água melhorou consideravelmente.  Como o aumento exagerado da quantidade dessas plantas é ocasionado pela grande quantidade de dejetos jogados na represa, o ambientalista questiona se não seria mais prudente e até mais simples, controlar melhor o que vai parar na represa, do que gastar tanto tempo e dinheiro com o tratamento.

Imagem: Fernanda D'Addezio – CicloVivo

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