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Um projeto de lei introduzido recentementena Assembléia Legislativa da Califórnia pretende proibir a venda e a posse de barbatana de tubarões. Na Chinatown de São Francisco, nos EUA alguns vêm a proposta de lei como uma agressão cultural.

A barbatana de tubarão é considerada um dos elementos mais valiosos do mar para algumas culturas. A peça salgada tem presença certa nos tradicionais banquetes chineses. "Se não tem sopa de barbatana, você não vale nada", explica Anna Li, proprietária de um empório de barbatana seca embalada na Chinatown.  Durante séculos esse tipo de caldo foi símbolo de riqueza, virilidade e poder.

Semelhante a uma medida aprovada no Havaí, o projeto visa reduzir a remoção das barbatanas de tubarão, uma prática brutal e sangrenta do comércio global em que as barbatanas são geralmente arrancadas do tubarão vivo, deixando-o morrer lentamente à medida que se afunda nas profundezas do mar. 

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No Havaí, os restaurantes têm até 30 de junho deste ano para cozinhar ou dispor seus inventários de barbatana. A penalidade para os estabelecimentos que mantiverem o porte ilegal será grave, com multas que variam de cinco a 15 mil dólares para uma primeira infração. Medidas semelhantes foram introduzidas nos estados americanos de Oregon e Washington. 

Segundo cientistas, existe uma crescente procura internacional de sopa de barbatana de tubarão, especialmente com a classe média em expansão da China. Por isso, o prato torna-se cada vez mais acessível. O resultado é a morte de até 73 milhões de tubarões por ano. 

O projeto de lei está atraindo um grupo heterogêneo de adeptos, incluindo a Associação de Pescadores Comerciais e Esportivos do Estado, aquários, cozinheiros, cientistas e grupos ambientalistas. No entanto, ainda existem muitas pessoas contra a legislação por estarem presas às tradições. 

Charles Phan, chefe executivo do restaurante “The Slanted Door” come a sopa desde quando era um bebê, que era cozida por sua mãe chinesa no Vietnã. Mas ele se mostrou a favor da proibição de barbatana, para desgosto de muitos colegas asiáticos.

"A verdadeira mensagem não é para comer a sopa", disse ele. "Os tempos mudaram. Quando o oceano for dizimado, você simplesmente não poderá se dar ao luxo de comer." 

Embora a lei federal proíba trazer as barbatanas de tubarão, uma brecha permite a importação de aletas, que vêm principalmente da China e do México, disse John E. McCosker, presidente do departamento de biologia aquática da Academia de Ciências da Califórnia. Os tubarões, como o grande tubarão branco são lentos para se reproduzir e podem levar até 15 anos para amadurecer, tornando o cultivo praticamente impossível. 

Os cientistas dizem que até 90% dos tubarões em mar aberto do mundo desapareceram. "Eles estão entre os animais mais vulneráveis ​​do oceano", disse Dr. McCosker. "A teia alimentar toda se descontrola quando você tira o predador de nível superior." 

O senador estadual Leland Yee, que está concorrendo à prefeitura de São Francisco, disse que a proibição foi muito longe. "A prática de sopa de barbatana de tubarão tem estado em nossa cultura há milhares de anos", disse ele. "Deveria haver uma maneira de encontrar um equilíbrio entre o meio ambiente e preservar a cultura e o patrimônio". 

A Califórnia tem sido um líder na conservação dos tubarões, promulgando a legislação de proteção dos tubarões brancos em 1997. Chris Lowe, especialista em tubarões e professor de biologia marinha na Universidade do Estado da Califórnia, em Long Beach, disse que as barbatanas não foram historicamente o único órgão em demanda em 1930. Lowe disse que o óleo de fígado de tubarão, rico em vitamina A também já foi importante culturalmente. 

Kinson K. Wong condutor de um restaurante em Chinatown defende a especiaria. Eliminar a sopa de barbatana de tubarão, segundo ele, custaria gorjetas aos garçons e o custo dos lucros do restaurante.

Jennifer Cheung, de 27 anos, que recusou o prato na festa de Ano Novo, acredita que o preço que se paga por esse tipo de comida é muito alto, realçando a importância do ecossistema.

Redação CicloVivo

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