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mata atlântica hantavírus
Foto: Eduardo Cesar

Os dados mais recentes do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica indicam uma redução significativa de 55% no desmatamento do bioma nos primeiros seis meses de 2024 em comparação ao mesmo período do ano anterior. Entre janeiro e junho, foram desmatados 21.401 hectares, contra 47.896 em 2023.

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Nas áreas de encraves – fragmentos de vegetação nativa da Mata Atlântica localizados em limites com outros biomas como Cerrado, Caatinga e Pantanal, onde o desmatamento chamou atenção ao longo de 2023 –, a redução chegou a 58%.

floresta da tijuca
Vista da Mata Atlântica na Floresta da Tijuca. | Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

A queda expressiva se deve, em grande parte, ao fortalecimento da fiscalização, ao corte de crédito para desmatadores ilegais e ao uso de embargos remotos (restrições aplicadas a áreas desmatadas detectadas por monitoramento à distância, impedindo seu uso comercial). Ainda assim, o impacto do desmatamento permanece alarmante e inaceitável, especialmente num bioma tão devastado e ameaçado quanto a Mata Atlântica: a área destruída em seis meses equivale a cerca de 20 mil campos de futebol.

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Hoje, segundo o MapBiomas, restam 24% da cobertura florestal original da Mata Atlântica. Além dessa proporção estar muito abaixo do limite mínimo aceitável para sua conservação, que é, segundo estudo publicado na revista Science, de 30%, as florestas naturais encontram-se restritas a espaços extremamente fragmentados (a maior parte não chega a 50 hectares) e, em 80% dos casos, estão em propriedades privadas.

Mata Atlântica
Foto: Du Zuppani

“O mapeamento do MapBiomas indica que atualmente o processo de regeneração da vegetação é maior que o desmatamento, o que é uma ótima notícia. No entanto, o desmatamento continua ocorrendo sobre florestas maduras, mais antigas, que contêm maior riqueza de espécies da flora e da fauna”, afirma Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas.

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Vigilância e ação

Diretor executivo da SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto considera os novos dados um alívio temporário, ressaltando a necessidade contínua de vigilância e ação. “A Mata Atlântica ainda está vulnerável e precisamos intensificar nossos esforços, principalmente no que se refere à fiscalização, para garantir a integridade da vegetação nativa do bioma”, explica.

Ele lembra ainda que a proteção e o recuperação da Mata Atlântica, apontada pela ONU (Organização das Nações Unidas) como uma da 10 Iniciativas de Referência da Década da Restauração de Ecossistemas, são fundamentais para a garantia de serviços ecossistêmicos – como água, alimentos, saúde e bem-estar nas cidades – em uma região que abriga 70% da população brasileira e responde por 80% da economia nacional.

patrimônios ambientais
O Parque Estadual Jaraguá abriga um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica da Região Metropolitana de São Paulo. | Foto: Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente

Para o Brasil cumprir os compromissos firmados no Acordo de Paris, devemos alcançar o desmatamento zero em todos os biomas até 2030. A Mata Atlântica tem o potencial de ser o primeiro bioma brasileiro a fazer isso, com a chance de se tornar uma referência para o país e para o mundo no combate às crises ambientais e climáticas”, completa.

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Mas a impunidade diante dos crimes ambientais ainda é um enorme obstáculo para que essas metas sejam atingidas. “As respostas das autoridades têm sido insuficientes, como vimos com relação às queimadas criminosas que este ano atingiram níveis assustadores. A falta de justiça quase uma década depois do dano ambiental decorrente do rompimento da barragem de minério em Mariana, Minas Gerais, é outro exemplo dessa negligência institucional, que perpetua uma sensação de insegurança e compromete a confiança na capacidade do sistema em proteger o meio ambiente”, afirma Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica.

mata atlântica
Foto: Adriano Gambarini | WWF-Brasil

Ela ressalta que os resultados tímidos da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 16), realizada em Cali, Colômbia, exigem a necessidade de maior pressão social para que compromissos ambientais avancem de maneira concreta. Um exemplo é a lei anti desmatamento da União Europeia, que restringe a importação de produtos de áreas desmatadas – cuja implementação foi adiada a pedido de países afetados, inclusive o Brasil, que, dessa forma, se coloca na contramão de seus próprios esforços no combate à degradação ambiental.

“Diante desse cenário, a sociedade civil desempenha um papel central ao cobrar políticas ambientais mais robustas e alinhadas aos compromissos internacionais, especialmente no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 29). É um momento decisivo para garantir que os países, entre eles o Brasil, avancem na transição energética, no financiamento climático e no combate ao desmatamento”, conclui.

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Museu da Energia de Salesópolis
Trilha da Figueira. Foto: Divulgação

O SAD Mata Atlântica utiliza uma classificação automática de indícios de desmatamento baseado na comparação entre imagens de satélite Sentinel 2 (dez metros de resolução). Os focos de potencial desmatamento são enviados para o MapBiomas Alerta e então validados, refinados e auditados individualmente em imagens de alta resolução. Cada desmatamento confirmado é cruzado com informações públicas, incluindo as propriedades do Cadastro Ambiental Rural (CAR), embargos e autorizações de desmatamento do SINAFLOR/IBAMA, para disponibilização em uma plataforma única, aberta e transparente que monitora todo território brasileiro.

O SAD Mata Atlântica é resultado de uma parceria entre a Fundação SOS Mata Atlântica, a Arcplan e o MapBiomas, com patrocínio de Bradesco e Fundação Hempel.

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