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Países provam que é possível crescer e cortar emissões

Relatório avalia a economia de 113 países e mostra que crescimento econômico e combate à emergência climática podem andar juntos

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Foto: Michele Henderson | Unsplash

O argumento de que “é impossível crescer economicamente e cortar as emissões de carbono” é muito comum quando o assunto é combater a emergência climática de forma efetiva. Mas, dados recentes mostram justamente o contrário. Um relatório do ECIU (Energy and Climate Intelligence Unit) mostra que, mais do que nunca, países estão desenvolvendo suas economias ao mesmo tempo que reduzem suas pegadas de carbono – em um movimento constante.

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Com base no 2025 Global Carbon Budget e em um sistema refinado de tratamento de dados, o relatório avaliou 113 países, cobrindo mais de 97% do PIB  e 93% das emissões de carbono mundiais. Com estas informações, os pesquisadores concluíram que a redução da pegada de carbono está se tornando “norma e não exceção”.

“Muitas vezes foi dito que era impossível reduzir emissões sem reduzir o crescimento econômico. Mas o que está acontecendo é exatamente o oposto”, conta John Lang, um dos autores do relatório Net Zero Tracker Lead no ECIU.

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Foto: Pixabay

Você sabe o que é desacoplamento?

Decoupling ou desacoplamento, em português, é um termo que se refere à separação estratégica de atividades de valor que antes eram oferecidas juntas”. Quando estamos falando de combate à emergência climática, o termo é usado para falar da separação entre crescimento econômico e emissões de gases de efeito estufa. Podemos dizer que a expressão é usada para quebrar a ligação histórica entre as duas ações.

No relatório, existem dois tipos de desacoplamento:

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  • Absoluto: emissões caem enquanto o PIB cresce. O melhor cenário.
  • Relativo: As emissões seguem crescendo, mas em um ritmo menor que o PIB.

Os pesquisadores explicam que também foram identificados países com o pior cenário: com crescimento econômico e emissões crescendo juntos ou com a queda do PIB e aumento das emissões. Nesse caso o termo usado foi reacoplamento ou recoupling. Mas, de acordo com os cientistas, estes casos estão se tornando mais raros.

Mesmo nas avaliações do IPCC o desacoplamento em escala global é historicamente visto como uma ideia controversa, mas que pode ser reavaliada com essa nova análise – “não só é possível, como está acontecendo, em uma realidade de crescimento”.

cresce pib e corta emissões
Fonte: ECIU

Países e suas jornadas

De acordo com o relatório, entre 2015 e 2023, cerca de metade da economia mundial (46%) esteve no quadro de desacoplamento absoluto. Um salto de 38% em comparação com a década anterior ao Acordo de Paris.

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Atualmente, 92% da economia mundial e 89% das emissões estão em países em um Quadro de desacoplamento absoluto ou relativo. O relatório dividiu os países avaliados em 3 grupos:

  • Consistente: Nações que desvincularam o crescimento econômico das emissões de carbono antes e depois do acordo de Paris.
  • Crescentes: Nações que não reduziram as emissões antes do acordo de Paris, mas fizeram isso depois (entre 2015 e 2023).
  • Reversos: Países que tinham crescimento econômico com redução de emissões antes de 2015 (acordo de Paris), mas mudaram esse quadro desde então
países que crescem e cortam emissões
Fonte: ECIU

Os países europeus são os mais presentes na lista dos que vem consistentemente reduzindo as emissões sem comprometer o crescimento econômico. É importante ressaltar que o relatório leva em consideração as emissões de carbono dos bens de consumo importados, não apenas da produção doméstica, o que refuta o argumento de que alguns países “exportam” suas emissões.

Zerar emissões é estratégia econômica

Reduzir – e zerar – as emissões de carbono não é apenas uma estratégia para combater a emergência climática, é também uma estratégia econômica. Gareth Redmond-King, do ECIU, explica que o setor de energia limpa está superando a indústria dos combustíveis fósseis quando o assunto é geração de empregos. E que empresas comprometidas com o carbono zero estão crescendo três vezes mais rápido do que a economia mundial.

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“A tendência construída com o Acordo de Paris é definitiva e o compromisso de zerar emissões é o único caminho para evitar impactos cada vez mais caros e perigosos”, afirma Gareth.

energia limpa g20
Foto: PIxabay

As emissões globais seguem crescendo, em um ritmo menor, mas, mesmo assim, os pesquisadores afirmam que mudanças estruturais são inegáveis – e importantes. E que, com mais países mostrando que é possível crescer economicamente e reduzir emissões, a ideia “controversa” de um crescimento sustentável é real.

Essa ideia de que a ação climática implica em prejuízo à economia está sendo desconstruída. Os desafios seguem enormes e muitos países ainda estão longe de reduzir suas emissões, mas uma nova trajetória está se desenhando. Mais nações mostram que é possível prosperar sua economia e diminuir sua pegada de carbono, uma das mudanças mais necessárias (e inspiradoras) para um futuro melhor.

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Com informações de World Business Academy