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Reduzir plástico descartável pode gerar R$ 6 bilhões no Brasil

A transição para materiais mais sustentáveis ainda é capaz de evitar a emissão de 18 milhões de toneladas de CO₂

Published 13/11/2024
talher de plástico

Foto: Pixabay

A poluição plástica é uma crise global que exige ações urgentes e coordenadas. Em resposta a esse desafio, um Tratado Global Contra a Poluição Plástica está em negociação, com a última rodada de discussões programada para ocorrer entre 25 de novembro e 1 de dezembro na Coreia do Sul. O estudo Oportunidades na Transição para um Brasil Sem Plásticos Descartáveis, realizado a pedido das organizações Oceana e WWF-Brasil, aponta que a eliminação gradual de itens plásticos descartáveis pode reduzir drasticamente a poluição ambiental, ao mesmo tempo em que fortalece a economia do país.

A poluição plástica é a segunda maior ameaça ambiental ao planeta hoje, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Cientistas já identificaram a contaminação por microplásticos em diversos órgãos vitais humanos. O Brasil, maior produtor e poluidor de plástico da América Latina, produz anualmente cerca de 500 bilhões de itens plásticos descartáveis, dos quais 87% são embalagens e 13% utensílios descartáveis como talheres e sacolas.

Foto: Aline Massuca

Apesar desses altos níveis de produção, os sistemas de gestão de resíduos permanecem inadequados. Como consequência, despejamos aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de plástico nos oceanos a cada ano – o que representa cerca de 8% de todo o plástico que atinge os mares globalmente. Diante desse cenário, é fundamental que o Brasil avance na implementação de soluções concretas para esta grave crise.

A pesquisa “Oportunidades na Transição para um Brasil Sem Plásticos Descartáveis” foi desenvolvida pela consultoria Systemiq e evidencia os efeitos socioeconômicos e ambientais da transição de plásticos descartáveis para materiais alternativos ou modelos de reuso. Confira abaixo as principais conclusões do estudo!

Benefícios Ambientais

Transição Socioeconômica

Oportunidades Econômicas

“Com indústrias alternativas já consolidadas e algumas em ascensão, como a de produtos compostáveis e os serviços de reuso, o Brasil está bem posicionado para realizar a transição para uma economia livre de plásticos descartáveis. O volume de produção desses itens é muito pequeno diante do grave impacto ambiental, social e econômico causado. Portanto, a transição é viável e urgente. Para isso, precisamos aprovar políticas públicas, como o Projeto de Lei 2524/2022, que abre novas oportunidades econômicas, com potencial para fortalecer modelos de negócios inovadores, explorar a bioeconomia e descarbonizar o setor”, pontua Lara Iwanicki, gerente sênior de advocacy da Oceana.

Foto: John Cameron | Unsplash

Em tramitação na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal desde outubro de 2023, o Projeto de Lei 2524/2022 inclui disposições para eliminar gradualmente os plásticos descartáveis, com ênfase na transição para alternativas que sejam recicláveis, reutilizáveis ou compostáveis. Essa abordagem visa reformular os padrões de produção e consumo no Brasil, adotando uma Economia Circular do Plástico, e evitando o descarte deste material na natureza.

A sociedade demanda uma transição

Uma pesquisa divulgada pelo WWF-Brasil em abril deste ano revelou que oito em cada dez pessoas em todo o mundo querem a proibição global de plásticos descartáveis. No Brasil, 85% dos entrevistados defendem regras que exijam a redução na produção mundial de plástico.

A cada ano, 325 milhões de quilos de resíduos plásticos chegam até os oceanos. Foto: Ricardo Gomes | Instituto Mar Urbano

Os dados e as análises do estudo Oportunidades na Transição para um Brasil Sem Plásticos Descartáveis oferecem um cenário bastante positivo para que o governo brasileiro se posicione de modo assertivo na INC-5 – quinta e última reunião para a conclusão do Tratado Global Contra a Poluição Plástica.

“Este estudo embasa a urgência de políticas públicas que promovam alternativas ao plástico descartável, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de apoio econômico a setores emergentes. O Brasil, no INC-5, pode impulsionar o debate com ações concretas e metas específicas, liderando nações em direção a uma Economia Circular”, afirma Michel Santos, gerente de Políticas Públicas do WWF-Brasil.

Políticas Públicas e Incentivos Econômicos

Para garantir o sucesso da transição para um Brasil sem plásticos descartáveis e o potencial de mercado para os produtos sustentáveis, o estudo enfatiza a necessidade de apoio governamental e incentivos econômicos para materiais substitutos. Com suporte estratégico, pequenas e médias empresas poderão competir de forma equilibrada e expandir sua participação e competitividade no mercado, reforçando a viabilidade econômica das soluções sustentáveis e promovendo um futuro de baixo impacto ambiental.

Foto: Pete Linforth | Pixabay

“Ao implementar uma estrutura robusta que promova materiais recicláveis, compostáveis ​​ou reutilizáveis, o Brasil pode reduzir o desperdício e reduzir as emissões de CO₂ destes resíduos. Os dados mostram que tal mudança não é apenas alcançável, mas também economicamente viável, com potencial para criar novas oportunidades de mercado e apoiar o crescimento do emprego na indústria de materiais sustentáveis”, disse Matthias Becker, sócio da Systemiq. “Esta transição oferece ao Brasil a oportunidade de liderar a inovação sustentável, ao mesmo tempo em que apoia os compromissos globais para reduzir a poluição por plásticos”, conclui ele.

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