Uma minicentral termoelétrica de biogás com 480 kW de potência instalada, inaugurada nesta quarta-feira (24) em Entre Rios do Oeste, no extremo Oeste do Paraná, vai “zerar” a conta de energia de 72 unidades consumidoras da prefeitura municipal.

A longo prazo, a iniciativa vai resultar em economia para a população do município, além de resolver o problema ambiental causado pela grande quantidade de dejetos gerada pela produção animal local.

Entre Rios do Oeste tem menos de 5 mil habitantes, mas a quantidade de resíduos orgânicos produzidos no município é equivalente à de uma cidade de mais de 500 mil habitantes. O que era um problema ambiental foi transformado em solução para a economia e o desenvolvimento da cidade, por meio da implantação da minicentral.

Todo esse volume de resíduos é em função da quantidade da produção animal do município, especialmente a de suínos: são mais de 150 mil animais. Os dejetos de 18 propriedades rurais agora são tratados, transformados em biogás e utilizados para a geração de energia elétrica. Isso é feito a partir de projeto desenvolvido pelo Parque Tecnológico Itaipu e CIBiogás, com o financiamento da Companhia Paranaense de Energia (Copel).

“É o que chamo de pré-sal caipira, que temos de aproveitar”. No caso da minicentral termoelétrica de Entre Rios do Oeste, são 215 toneladas de dejetos de suínos por dia que agora são transformados em um ativo econômico”, disse o presidente do CIBiogás, Rodrigo Régis de Almeida.

Parque Tecnológico Itaipu (PTI)

A equipe de Infraestruturas e Obras do parque tecnológico ficou responsável pela elaboração do projeto e implantação da minicentral termoelétrica. Por meio do Laboratório de Automação e Simulação de Sistemas Elétricos (Lasse) do PTI, foi feita a análise dos impactos do empreendimento na rede elétrica e também foi desenvolvido um sistema de monitoramento para garantir a eficiência do projeto, que avalia aspectos como pressão, vazão e temperatura do gás gerado a partir dos dejetos dos suínos.

O PTI também fez o mapeamento dos locais mais adequados no Paraná para geração de energia elétrica produzida a partir do biogás, que vai servir de base para que outras regiões possam replicar o modelo de Entre Rios do Oeste e criar seus próprios arranjos.

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.