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Indicador de Felicidade Interna Bruta chega ao Brasil em 2025

O local escolhido para a primeira implementação do FIB no país é o arquipélago de Fernando de Noronha

Published 26/11/2024
crianças no Butão

Crianças no Butão, país que usa o Índice de Felicidade Interna Bruta como indicador de desenvolvimento. Foto: Pixabay

Localizado entre a Índia e a China, os dois países mais populosos do mundo, o Butão é uma região com menos de 800 mil habitantes. Pouco conhecido no Brasil, o país asiático reserva boas surpresas, desde a paisagem natural até o modo de vida da população. E, para entender as pessoas que vivem no país e como cuidar bem da sua qualidade de vida, o governo do Butão desenvolveu o índice de Felicidade Interna Bruta, um indicador muito mais amplo do que o famoso PIB (Produto Interno Bruto) para avaliar o desenvolvimento de uma nação.

Esta metodologia usada pelo Butão passou a ser adotada pela ONU (Organização das Nações Unidas) para complementar as medidas já tradicionais, como o PIB, que se concentra em fatores econômicos.  O resultado é que as decisões governamentais têm como base uma série de fatores e podem ser muito mais assertivas e eficientes.

No final de setembro, Dasho Karma Ura, ministro do Butão e residente do Centre for Bhutan Studies and Gross National Hapiness (GNH), esteve no Brasil à convite da Aguama Ambiental para participar do I Fórum de Sustentabilidade e Turismo em Noronha e apresentou de forma profunda a metodologia usada no seu país e os seus benefícios para um desenvolvimento sustentável.

Dasho Karma Ura fala sobr o FIB na abertura do I Fórum de Sustentabilidade e Turismo em Noronha. Foto: Aguama Ambiental

“Ele falou um pouco mais sobre o FIB e pudemos dar visibilidade à importância de aplicá-lo no Brasil. Sem uma comunidade local fortalecida, saudável e feliz, é difícil implementar projetos ambientais ou de turismo, já que quem vive no local é quem sustenta as ações no longo prazo”, enfatiza Caio Queiroz, CEO das Aguama Ambiental.

Agora, é a vez de Caio ir até o Butão à rei do Butão, o monarca Jigme Khesar Namyel Wangchuck, e do ministro para conhecer de perto a realidade do país e e contribuir com a implementação das diretrizes sustentáveis da Mindfulness City, nova cidade em construção no país que foi planejada para promover a biodiversidade por meio de seus diversos ecossistemas e paisagens naturais.

“Quero conhecer a região, conversar com as pessoas que vivem ali, ver in loco seu modo de vida para entender mais sobre a proposta da nova cidade, sobre o FIB e como podemos ajudar com a parte de sustentabilidade, algo que está em nosso DNA”, explica.

O FIB, índice de Felicidade Interna Bruta, determina os investimentos do governo do BUtão. Foto: Pema Gyamtsho | Unsplash

A intenção, segundo Caio, é sincronizar as duas metodologias – da Aguama Ambiental com o FIB – e levar essa realidade não somente para o Butão, mas também para o Brasil, em um projeto disruptivo e inovador. O local escolhido para a primeira implementação do FIB no país é justamente o arquipélago de Fernando de Noronha.

“Noronha que apresenta em menor escala muitos dos problemas enfrentados pelo Brasil em suas demais regiões. Pretendemos iniciar a implementação do FIB no próximo ano, a começar pela realização de entrevistas com os moradores para entender as questões que precisam ser trabalhadas para que a felicidade aumente na região”, ressalta.

Caio explica que a sustentabilidade e a felicidade estão conectadas. “A sustentabilidade é o caminho para a felicidade. Viver em uma região onde há acesso à água potável, esgoto, ruas limpas, resíduos reciclados, entre outros fatores, proporciona bem-estar e felicidade. Nossa intenção é tornar o FIB elevado na região para depois levarmos para outras localidades do país”.

Fernando de Noronha. Foto: Natasha Olsen

Implementação por etapas

A metodologia do FIB é extensa. Envolve 72 subindicadores que cobrem nove dimensões, consideradas os principais componentes da felicidade e bem-estar no Butão: bem-estar psicológico, uso do tempo, vitalidade da comunidade, cultura, saúde, educação, diversidade do meio ambiente, padrão de vida e governança.

Caio conta que a adoção do FIB em Fernando de Noronha será feita por etapas, com o início do trabalho focado em três pilares: resíduos, energia e água. “Será um trabalho de longo prazo, de avanço a cada requisito cumprido. Vamos aplicar todas as questões do índice para entender todos os aspectos que precisam ser trabalhados para tornar a população local mais feliz”.

Caio Queiroz, CEO da Aguama Ambiental, Dasho Karma Ura, Lívia Azevedo, diretora de Felicidade do Grupo Heineken, e Vitor Assakawa, coordenador de compliance na Heineken, durante o fórum em Noronha. Foto: Aguama Ambiental

Iniciativa privada

Para reforçar a implementação do FIB em Noronha, o CEO da Aguama destaca a importância da participação da iniciativa privada. “As empresas já estão atentas à questão da felicidade. Tanto que algumas inclusive já desenvolveram áreas próprias para cuidar do assunto, como o caso da Heineken, Gerdau e Suzano. São companhias com essa mentalidade que estão buscando ajudar a fomentar a felicidade dos seus colaboradores e dos locais onde atuam. A ideia é somar esforços para que cada vez mais as pessoas tenham acesso a produtos e serviços de empresas sustentáveis”.

Plataforma ambiental para o Butão

A integração entre o FIB e a Aguama também vai beneficiar o Butão. Caio conta que a empresa irá doar uma versão adaptada da sua plataforma sustentável para trazer ainda mais inovação para a aplicação da metodologia no país na Mindfulness City. “Para ajudar às necessidades da nova cidade, estamos contando com a ajuda de uma engenheira civil que trabalha no Conselho Brasileiro de Construções Sustentáveis, com a aplicação de metodologias de certificação de empreendimentos aplicadas em locais como hotéis, prédios públicos, entre outros. Vamos trazer uma plataforma única e pioneira para proporcionar sustentabilidade não somente em Noronha, mas também na nova cidade do Butão”, conclui.

Foto: Prateek Katyal | Unsplash
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