O que é Fitoterapia?
Mais do que chás e saberes ancestrais sobre ervas, a fitoterapia usa evidências científicas e plantas medicinais para cuidar da nossa saúde
Mais do que chás e saberes ancestrais sobre ervas, a fitoterapia usa evidências científicas e plantas medicinais para cuidar da nossa saúde
Ao ouvir a palavra “fitoterapia”, muitas pessoas logo pensam em chás de “ervas” preparados de forma caseira, um conhecimento transmitido por gerações. No entanto, a fitoterapia é muito mais do que isso: trata-se de uma ciência séria, regulamentada e baseada em evidências científicas e clínicas, que utiliza plantas medicinais e fitoterápicos de maneira segura e eficaz para tratar e prevenir diversas desordens de saúde.
O avanço da pesquisa científica permitiu que a fitoterapia moderna fosse incorporada à medicina e à farmácia, garantindo que os as substâncias ativas das plantas medicinais fossem padronizadas e aplicadas de forma segura e eficaz, seja em extratos, tinturas, nas diferentes formas farmacêuticas, como, cápsulas, barrinhas de chocolate, comprimidos, cremes, pomadas, entre outras.
Neste artigo, vamos explorar a ciência por trás da fitoterapia, suas diferenças em relação ao uso popular das plantas medicinais, os critérios de regulamentação e segurança, além de sua aplicação na saúde moderna.

A fitoterapia é a terapêutica que utiliza as plantas medicinais para tratamento e prevenção de doenças. O termo vem do grego “phyton” (planta) e “therapeia” (tratamento). Diferente do uso popular e empírico das plantas medicinais, a fitoterapia contemporânea se baseia em estudos clínicos e pesquisas laboratoriais para garantir ao usuário e ao profissional que prescreve as fórmulas, segurança e eficácia no uso terapêutico das plantas medicinais, dos medicamentos fitoterápicos manipulados e industrializados.
As plantas medicinais contêm substâncias bioativas, ou seja, substâncias químicas naturais que exercem efeitos fisiológicos no organismo. Essas substâncias podem ter propriedades anti-inflamatórias, ansiolíticas, digestivas, analgésicas, entre muitas outras. No entanto, a forma como essas substâncias são extraídos e administrados influencia diretamente sua eficácia.

A fitoterapia moderna busca padronizar essas substâncias, garantindo que a concentração seja controlada e segura para os pacientes. Isso evita variações de dosagem que podem ocorrer em preparações caseiras, tornando o tratamento mais preciso e previsível.
É muito comum confundir fitoterapia com o consumo de chás caseiros. Ambos utilizam plantas medicinais, mas há diferenças fundamentais entre eles:
No chá caseiro, não é possível quantificar as substâncias ativas presente nas plantas medicinais. Outros fatores a serem considerados em relação a eficácia ou não dos chás varia conforme a parte da planta utilizada, a técnica de preparo, se será por infusão ou decocção, a temperatura da água e até o local onde a planta foi cultivada. Já os fitoterápicos passam por processos rigorosos de extração e padronização, garantindo uma dose controlada das substâncias ativas.

Enquanto o chá é consumido na forma líquida, os fitoterápicos podem ser encontrados em diversas apresentações, como extratos secos em cápsulas, tinturas, xaropes, soluções, cremes, pomadas, entre outros, permitindo um controle mais preciso da dosagem e biodisponibilidade (absorção).
As preparações caseiras não passam por controle de qualidade, o que pode levar a contaminação por fungos, bactérias ou até o uso incorreto de plantas semelhantes. Já os medicamentos fitoterápicos são regulamentados por órgãos de vigilância sanitária, garantindo sua segurança e eficácia.

Os fitoterápicos utilizados na prática clínica são respaldados por pesquisas científicas que testam sua eficácia, mecanismos de ação e possíveis interações medicamentosas. Isso diferencia a fitoterapia científica do uso popular.
Isso não significa que os chás não tenham ações terapêuticas, mas sim que seus efeitos podem ser imprevisíveis e/ou menos potente do que um fitoterápico devidamente processado e administrado de forma controlada.

No Brasil, os fitoterápicos são regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), garantindo que os produtos disponíveis no mercado atendam a padrões rigorosos de qualidade e segurança. A Anvisa classifica os produtos fitoterápicos em duas categorias:

A fitoterapia vem sendo cada vez mais utilizada na prática clínica pelos profissionais, tanto na medicina convencional quanto nas práticas integrativas e complementares. Alguns exemplos de fitoterápicos e seus usos incluem:
A fitoterapia não substitui necessariamente a alopatia convencional, porém é uma aliada no tratamento complementar de diversas condições. Muitos fitoterápicos reduzem efeitos colaterais dos medicamentos convencionais ou potencializam o tratamento de doenças crônicas.

No entanto, é essencial que o uso de fitoterápicos seja sempre acompanhado por um profissional de saúde, garantindo um tratamento adequado para cada caso.
Portanto, a fitoterapia é uma ciência, baseada em evidências e regulamentada por órgãos de saúde, indo muito além do consumo de chás caseiros. O avanço nas pesquisas com plantas medicinais vem permitindo cada vez mais o desenvolvimento de fitoterápicos seguros e eficazes, para complementar e até mesmo substituir os tratamentos convencionais, seja para tratar doenças crônicas, melhorar a saúde mental, favorecer um emagrecimento mais saudável, melhorando a qualidade de vida e o bem-estar dos pacientes e interagentes.
A fitoterapia conquista cada vez mais espaço na prática clínica, unindo o conhecimento ancestral das plantas medicinais à precisão da ciência moderna. Com a orientação correta, os fitoterápicos são grandes aliados da saúde.

Conteúdo de autoria da Dra. Jeane Nogueira – Farmacêutica Especialista em Fitoterapia Clínica, Professora Universitária e Coordenadora da Pós-Graduação em Fitoterapia Clínica Avançada do Instituto Brasileiro de Fitoterapia Clínica. Para saber mais, siga o perfil da Jeane no Instagram: @jeanenogueirafitos.