Uma nova espécie de planta foi encontrada no Parque Estadual do Cristalino e na RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) Cristalino, no Mato Grosso, foi descoberta na Amazônia. A Ichthyothere sasakiae foi descoberta por uma equipe de pesquisadores do Royal Botanic Gardens, Kew, liderada por William Milliken.

Também fizeram parte da pesquisa a Fundação Cristalino, nos municípios de Novo Mundo e Alta Floresta, no Mato Grosso. Dentre as 1.366 espécies florísticas já catalogadas nas intermediações do parque, essa é a quarta nova descoberta para a ciência – as outras são Sciadocephala gracieliae, Guarea zepivae e Passiflora cristalina – e uma quinta está sendo descrita.

A nova espécie foi nomeada sasakiae em homenagem à bióloga brasileira Denise Sasaki, a primeira a coletar o material usado para a descrição da espécie e então coordenadora do projeto. “Fiquei feliz de ver o meu nome associado à flora do Cristalino. Acredito ser uma forma de reconhecimento do nosso trabalho”, conta Denise.

O chefe da pesquisa Nicholas Hind conta como tomou a decisão do nome. “O gênero Ichthyothere não é muito grande, com aproximadamente 28 espécies na América do Sul e América Central, e cerca de 19 delas catalogadas no Brasil. Há uma boa mistura de como essas espécies foram nomeadas: algumas com nomes de pessoas, outras com características da planta e poucas com nomes de lugares. Nós decidimos homenagear nossa colega de equipe”.

A sasakiae foi descoberta como parte do projeto Flora Cristalino no Parque Estadual Cristalino, onde uma lista de espécies de plantas estava sendo compilada. Com 184.900 mil hectares de floresta amazônica preservada, a unidade de conservação foi criada em 2000/01 com a intenção de proteger animais, plantas, fontes de água, rios, cachoeiras, florestas e paisagens, bem como de permitir a possibilidade de ecoturismo, educação ambiental e pesquisa científica. Assim, era vital que se fizesse um inventário florístico e o mapeamento da biodiversidade do parque para o desenvolvimento de um plano de manejo apropriado.

Hind explica outro fato que dá significado à descoberta científica. Segundo ele, no parque um total de 1.366 espécies foram catalogadas e, especificamente entre áreas de floresta úmida da Amazônia, a família Compositae é pobremente representada – apenas 19 espécies foram registradas. “Encontrar uma segunda nova espécie dentro do parque foi uma descoberta incrível”, conta Hind. “Não tínhamos conhecimento prévio da existência da espécie. Ela apenas foi encontrada quando o material prensado e seco foi examinado já de volta ao Herbário do Royal Botanic Gardens, Kew”, conta.

As coletas da espécie foram feitas em maio de 2007 e janeiro de 2008 e o material foi primeiro examinado em Kew em 2009 junto com outras coleções do trabalho de campo no parque, porém sua descrição só foi publicada no Kew Bulletin em maio de 2014. “Muitos detalhes e processos técnicos envolvem uma descoberta científica dessa natureza”, explica o pesquisador. “É bastante significativo que mesmo em áreas onde grandes coleções botânicas têm sido catalogadas, novas espécies ainda possam ser descobertas”, finaliza Hind. “Esperamos continuar as pesquisas nessa importante região”.

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.