No início do mês, Vilma Lucia Novetti Barros, mais conhecida como dona Vilma, viveu mais um capítulo emocionante para a Horta Bons Frutos (uma horta comunitária em Santos). Em Brasília, ela recebeu, ao lado de Vinicius Sakamoto, também voluntário da horta, o troféu do Prêmio de Agricultura Urbana, concedido pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome durante a 5ª Conferência Global, do Programa de Sistemas Alimentares Sustentáveis (PSFS) – One Planet.
A partir da temática “Iniciativas que Promovem a Alimentação Saudável e a Inclusão Social e Produtiva nas Cidades”, o prêmio reconhece iniciativas que ajudam a promover a alimentação saudável, a inclusão social e produtiva e a resiliência à crise climática, em especial em territórios urbanos e periurbanos em situação de vulnerabilidade e risco social nos municípios brasileiros. Além do troféu, as iniciativas selecionadas receberam R$ 30 mil para seguir com suas atividades.
Espaço para sonhos comunitários
Com mais de dez anos de atuação, a Horta Bons Frutos tornou-se referência na Baixada Santista, como um projeto de desenvolvimento sustentável e comunitário. O projeto surgiu a partir de um sonho comunitário de quatro mulheres, que desejavam fornecer uma alimentação mais saudável para as crianças da região, gerando renda e impactos positivos para a comunidade local, com apoio do Instituto Elos.
O espaço abriga também o projeto Óleo Noel, que envolve os jovens do bairro na coleta de óleo usado na comunidade e de resíduo orgânico para compostagem. Além disso, o projeto Horta Terapêutica propõe um espaço de troca de saberes sobre o cultivo de plantas, em que o contato com a terra e com a natureza também promove afeto, bem-estar e laços comunitários.
Afeto, inclusive, é uma palavra que pode explicar a importância simbólica da horta para a identidade do Jardim São Manuel: desde que foi criado, em 2014, o local tem sido um ponto de encontro para reuniões e outras atividades que buscam ampliar os sonhos das famílias do bairro. Entre flores e plantas, frutificam projetos que só ampliam o sentimento de pertencimento dos moradores, e a vontade de compartilhar ao mundo a força e a riqueza cultural da comunidade.
Para a diretora-executiva do Instituto Elos, Thais Polydoro, a horta de Santos é uma das principais materializações da metodologia da organização, que produz tecnologias sociais a partir do fortalecimento de relações humanas em vários formatos de comunidade. Não basta conquistar um sonho: é preciso ampliar o legado e trabalhar com o fortalecimento diário dos vínculos, como porta de entrada para transformações sociais.
“Estivemos lado a lado da comunidade quando havia o sonho da horta, mas deixamos o espaço como um convite para que outras parcerias surgissem para fortalecer o projeto. Hoje, a Horta é autogestionada pela comunidade, possui parcerias com prefeituras, setor privado, o que concretiza o propósito do Elos: iniciamos possibilidades, e abrimos caminhos para novos laços”, comenta.
Hoje, as lideranças do Jardim São Manoel também participam da Rede de Comunidades 013, espaço de troca de experiências entre pessoas que estão à frente dos territórios periféricos da Baixada Santista, oferecido pelo Instituto Elos. Outra iniciativa também situa a Horta Bons Frutos como ponto de referência para a História do Jardim São Manoel: ao lado dos moradores do bairro, e com apoio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, o Instituto Elos está construindo um museu itinerante sobre o bairro. A horta deve ser um dos locais a fazer parte daquele que deve ser o primeiro museu dedicado a uma periferia na Baixada Santista.

