O lixo é considerado normalmente um problema. Em Oslo, capital da Noruega, o problema tem sido a falta de lixo. A cidade transforma os resíduos em energia e com a baixa demanda interna, tem sido obrigada a importar os materiais descartados por países vizinhos.

Atualmente, a maior parte da importação vem da Inglaterra e da Irlanda, mas a Noruega já pensa em expandir para outros países também. A prática de queimar o lixo para transformá-lo em calor e energia não é exclusividade de Oslo e tem se tornado cada vez mais comum em toda a Europa.

Conforme informado pelo New York Times, os países do norte-europeu produzem apenas 150 milhões de toneladas de lixo por ano. Mas, as usinas europeias de incineração são capazes de trabalhar com até 700 milhões de toneladas e os países continuam a construir mais estruturas, mesmo tendo pouco resíduo.

A Noruega está entre os dez maiores exportadores mundiais de petróleo e gás, além de ter muitas reservas de carvão e mais de mil usinas hidrelétricas. Diante desses fatos, pode parecer estranho o país importar lixo para produzir energia, mas o ex-diretor da Agência de “Energia do Lixo”, Pal Mikkelsen, explicou que essa é uma opção para reduzir a dependência de combustíveis fósseis no país.

Para alcançar a eficiência neste processo, a cidade de Oslo desenvolveu um sistema altamente tecnológico para o descarte e coleta. Assim, as famílias separam os resíduos orgânicos em um saco verde, os secos em um saco azul e os vidros em outro recipiente. As embalagens para o descarte são distribuídas gratuitamente em mercados e tudo é levado às usinas.

As fábricas de energia possuem sensores computadorizados que separam os sacos por cores e os destinam adequadamente aos incineradores. Mesmo com o sistema eficiente, os ambientalistas lembram que o vício em lixo pode ser um problema. “De um ponto de vista ambiental, é um problema enorme. Existe uma pressão para produzir mais e mais resíduos, porque o país não chega ao limite de sua capacidade”, disse Lars Haltbrekken, presidente do Friends of the Earth (Amigos da Terra), o grupo ambientalista mais tradicional da Noruega. Para ele, a redução na produção de lixo deve ser sempre a prioridade.

Ainda ao jornal norte-americano, Rooth Olbergsveen, da Agência de Recuperação de Resíduos, em Oslo, lembra que a reciclagem e a produção de energia devem andar de mãos dadas, para diminuir os impactos ambientais gerados pelo pós-consumo. Com informações do NYT.

Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.