O governo chinês anunciou no dia 29 de outubro que permitirá, de forma limitada, a retomada de venda de chifres de rinoceronte e ossos de tigre. Esses materiais são utilizados em pesquisas medicinais, apesar de não haver nenhuma confirmação científica de valor medicinal para humanos.

A declaração diz que o comércio dos produtos será permitida somente em circunstâncias autorizadas, que envolvem pesquisas científicas, obras de arte e pesquisas de tratamentos médicos.

Ainda de acordo com a declaração, os espécimes legais só poderão ser adquiridos em fazendas. Mas a decisão preocupa os conservacionistas que temem que traficantes se aproveitem desta oportunidade para comercializar animais ilegais, já que não é fácil de certificar a proveniência dos animais.

Nos últimos anos, a China tinha se comprometido a combater a caça ilegal e a decisão do último mês vai contra a proibição total de comércio estabelecida no país em 1993. Diversas organizações se pronunciaram e pediram que o governo voltasse atrás na revogação da proibição. “A retomada do comércio legal poderá não apenas servir para encobrir o tráfico clandestino, mas também para estimular uma demanda que havia baixado quando a proibição entrou em vigor”, disse Margaret Kinnaird, diretora de biodiversidade do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

Ameaça de extinção

Tanto tigres quanto rinocerontes são animais na lista de espécies ameaçadas de extinção e o comércio de ambos é proibido. Apesar disso, a China tem uma grande demanda de produtos derivados de tigres, como ossos, bigodes, garras e outros. Estima-se que o número de tigres criados em cativeiro no país seja o dobro da quantidade que está em liberdade na natureza. Em números são seis mil tigres cativos, enquanto existem pouco mais de três mil em liberdade em todo o mundo.

Os oficiais chineses não responderam aos pedidos de comentários feitos quando a decisão do governo foi anunciada, mas grupos de ambientalistas especulam que a revogação tenha sido feita devido ao grande número de fazendas de criação de tigres e pelas tentativas de criação de rinocerontes em cativeiro. “Faz muito tempo que estamos preocupados com as fazendas de tigres na China e o número crescente de fazendas de criação no país”, Leigh Henry, diretora da política de vida selvagem da WWF, disse à National Geographic.

“É incrivelmente caro alimentar e cuidar de tigres em cativeiro, então, à medida que esses números aumentaram, também aumentou a pressão sobre o governo chinês para permitir o comércio regulamentado de produtos derivados de tigres. A decisão da China é algo que muitos de nós temíamos há mais de uma década”, completou Henry.