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Há um mês o Paquistão vem sofrendo com uma das piores catástrofes naturais de sua história. Chuvas fortes inundaram o país e a população tem sofrido com epidemias e desabrigo. Enquanto isso, membros da Organização das Nações Unidas (ONU) criticaram a falta de solidariedade do resto mundo em relação ao país oriental.

As águas do rio Indus, assim como seus diversos influentes, subiram por causa das fortes chuvas que têm assolado o país no último mês. Ainda há o temor de que o rio, que está em seu nível mais alto desde os últimos 50 anos, suba ainda mais.

Andrej Mahecic, da agência da ONU para refugiados informou que cerca de 80% da cidade de Jacobabad, na província de Sindh, está sob até 1,5 metro de água. Segundo ele, a inundação agora se dirige para o sul, no sentido da província do Baluchistão.

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As inundações, que já cobrem um quinto do país, mataram pelo menos 1.500 paquistaneses e afetaram mais de 20 milhões de pessoas. Além disso, ao menos seis milhões de paquistaneses estão desabrigados.

Há dois dias, a cidade de Shahdadkot, com 100.000 habitantes e várias aldeias do vale do rio Indus foram evacuadas pelo exército, enquanto os socorristas abandonaram a zona por seus próprios meios.

As epidemias também preocupam muito as autoridades. Diversas equipes médicas nas áreas afetadas relatam a dificuldade de lidar com casos crescentes de diarréia, suspeitas de cólera e desidratação.

Em pleno Ramadã, um dos meses mais importantes da religião mulçumana, milhões de paquistaneses sobrevivem em acampamentos administrados por autoridades da ONU ou por ONGs. No entanto, a maioria não tem um teto onde dormir ou permanece em abrigos precários, sem alimentos, água potável ou remédios.

Falta de ajuda  

A ONU avaliou a catástrofe como um dos piores acidentes naturais da última década. O órgão havia solicitado que o mundo se solidarizasse e contribuísse com as vítimas paquistanesas.

Até agora, foram arrecadados apenas 70% dos US$ 460 milhões que haviam sido solicitados. Porém, a ONU segue fazendo mais pedidos e diz que a comunidade internacional precisa tomar mais atitudes para auxiliar as vítimas das enchentes.

Às vésperas da reunião entre representantes do governo do Paquistão e do Fundo Monetário Internacional (FMI), o diretor de operações da Unicef, Louis-George Arsenault, classificou a falta de ajuda humanitária como “extraordinário”, dadas as necessidades da população paquistanesa.

"Agora, o nível de necessidades em termos financeiros é enorme comparado ao que recebemos, mesmo que essa seja, de longe, a maior crise humanitária que vimos em décadas", disse Arsenault.

Seguir adiante

As autoridades locais dizem que as inundações já destruíram mais de 1,7 milhões de hectares, o que deverá afetar a produção agrícola e o setor econômico do país. Segundo o assessor do Ministério das Finanças, Sakib Sherani, o país provavelmente não deverá atingir sua meta de crescimento, que era de 4,5%. Segundo Sherani, o crescimento econômico do país deverá ficar entre 0% e 2%. Além disso, a inflação no país pode chegar a 25%, bem mais do que os 9,5% que eram a meta de 2010 e 2011.

Na última segunda-feira (23), o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, disse acreditar que o país nunca conseguirá se recuperar totalmente das inundações, mas, ainda assim é preciso "seguir adiante". Segundo ele, os esforços de ajuda e reconstrução podem levar pelo menos três anos.

Com informações do Globo, do Estadão e da Agência AFP

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