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Plantio de mudas nativas ajuda a restaurar bacia do Rio Miringuava

Recuperação de áreas degradadas vai garantir segurança hídrica e melhorar qualidade de vida de agricultores

Published 27/04/2022
bacia do rio miringuava

Foto: Jorge Olavo

Mais de 1,4 mil mudas de mata nativa foram plantadas em uma propriedade rural em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), na primeira fase da restauração florestal na Bacia do Rio Miringuava, que faz parte do movimento Viva Água. O objetivo é conservar e recuperar áreas estratégicas da bacia, como nascentes, margens de rios e seus afluentes, para trazer segurança hídrica e amenizar impactos gerados por períodos de estiagem e chuva excessiva.

A restauração também deve aumentar a renda de agricultores familiares da região por meio da diversificação da produção, criação de novas oportunidades de negócios e aumento da produtividade nas propriedades. Até o final do ano, 10 hectares de áreas degradadas em pequenas propriedades rurais devem ser recuperados.

Foto: Divulgação

“A restauração da cobertura vegetal vai trazer inúmeros benefícios aos agricultores e a toda a comunidade. Um solo bem cuidado funciona como um filtro que reduz a quantidade de sedimentos que chega ao rio, deixando a água mais limpa e reduzindo assim os custos com o tratamento da água. O solo coberto com vegetação funciona como uma esponja, que absorve a água e libera aos poucos, o que garante a disponibilidade desse recurso por mais tempo para todos”, explica Guilherme Karam, gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, idealizadora do Movimento Viva Água.

O projeto-piloto, conduzido pela Iniciativa Verde e pela Sociedade Chauá, acontece na propriedade da agricultora Luciane Krupczak, na comunidade Avencal. A proposta é otimizar o uso da terra, integrando mata nativa com espécies que o produtor consiga comercializar.

Foto: Divulgação

“Fiquei esperançosa com a proposta de restauração. Nossa comunidade é formada por agricultores familiares e é muito bom saber que podemos melhorar a nossa renda e ainda contribuir com o meio ambiente”, afirma Luciana, que nasceu na região e vive há 27 anos na mesma propriedade.

Luciana cedeu pouco mais de um hectare de sua propriedade para o projeto de restauração. Nos quatro hectares restantes, ela se dedica à produção de hortaliças e milho, além de extrair uma pequena quantidade de mel. A integração entre agricultura e floresta deve inserir a erva-mate no terreno e, com o tempo, substituir o cultivo do milho por outras opções que possam manter ou até melhorar a renda. O incremento na produção de mel deve ser um dos benefícios econômicos no médio prazo.

“Foram escolhidas espécies nativas que florescem no inverno. Com isso, é possível beneficiar espécies de abelhas que enfrentam mais restrições de recursos no período mais frio do ano. Espécies como araçá-vermelho, ipê-amarelo, entre outras, serão utilizadas para ampliar o pasto apícola”, conta Karam, lembrando que a restauração promovida pelo Viva Água não tem custo aos produtores.

Além das mudas inseridas em áreas degradadas, o projeto contempla a inserção de espécies nativas para enriquecimento da biodiversidade em partes dos terrenos onde já existe vegetação e a integração da mata nativa com espécies de valor comercial, como a erva-mate.

Fotos: Divulgação

Em outra frente, o Viva Água está desenvolvendo um mecanismo de vendas de crédito de carbono com os clientes do Programa Carbon Free para a aquisição de novas mudas e a manutenção da assistência aos produtores. Estudos estão em desenvolvimento para a projeção do estoque de carbono que as áreas recuperadas serão capazes de gerar a cada ano.

Mudanças climáticas

De acordo com estudo da pesquisadora Gabriela Goudard, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), chuvas extremas são históricas e recorrentes na bacia hidrográfica do Alto Iguaçu, na qual o Miringuava se constitui como uma sub-bacia, com potencial de causar impactos em áreas mais vulneráveis.

Com as mudanças climáticas, a tendência é de que episódios de chuvas intensas e estiagens severas sejam cada vez mais frequentes na região. Vale lembrar que, em 2020 e 2021, a região da Grande Curitiba registrou a maior crise hídrica dos últimos 100 anos. Fortemente afetada, a região do Miringuava sofreu com a falta de água tanto para o abastecimento público, quanto para a irrigação das lavouras.

“Ter uma estratégia de gestão para esse recurso natural, vinculada à conservação de áreas naturais, não é apenas uma oportunidade, mas uma real necessidade para contribuir com a qualidade de vida da população e com o desenvolvimento econômico de toda a Grande Curitiba”, salienta Karam.

O gerente da Fundação Grupo Boticário ressalta ainda que o modelo de trabalho do Viva Água pode ser replicado em outras regiões do país. “Diversos estudos mostram a necessidade de recuperar a cobertura vegetal em áreas de manancial para garantir os recursos hídricos que tanto necessitamos. Portanto, diferentes regiões do Brasil precisam caminhar nessa direção”, analisa Karam.

Foto: Divulgação

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