brumadinho barragem
Foto: Vinicius Mendonça/Ibama
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Na última terça-feira (25), o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, na cidade de Brumadinho (MG), completou três anos. Ao todo, foram 264 pessoas mortas em decorrência do rompimento da barragem, sendo que seis vítimas ainda continuam desaparecidas. Ainda assim, são 36 meses de um crime ambiental que ainda segue impune.

Até agora, ninguém da empresa Vale, responsável pelo rompimento, foi julgado.

A barragem rompida apresentava um volume de 11,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Essa grande quantidade de rejeitos, somados à velocidade em que foram liberados, destruiu grande parte da vegetação e da fauna locais.

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Segundo dados do Ibama, houve a perda de cerca de 134 hectares de florestas nativas de Mata Atlântica. Isso equivalente a 153 campos de futebol e 70,65 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP) ao longo de cursos d’água afetados pelos rejeitos de mineração.

Nos mais de 300 km do Rio Paraopeba analisados pela SOS Mata Atlântica (desde a região de Córrego do Feijão até o reservatório de Retiro Baixo, em Felixlândia), a água estava imprópria, sem condições de uso. A organização também verificou que os rejeitos contaminaram até o Rio São Francisco, um dos mais importantes do Brasil.

brumadinho
Foto: Ricardo Stuckert

No que diz respeito às áreas urbanas, ao menos 17 municípios no entorno do Rio Paraopeba foram afetados, atingindo cerca de 600 mil pessoas.

Os povos originários da região também foram impactados. Na aldeia Naô Xohã, que conta com indígenas das etnias pataxó e pataxó hã-hã-hãe, enquanto alguns permanecem no território, outros se deslocaram para os centros urbanos em razão do risco de contaminação.

Entretanto, há ainda dezenas de indígenas que lutam para serem reconhecidos como atingidos e que exigem que a Vale S/A pague os valores emergenciais, além de garantir a realocação das famílias para um novo território.

Confira especial completo do Greenpeace Brasil sobre o caso Brumadinho aqui

Um dia depois do rompimento da barragem, o Greenpeace Brasil esteve em Brumadinho documentando o crime ambiental e cobrando justiça.

“O que aconteceu em Brumadinho não foi um desastre ambiental de proporção local, foi um crime ambiental de alcance global, que afetam famílias, comunidades locais que sequer são consultadas no momento de implementação de uma barragem”

Pamela Gopi, porta-voz do Greenpeace

Pamela Gopi, porta-voz do Greenpeace Brasil ressalta que desde o primeiro momento, a ONG esteve presente no local e segue “cobrando ações efetivas do poder público para que crimes como estes não se repitam em nossa história”.

Outros “Brumadinhos” podem acontecer 

A degradação do meio ambiente tem intensificado a ocorrência de eventos extremos como fortes chuvas, temperaturas altas, estiagens e secas que vêm ocasionando enchentes, deslizamentos de terras e tragédias como o rompimento de barragens. Tudo reflexo das mudanças climáticas.

Estados como Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Tocantins, Goiás, Piauí, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina são exemplos de regiões que atualmente estão sentindo de maneira intensa os efeitos da crise climática.

Apesar disso, a maioria dos estados brasileiros não estão preparados para lidar com a crise: atualmente, somente sete unidades da federação (PE, MG, SP, AC,TO, RS e GO) possuem um plano de adaptação climática e, mesmo nesses casos, faltam ações efetivas. 

brumadinho rio Paraopeba
Rio Paraopeba. Foto: Lucas Hallel ASCOM | FUNAI

“É urgente que os governantes, principalmente na esfera estadual, elaborem estratégias e planos de ações que proporcionem a mitigação das consequências das mudanças climáticas, zelando pela vida de suas populações. Os planos de adaptação climática e mapeamento de áreas de risco, além de orçamentos destinados a perdas e danos, e materiais para populações vulneráveis são apenas alguns exemplos de ações que devem ser priorizadas pelos governos diante da emergência climática”, finaliza Pamela Gopi.

Atingidos clamam por Memória

Desde o último dia 22, seguindo até o dia 27 de janeiro, está acontecendo a III Romaria pela Ecologia Integral. Com o lema Memória e Justiça, o evento é realizado pela Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário (RENSER), da Arquidiocese de Belo Horizonte, junto às pastorais e movimentos sociais, Assessorias Técnicas Independentes, ONG’s, entidades da sociedade civil organizada. E lógico, com a participação fundamental de atingidos e atingidas pelo rompimento da barragem de Brumadinho.

Neste momento, Brumadinho vive novo drama após as intensas chuvas do início do ano elevarem o nível do rio Paraopeba. Pior que isso: com as enchentes, os rejeitos da mineração voltaram à superfície.

“A culpa da enchente não é da chuva: a emergência climática é devido à destruição irracional da natureza, à mineração, ao desmatamento, à poluição e à falta de políticas públicas adequadas de uso e ocupação do território”

Cimi (Conselho Indigenista Missionário)

A Romaria é concebida dentro do conceito da Ecologia Integral, norteado pela Encíclica “Laudato Si – Louvado Seja – o cuidado com a Casa Comum”, escrita pelo Papa Francisco.

Foto: Cimi | Divulgação

O evento termina nesta quinta-feira (27) às 13h com uma live internacional sobre Leis de Devida Diligência na Europa em parceria com o Centro Europeu pelos Direitos Humanos e Constitucionais (ECCHR), CIDSE, DKA Áustria, Cáritas Brasileira e Misereor. Acompanhe de onde estiver pelo canal de YouTube da RENSER.

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