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Além de abrigar boa parte da mata atlântica ainda preservada, a cidade de Cananeia, no litoral sul de São Paulo, possui um dos mais complexos ecossistemas marinhos do Brasil – o Estuário do Lagamar, onde vivem os botos-cinza.

Localizado na região costeira que se estende de Iguape até Paranaguá, é possível encontrar diversas espécies que se desenvolvem no Lagamar. A mais encantadora delas, sem dúvida, é o boto-cinza. O cetáceo, também chamado de Boto Sotália, é encontrado por toda a costa que se estende desde a América Central até Santa Catarina, no sul do Brasil. No entanto, o Estuário é o ambiente mais propício para o desenvolvimento do boto, uma vez que, livre de predadores, o animal passa a assumir o topo da cadeia alimentar da região, baseando sua dieta em peixes, lulas e camarões.

Mesmo protegidos da ação dos predadores naturais – como as baleias e tubarões, – os botos-cinza que vivem na zona costeira estão expostos às ameaças do homem: por estarem localizados próximos às margens do litoral, os cetáceos são mais sensíveis à poluição das praias e sofrem com as capturas acidentais nas redes de pesca. Além disso, as embarcações podem acabar colidindo com os bichos ou dificultando a comunicação entre eles, que se confundem com os ruídos dos barcos.

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Ecoturismo

De acordo com Letícia Quito, uma das coordenadoras do Projeto Boto-Cinza, a atividade turística em larga escala pode acabar prejudicando os cetáceos do estuário. “Os botos do Estuário se sentem ameaçados com a presença de muitas pessoas em seu habitat natural. Bem diferente dos golfinhos encontrados em Fernando de Noronha, aqui no Lagamar as espécies são mais tranquilas, e quase nunca realizam saltos”, explica a bióloga. Na região, também vivem a tartaruga-verde e o jacaré-de-papo-amarelo, além de diversas espécies de aves raras, como o guará.

Para minimizar o impacto causado pela navegação turística na área do Estuário, o Projeto Boto-Cinza desenvolveu o Selo Boto Amigo, um comprovante para os barqueiros que assistiram às oficinas gratuitas sobre conscientização ambiental. Porém, segundo o Instituto, o maior problema são as embarcações particulares – como iates, lanchas e Jet skis.

Quanto vale um boto?

Um estudo desenvolvido pelo Projeto Boto-Cinza estima que o valor financeiro de cada boto supere um milhão de reais por ano, já que a observação destes animais agrega diversos custos aos turistas. O projeto, mantido pelo IPeC, também permite que os visitantes adotem os golfinhos do Lagamar, tornando-os parceiros do programa de conservação do Estuário. 

Por Gabriel Felix – Redação CicloVivo

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