queimadas na amazônia
Foto: Ascom CBPA

Um novo estudo publicado pela Environment: Science and Policy for Sustainable Development traz uma previsão alarmante para o futuro da Floresta Amazônica: a maior floresta tropical do mundo vai entrar em colapso e se tornar uma planície seca coberta de arbustos em 2064.

De acordo com o autor do estudo, Robert Toovey Walker, geólogo da Universidade da Flórida, as causas desta tragédia ambiental são o desmatamento, as mudanças climáticas e o desenvolvimento desordenado.  

Em seu estudo, Walker usou pesquisas recentes que mostram que o desenvolvimento e a exploração econômica, vem devastando a floresta e ameaçando levar todo o ecossistema ao ponto da destruição sem volta.

Foto: Christian Braga | Greenpeace

A Floresta tropical, em seu estado natural, produz a própria chuva por meio das copas das árvores. O ambiente e seus habitantes têm acesso à água necessária para sua sobrevivência. Este ecossistema pode se recuperar de pequenos períodos de seca, mas os eventos climáticos que atingem a região estão se tornando cada vez mais longos e severos e minando a resiliência da floresta, sua capacidade de sobreviver a longo prazo, como mostra relatório da Interesting Engineering.

Os períodos mais longos de seca, que a Floresta já está atravessando, são agravados pelo desmatamento e pelas mudanças climáticas. Com isso, as copas das árvores não conseguem se recuperar das queimadas que também se tornam cada vez mais constantes. A vegetação mais seca e inflamável vai tomando conta da paisagem; a floresta tropical se tornando cada vez mais seca e até que vai se transformar em uma savana tropical, de acordo com o estudo.

Alarme antigo

“A Floresta é incapaz de resistir se a copa das suas árvores precisarem de mais de 4 anos para se recuperarem de uma seca anual”, Walker escreveu no relatório. “A parte sul da Amazônia pode chegar ao ponto de não retorno antes mesmo de 2064, se as secas seguirem nas taxas atuais.”

Um outro estudo havia apontado o colapso da Floresta Amazônica em menos de 50 anos, graças ao desmatamento. Mas, de acordo com as últimas análises, publicadas por Walker, este período diminuiu em 5 anos e é já possível apontar a data específica para o colapso do ecossistema de uma maneira que nunca havia sido possível até então, mas com pelos mesmos motivos citados em pesquisas anteriores.

Queimadas, desmatamento e extração de madeira são as três principais causas de perda de árvores na floresta. Pecuária e produção de soja em escalas industriais também entram neste cálculo. Completa o cenário de destruição o garimpo ilegal que devasta a floresta e polui os rios.  

Boiada

O atual governo é acusado de abrir a floresta para exploração e incitar o desmatamento. No governo Bolsonaro, as taxas de desmatamento atingiram recordes históricos. Até a pandemia foi usada como cortina de fumaça para o desmonte ambiental em curso no país, com a famosa citação do Ministro do Meio Ambiente de que era preciso aproveitar o momento em que as atenções estavam voltadas ao controle do novo coronavírus para “passar a boiada”.

ricardo sales afastamento
Foto: Lula Marques

Walker também critica o governo brasileiro por “aparentemente ter a intenção de eliminar todas as restrições para a livre exploração dos recursos naturais da Floresta Amazônica.”

De acordo com seu relatório, Walker estima que a Amazônia perdeu 20% de seu território para a atividade humana e que os períodos de seca já estão mais longos na região sul aumentando 6,5 dias a cada década.

O modelo estatístico do estudo da Science Alert prevê que com o desmatamento da região sul entre 30 e 50%, a precipitação de chuvas vai cair em 40% na parte oeste, consolidando a destruição do ecossistema atual que vai passar de uma floresta tropical para uma savana aberta.

“A melhor maneira de entendermos o ecossistema amazônico é compará-lo com uma bomba”, explica Walker “A floresta recicla sua umidade, o que garante o ciclo de chuvas. Se você desmata a floresta, o ciclo de chuvas diminui… e você acaba destruindo a bomba.”

Savana na África. Foto: Pixabay

Catástrofe multidimensional

Uma vez que a floresta se transforme em uma savana, todos os seus serviços ambientais e benefícios ecológicos também irão desaparecer e isso será uma catástrofe multidimensional, de acordo com Walker.

O primeiro impacto seria na segurança hídrica de mais de 35 milhões de pessoas que vivem na região. Todo o continente depende da Floresta Amazônica para o fornecimento de água.

“A magnitude da catástrofe vai ser muito pior do que era imaginada.”

Robert Toovey Walker

Além disso, acontecerá a extinção em massa de espécies de fauna e flora. Entre estas espécies podem estar novas descobertas de curas para a medicina e importantes fontes de alimento, por exemplo. A madeira e outros recursos preciosos também serão extintos.

Finalmente, de acordo com o estudo, a floresta perderia a sua capacidade de armazenar carbono. Isso seria ainda mais grave uma vez que esta função é fundamental para o controle da temperatura e do clima do planeta. Alguns cientistas acreditam que a floresta pode passar de uma reserva para uma fonte de carbono por volta de 2035.

Walker conclui seu estudo afirmando que é muito difícil que a Floresta Amazônica mantenha a sua resiliência no futuro com todas as ameaças à sua sobrevivência.

Foto: Ria Sopala / Pixaba