Os atropelamentos de animais silvestres nas estradas e rodovias do Mato Grosso do Sul estão fazendo uma grande quantidade de vítimas. Um estudo publicado na revista Ciência Pantanal, editada pela ong WCS Brasil (Wildlife Conservation Society Brasil ou Associação Conservação da Vida Silvestre, em português), alerta para necessidade de instalar ou melhorar as passagens de fauna nas rodovias para que os animais possam atravessar as vias com segurança e sugere providências para reduzir as estatísticas de atropelamento desses animais.

O artigo, intitulado “Atenção! Bichos na pista!”, mostrou que muitos mamíferos de médio e grande porte têm morrido em decorrência dessas colisões com veículos. De acordo com o estudo, nada menos que 1.152 animais morreram atropelados em apenas três trechos de duas rodovias (cerca de 23 mil quilômetros) do Mato Grosso do Sul, entre 2013 e 2014. Lobinho (ou cachorro-do-mato), tatu-peba, tamanduá-bandeira e anta brasileira foram destaques dos registros de acidentes.

No começo de 2017, foi iniciado o projeto Bandeiras e Rodovias, para desenvolver estratégias de manejo das paisagens e rodovias para a prevenção de acidentes e, consequentemente, evitar a extinção local dos tamanduás. Para isso, o programa vai quantificar os impactos das rodovias e analisar suas consequências para a saúde dos tamanduás-bandeiras, terceira espécie mais atropelada na região.

Outro projeto, desenvolvido de março de 2014 e até janeiro de 2017, trabalhou com o monitoramento das antas-brasileiras. O programa encontrou 152 carcaças de antas nas rodovias da região.

Antropelamento de antas é muita recorrente. | Foto: Patricia Medici

Para reduzir esses atropelamentos de animais silvestres ao atravessar vias expressas e o risco de perdas humanas em colisões, pesquisadores propõem algumas medidas. “Instalar ou melhorar passagens de fauna já existentes nas junções de matas e rodovias, por exemplo, é uma medida com potencial para diminuir o número de fatalidades, pois tais locais são preferidos pelos animais para cruzar as rodovias. A associação das passagens com cercas é imprescindível”, afirmam os pesquisadores. O estudo é de autoria de Arnaud Leonard Jean Desbiez (Royal Zoological Society of Scotland e Instituto de Conservação Animais Silvestres) e Emília Patrícia Medici (Instituto de Pesquisas Ecológicas e Instituto Nacional para Conservação da Anta Brasileira).

Reduzir a velocidade nos trechos de travessia, melhorar a sinalização e promover a educação ambiental no estado do Mato Grosso do Sul também são ações recomendadas.