Em Vermont, nos Estados Unidos, passou a vigorar em 2020 uma proibição que restringe a oferta de sacolas plásticas em estabelecimentos comerciais. Pesquisadores buscaram entender os efeitos da legislação na população desde então. Um dos destaques da descoberta é que a medida fez com que o uso de sacolinhas no estado caísse 91%.
Uma análise de 2023 já havia apontado o sucesso da proibição. Mas, um trio de pesquisadores se aprofundaram em um estudo com 745 pessoas conduzido pelo Centro de Estudos Rurais da Universidade de Vermont (UVM).
Além da eliminação quase completa do uso de sacolas plásticas após a implementação da proibição, os pesquisadores constataram que o uso de sacolas de papel, por sua vez, aumentou mais de 6% no mesmo período. Isso se deve ao fato de que, em Vermont, a lei permite a disponibilização de sacolas de papel mediante pagamento. No caso, cada sacolinha é vendida por US$ 0,10.
Houve mudança de comportamento de todos os tipos: alguns migraram para as sacolas de papel; outros que já usavam as de papel parou de usá-las quando começaram a ser cobradas; outros ainda continuaram usando as de papel mesmo com a cobrança. Os pesquisadores também constataram que parte dos entrevistados já usavam sacolas reutilizáveis antes da proibição e continuaram a fazê-lo.
Envolvendo a população de Vermont pelo fim das sacolas plásticas
Diversas cidades e estados ao redor do mundo têm proibido a distribuição gratuita de sacolas plásticas. Vermont adota uma das restrições mais amplas em relação ao uso de plásticos do país. A proibição abrange canudos, misturadores de bebidas e embalagens de isopor para alimentos, além das sacolinhas. No estado, a política tem sido bem sucedida, o que o professor Qingbin Wang da Faculdade de Agricultura e Ciências da Vida da UVM, atribui, em parte, ao que ele chama de origens “de baixo para cima” da lei.
Um exemplo que pode explicar o sucesso é que os próprios moradores de Vermont pressionaram os legisladores a favor da proibição devido a preocupações ambientais em torno do plástico descartável. Wang, autor principal da pesquisa, também acredita que a simplicidade da lei tornou sua implementação mais bem-sucedida.
Já a coautora do estudo e bolsista da UVM, Emily Belarmino, destaca a estrategia de comunicação como impulsionador da legislação. Ela observa que o aviso prévio sobre a proibição foi fundamental para o sucesso da implementação da lei e aprovação pública. “Foi eficaz e as pessoas parecem estar satisfeitas, mas imagino que parte disso se deva ao excelente trabalho de comunicação realizado pelo estado de Vermont antes da implementação”, afirma.
Estes pontos ajudam talvez a explicar o fato de que 70% dos entrevistados veem a legislação de forma positiva. O artigo revisado por pares no periódico Environmental Economics and Policy Studies pode ser visto na íntegra aqui.

