A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, informou que a limpeza da Baía de Guanabara é um “trabalho estratégico na agenda ambiental do Brasil”. Em seu discurso, no Rio de Janeiro, ela ressaltou, no entanto, que isso não acontecerá “da noite para o dia”.

A baía vem sofrendo impactos bastante expressivos, disse a ministra, particularmente nos últimos 80/100 anos, com o "adensamento da população, o processo de industrialização e a ocupação da chamada bacia contribuinte da Baía de Guanabara”.  Por isso, disse que é preciso ter uma visão estratégica de recuperação, que tem de ser pactuada com a sociedade – como tem ocorrido em todo o mundo -, acompanhada por processos de fiscalização e monitoramento.

“Nós, do Ministério do Meio Ambiente, temos defendido uma discussão mais ampliada sobre a recuperação dos grandes passivos ambientais em relação à poluição”. A ministra acredita que, sob a gestão do secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, o tema terá prioridade dentro de um trabalho que deve ser feito em parceria com  a população.

A ministra salientou que a consequência da relação íntima da qualidade de vida no estado com o meio ambiente é a integração das várias camadas da sociedade com um ambiente “que tem que ser limpo. Qualidade de vida é também qualidade ambiental”. Ela afiançou que o ministério vai trabalhar de maneira articulada com os governos fluminense e do município do Rio de Janeiro para avançar nessa pauta.

Segundo ela, a despoluição da baía passa pela resolução do problema de saneamento básico, melhorando também a relação dos municípios situados no entorno da baía. O fato de os Jogos Olímpicos ocorrerem na capital fluminense, em 2016, é uma motivação estratégica, de natureza política, para que o país “assuma uma postura de limpar a Baía de Guanabara, pactuando com a sociedade como isso vai acontecer”.

Izabella acredita que é factível cumprir a meta do governo do estado, de entregar 80% da Baía de Guanabara despoluída até as Olimpíadas. “Do ponto de vista do espelho d'água, tem soluções para isso. Agora, limpar a baía toda, como foi feito no [Rio] Tâmisa, na Inglaterra, ou mesmo no Lago Paranoá, em Brasília, que tem tratamento terciário de esgoto, leva tempo. Nós temos que considerar tudo que foi feito e discutir o que significa essa limpeza efetiva nos próximos anos”. A ministra insistiu que as Olimpíadas devem ser aproveitadas para consolidar um modelo em que a sociedade estará engajada no debate, monitorando os resultados obtidos.

Por Alana Gandra – Agência Brasil

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.