O secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, fala sobre o fenômeno: “existe uma conexão entre esse desequilíbrio, o excesso de umidade, no norte do país e a falta de circulação da umidade para o sudeste, agravando a situação de abastecimento de água. É uma situação que reflete, de uma certa forma, o desequilíbrio que viemos observando no mundo inteiro e em várias regiões brasileira, o clima se comportando de uma maneira diferente do que a usual e provocando em determinadas regiões, impactos como secas e estiagens, e em outras regiões, excesso de chuvas, tempestades, inundações, o que provoca transtorno de muitas pessoas”.

Segundo Carlos Rittl, a umidade que circula sobre a Amazônia, recebe primeiro o vapor de água que vem dos oceanos e se soma a umidade que é circulada pela própria floresta Amazônica, junto com os ventos que circulam na Amazônia, que vem do oceano em direção a oeste e ao chegar na barreira da Cordilheiras do Andes, esses ventos acabam fazendo com que a circulação de umidade, venha do Norte para o Sul, entretanto nos últimos anos, uma massa de calor, sobre o centro-sul do país, impediu que essa umidade circulasse normalmente e ficando presa na região norte.

“Essa massa de ar seco e quente, transformou-se numa barreira para a circulação dessa umidade, na intensidade em que usualmente acontece, ou seja, uma boa parte dessa umidade ficou presa na Amazônia e isso acabou provocando o excesso de chuva e a falta de umidade em outras regiões”, explicou Carlos Rittl.

Há muitas perdas na distribuição de água, a partir da captação dela, atingindo de 30% a 40%, se perdendo ao longo do caminho.

A questão climática só agrava o mau uso dos recursos: “alguns estudos, como o da SOS Mata Atlântica, indicam que em algumas bacias, já se houve mais de 70% de desmatamento, e florestas no entorno de rios e de reservatórios é importante para a qualidade e quantidade de água e a questão climática só agrava o mau uso dos recursos”, alerta o Secretário Executivo do Observatório do Clima.

De acordo com Carlos Rittl, a solução para o problema é a preservação ambiental, garantindo um clima ameno e assegurando o abastecimento de água: “é fundamental que se pare os desmatamentos em regiões de mata atlântica e recuperar as áreas que são importantes”.

A entrevista na íntegra você confere aqui.