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Mais vulneráveis têm menos chances de fugir do calor

Estudo revela divisão oculta na capacidade de enfrentar ondas de calor

Published 18/02/2026
calor

Os grupos mais vulneráveis e com menor probabilidade de escapar do calor eram os idosos, aqueles que vivem em áreas de baixa renda e trabalhadores rurais. Foto de Vishal Bhutani | Unsplash

Um novo estudo que rastreou os movimentos de 1 bilhão de dispositivos móveis revelou como a riqueza e a idade criam uma divisão invisível na capacidade das pessoas de suportar ondas de calor. Cientistas que analisaram dados de temperaturas recordes em 2023 descobriram que medidas comuns para proteger pessoas que vivem em cidades — como emitir alertas ou plantar árvores para aumentar a sombra — muitas vezes não ajudam os mais vulneráveis. Isso ocorre após um alerta da Organização Meteorológica Mundial de que os últimos três anos são oficialmente os mais quentes já registrados.

Os especialistas responsáveis pelo estudo utilizaram registros telefônicos anonimizados para verificar se as pessoas permaneceram em casa durante o calor extremo ou se foram obrigadas a se deslocar para o trabalho ou para comprar itens essenciais. Eles descobriram que os grupos mais vulneráveis e com menor probabilidade de escapar do calor eram os idosos, aqueles que vivem em áreas de baixa renda e trabalhadores rurais ou agrícolas.

O estudo, publicado na revista Sustainable Cities and Society, foi liderado pelo grupo de pesquisa WorldPop da Universidade de Southampton e pelo Laboratório de Ciência e Engenharia Marinha do Sul de Guangdong (Zhuhai), na China. A autora principal, Dra. Haiyan Liu, pesquisadora visitante da WorldPop, afirmou que as descobertas mostram uma clara divisão na forma como diferentes populações sobrevivem a temperaturas extremas.

Muitas medidas contra o calor não são eficazes para certos grupos, como agricultores ou trabalhadores ao ar livre que ainda precisam trabalhar durante ondas de calor. O calor extremo já é uma das principais causas de morte, estando associado a cerca de 500.000 óbitos em todo o mundo a cada ano, segundo a ONU”, diz Haiyan Liu.

Pessoas se protegem do sol no centro da cidade em dia de calor no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“Nossos resultados mostram que os mais vulneráveis são frequentemente forçados a se movimentar mais, e não menos, durante as ondas de calor compostas mais perigosas.”

Alertas de calor nem sempre funcionam

“As medidas de combate ao calor exigem uma coordenação mais estreita entre os serviços meteorológicos e de saúde pública, para combinar os alertas de calor com orientações sobre hidratação, resfriamento e preparação para ondas de calor crescentes.” Pesquisadores, utilizando registros de 1,1 bilhão de dispositivos telefônicos coletados em 366 cidades da China, analisaram como as pessoas alteraram suas rotinas durante períodos de calor extremo.

Os resultados mostraram que as pessoas mais ricas eram mais propensas a ficar em casa durante as ondas de calor, enquanto as pessoas com rendimentos mais baixos eram obrigadas a deslocar-se para o trabalho — outras conclusões importantes mostraram que:

Trabalhadores no centro da cidade em dia de calor no Rio de Janeiro em dezembro. Foto: Fernando Frazão | Agência Brasil

“Em última análise, o planejamento de ondas de calor com uma abordagem única para todos é ineficaz. As autoridades de saúde pública devem usar métodos mais precisos para proteger aqueles cuja idade ou condição econômica não lhes deixam outra opção a não ser enfrentar o calor“, acrescentou Liu.

Mudanças climáticas podem multiplicar ondas de calor mortais

Os dados que fundamentaram o estudo foram coletados pelo grupo de pesquisa WorldPop, sediado na Universidade de Southampton. Seus demógrafos publicaram mais de 80 mil conjuntos de dados na última década, utilizando dados de telefones celulares, imagens de satélite e registros censitários.

“Com a exposição ao calor já associada a cerca de meio milhão de mortes por ano, a frequência de ondas de calor mortais pode aumentar 10 vezes até o final do século, à medida que o clima da Terra muda”, afirmou o professor Andy Tatem, diretor do WorldPop. “Não podemos mais confiar em dados médios de cidades para planejar o enfrentamento de ondas de calor. Os governos precisam adotar métodos mais realistas, como destacado neste estudo, especialmente onde a necessidade socioeconômica é maior”.

As informações são da Universidade de Southampton

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