PL que proíbe foie gras aguarda sanção de Lula
Após aprovação no Congresso, mobilização da sociedade civil pressiona decisão presidencial
Após aprovação no Congresso, mobilização da sociedade civil pressiona decisão presidencial
Organizações em prol dos animais estão se movimentando para que o presidente da república sancione o Projeto de Lei (PL) 90/2020, que proíbe nacionalmente a produção e a comercialização. O PL, que na prática proíbe o foie gras, já teve o texto aprovado no Congresso Nacional há dois meses e agora aguarda a sanção de Lula.
A prática da alimentação forçada é utilizada para hipertrofia do fígado de patos e gansos na fabricação do foie gras. A proposta define alimentação forçada como qualquer método mecânico ou manual que induza o animal a ingerir alimento acima de sua capacidade fisiológica natural.
Certos de que tal prática é incompatível com os padrões contemporâneos de bem-estar animal, organizações como Fórum de Proteção e Defesa Animal, Sinergia Animal Brasil e Associação Nacional de Advogados Animalistas (ANAA) estão entre as entidades que buscam a proibição da produção, comercialização, importação e distribuição de produtos alimentícios do tipo no país.
“A alimentação forçada causa sofrimento inegável e deve ser efetivamente proibida para garantir o bem-estar animal. Proteger os animais é um passo fundamental para construir uma sociedade mais ética e justa para todas as formas de vida”, afirma Cristina Diniz, diretora da Sinergia Animal Brasil.

Do outro lado, há a pressão de entidades como a CIFOG (Le Comité Interprofessionnel des Paespera de ser lmipèdes à Foie Gras) para barrar a medida. A organização, que representa a indústria francesa do foie gras, defende que a proibição do Brasil violaria compromissos comerciais internacionais, o que foi rebatido em nota pela Associação Nacional de Advogados Animalistas (ANAA), com o apoio de outras organizações da sociedade civil.
“A Constituição Federal proíbe práticas cruéis contra os animais, e nenhum interesse econômico estrangeiro pode se sobrepor a esse mandamento constitucional”, afirma Giseli Cheim, presidente da ANAA. “O Congresso Nacional já tomou sua decisão após anos de debate”, acrescenta.
O PL 90/2020 tramitou por seis anos e reuniu mais de 288 mil assinaturas até sua aprovação no Congresso. Se sancionada, a legislação colocará o Brasil ao lado de outras nações que passaram a restringir ou proibir práticas de alimentação forçada, tais como Reino Unido, Alemanha, Itália e Argentina.
A produção de foie gras é baseada na alimentação forçada de patos e gansos por meio da
introdução forçada de de grandes quantidades de alimentos, em um curto período, via tubo no esôfago das aves. O procedimento induz deliberadamente um quadro de esteatose hepática, provocando um aumento anormal do fígado, característica que dá origem ao produto. Ou seja, não se trata de um efeito colateral, e sim um sistema de produção cuja finalidade depende do adoecimento deliberado dos animais.

Além da alteração patológica provocada no órgão, as entidades em prol dos animais, a alimentação forçada causa intenso sofrimento físico, estresse, lesões no trato digestivo, dificuldades locomotoras, comprometimento do comportamento natural das aves e aumento das taxas de mortalidade.
“Não estamos falando de segurança alimentar. Não estamos falando de alimentação básica. Não estamos falando de uma tradição indispensável à sobrevivência de comunidades. Estamos falando de um produto de luxo cuja existência depende de uma prática que seria considerada inaceitável em praticamente qualquer outro contexto”, pontua a Sinergia Animal em nota à imprensa.