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“Boleto” cobra dívida climática de países ricos

Intervenção da Aliança dos Povos pelo Clima ocupa ruas de Brasília, São Paulo e Recife

Published 27/10/2025
dívida climática

Foto: Joaka Barros

Os impactos das mudanças climáticas já podem ser sentidos, mas não da mesma forma por todos. Agora, quem paga a conta? Organizações ambientais ressaltam que, com seus modelos de desenvolvimento, os países ricos têm uma dívida histórica e, portanto, uma responsabilidade financeira maior. É para jogar luz nessa questão que ativistas instalaram “boletos gigantes” nas ruas de Brasília, São Paulo, Recife, Volta Grande do Xingu e Santarém neste fim de semana.

A campanha “A Gente COBRA – Financiamento Climático Direto para Quem Cuida da Floresta” é a primeira ação da Aliança dos Povos pelo Clima, articulação que reúne lideranças indígenas, quilombolas, extrativistas, ribeirinhas e juventudes urbanas de várias regiões do país em prol da justiça climática.

Ação em São Paulo. Foto: Jonaya de Castro

Os boletos gigantes, com até 8 metros de largura e valor simbólico de US$ 1,6 trilhão, foram instalados em locais de grande circulação, convidando o público a “cobrar” o pagamento da dívida climática do Norte Global com os povos e territórios do Sul. A “data de vencimento” no boleto é uma provocação direta: 525 anos, tempo desde o início da colonização das Américas.

Um trilhão para o clima

O Acordo de Paris prevê que os países desenvolvidos invistam em medidas de combate à mudança do clima e adaptação em países em desenvolvimento, uma vez que são responsáveis ​​pela maior parte das emissões históricas. O valor de cerca 1,3 trilhões de dólares até 2035 era uma demanda durante a COP29, em Baku, como meta global de financiamento climático. O valor prometido pelas nações ricas, no entanto, chegou apenas a US$ 300 bilhões.

Ação em Recife. Foto: Natanael Silva

De forma prática, a iniciativa da da Aliança dos Povos pelo Clima cobra não só o valor de US$ 1,6 trilhão, mas também que os fundos internacionais de financiamento climático destinem 50% dos recursos diretamente a povos e comunidades tradicionais, com participação deliberativa nos conselhos de decisão. Afinal, são eles os principais responsáveis pela preservação das florestas nativas, como apontam diversos estudos.

O momento da ação é oportuno: antecede a COP30, em Belém, que, sendo realizado na maior floresta tropical do mundo, apresenta altas expectativas. Além disso, a ação se soma às mobilizações que já acontecem na Amazônia, como o Encontro Global das Caravanas, em Santarém (PA). O evento reúne lideranças de diferentes países da América Latina para alinhar estratégias conjuntas e fortalecer o chamado por financiamento climático direto para quem cuida da floresta.

O encontro histórico teve início no domingo (26) e segue até 30 de outubro, data em que um barco com mais de 200 representantes de comunidades e movimentos parte de Santarém rumo a Belém, levando faixas, cantos e símbolos produzidos durante os dias de mobilização. “A travessia fluvial marca o início da jornada da Aliança dos Povos pelo Clima em direção à COP30, em um cortejo simbólico que celebra a união dos povos da floresta e reafirma o papel dos territórios na resposta à crise climática”, afirma a organização.

Foto: Jaciara Borari
Ação em Recife. Foto: Natanael Silva
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