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Guterres propõe 7 passos para enfrentar as “duas crises” globais

Chefe da ONU alerta sobre a dependência dos fósseis e sugere medidas urgentes para enfrentar a crise climática e a crise energética

mundo pós covid
Foto: Oimheidi | Pixabay

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou um forte apelo à ação climática durante a Semana de Ação Climática em Londres (London Climate Action Week), ao afirmar que o mundo enfrenta simultaneamente duas grandes crises interligadas: a crise climática e a crise energética. No seu discurso, sublinhou que ambas resultam de um mesmo fator – a dependência dos combustíveis fósseis – e exigem uma resposta comum, centrada numa transição rápida e justa para energias limpas.

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Para romper em definitivo com o que considera “modelo falido” e garantir a segurança energética global, o chefe da ONU apresentou sete medidas essenciais para enfrentar as crises.

Como primeiro passo, ele sugeriu limitar o aquecimento ao nível de 1,5°C e combater o metano, com foco na redução drástica de resíduos, na modernização da agricultura e na eliminação total de vazamentos na indústria de petróleo e gás.

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A segunda medida é que seja rompida a dependência e modernizada a infraestrutura taxando “lucros enormes das empresas petrolíferas” e direcionando esses recursos para apoiar famílias vulneráveis. Além disso, ele pediu uma reforma às redes de transmissão elétrica para serem tratadas como infraestrutura estratégica, com reformas regulatórias e licenciamentos que apoiem a era da eletrificação.

biometano no Parana
Uso de biometano no Paraná. | Foto: Maurílio Cheli | Sanepar

Como terceiro ponto, o secretário-geral pediu que seja confrontada a pegada ecológica da inteligência artificial cujas instalações podem consumir mais eletricidade do que a maioria das nações e gastar água suficiente para abastecer 1,3 bilhão de residentes da África Subsaariana por um ano até 2030. Tudo isso para resfriar seus servidores.

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Como quarto passo, António Guterres menciona a garantia de uma transição justa e coerente pela criação de um espaço prático e unificado entre produtores, consumidores, indústrias e trabalhadores para alinhar as metas de corte de combustíveis fósseis com a segurança econômica regional.

A quinta medida é proteger comunidades com adaptação imediata. Esse passo requer estabilidade e segurança e os países precisam integrar a resiliência climática em seus planejamentos nacionais, criar sistemas de seguros eficazes e implementar alertas precoces de desastres para todos em cumprimento ao compromisso de duplicar, e futuramente triplicar, o financiamento para a adaptação.

Como sexta etapa, a proposta é transformar o atual sistema financeiro global para que países ricos cumpram a promessa de entregar os US$ 300 bilhões acordados e traçar um caminho claro para mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035.

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Para o chefe da ONU, os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, que viram sua capacidade de empréstimo subir entre US$ 600 bilhões e US$ 800 bilhões, devem usar esse capital de forma agressiva. Os fundos de longo prazo chegariam a 50 anos e as garantias públicas atrairiam o investimento privado em mercados emergentes.

Como sétimo estágio, Guterres propõe a defesa da ciência e da integridade da informação. Ele explicou que a desinformação adia as ações climáticas e é usada de forma deliberada para proteger interesses financeiros estabelecidos.

energia renovavel
Foto: Pixabay

A ONU lidera a Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Mudanças Climáticas em favor da independência científica, dos jornalistas ambientais e do acesso irrestrito da sociedade civil a dados fiáveis e evidenciados.

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Discurso em Londres

Em seu discurso emblemático, Guterres alertou para o agravamento da crise climática, destacando que os últimos onze anos foram os mais quentes já registrados e que fenômenos climáticos extremos estão tornando-se mais frequentes e destrutivos. Segundo o secretário-geral da ONU, o fenômeno El Niño poderá intensificar o aquecimento global, colocando em risco a meta do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura a 1,5 °C.

Entre as consequências mais preocupantes, apontou o colapso dos recifes de coral, o acelerado degelo das regiões polares, a subida do nível do mar, possíveis alterações na Amazônia e mudanças nos sistemas oceânicos. Guterres também destacou a crise energética, agravada por tensões geopolíticas no Médio Oriente, que tem provocado impactos econômicos globais, especialmente nos países em desenvolvimento.

António Guterres ONU
António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas. Foto: © ONU | Evan Schneider

Guterres ainda ressaltou que os gigantes dos combustíveis fósseis lucram com a dor coletiva. Um dos exemplos são as oito maiores empresas do setor petrolífero que registraram um lucro extra de US$ 6,5 bilhões apenas no primeiro trimestre deste ano.

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Outro ponto alto do pronunciamento foi a abordagem sobre o custo oculto da Inteligência Artificial. Pela primeira vez, o secretário-geral cobrou ação imediata das gigantes de tecnologia. Até 2030, as operações de IA vão consumir mais eletricidade do que a maioria das nações.

A capital britânica é, no momento, o centro das decisões globais com mais de 750 debates envolvendo participantes das áreas política, financeira e ONGs. A Semana de Ação Climática em Londres segue até 28 de junho.

Confira o discurso aqui.

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