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turismo de natureza trilhas
Foto: Pixabay

Que tal fazer uma trilha nas férias de janeiro? O interesse pelo ecoturismo e pelas trilhas de curto e longo curso cresceu exponencialmente nos últimos anos. Dados do Ministério do Turismo apontam que o turismo de aventura corresponde à 13% da preferência nacional. No entanto, o aumento do fluxo de pessoas em áreas naturais traz um alerta: a falta de preparo pode transformar um momento de lazer em um incidente grave.

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Para garantir que a única lembrança seja a paisagem, o clínico geral da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Thiago Piccirillo, explica quais os cuidados indispensáveis para todo trilheiro. “Muitos incidentes podem começar antes mesmo de o trilheiro chegar ao destino. O primeiro passo é a escolha da trilha, que deve ser compatível com o condicionamento físico do praticante, levando em conta o desnível altimétrico e o tipo de terreno”, comenta.

Nesse cenário, a escolha da vestimenta não é uma questão de estética, mas de proteção. “Roupas de tecidos sintéticos, como o poliamida ou poliéster, são ideais por secarem rapidamente e não pesarem com o suor. Nos pés, botas ou tênis de trilha com solados antiderrapantes evitam quedas em terrenos úmidos ou instáveis”, ressalta o clínico geral.

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Quando o assunto é o que levar dentro da mochila, alguns itens são considerados inegociáveis:

Água e comida

Em uma trilha, o esforço físico é constante e muitas vezes ocorre sob sol ou altitude, o que acelera a perda de líquidos e altera a glicose. Nessas situações, o mínimo de água que deve ser levada para uma trilha de um dia inteiro é 2L.

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“Se o clima estiver muito quente ou a subida for íngreme, o corpo pode precisar de 500ml a um litro de água por hora de caminhada. Outro ponto importante é não esperar sentir sede para beber água. A sede já é um sinal de desidratação leve. Também leve um sistema de purificação (pastilhas de cloro ou filtros portáteis) caso precise reabastecer em fontes naturais”, explica Piccirillo.

beber água
Foto: Engin Akyurt | Unsplash

Para se alimentar, opte por frutas secas, mel e barras de cereal pois dão um “pique” imediato quando você sente o cansaço bater. Alterne com alimentos que possuem gorduras boas, como castanhas e nozes, que mantêm o corpo saciado por mais tempo e evitam a fadiga muscular extrema. O sal nas castanhas também ajuda a repor os eletrólitos perdidos no suor.

Lanterna

Mesmo que planeje fazer toda a trilha durante o dia, imprevistos como um tornozelo torcido, um erro de navegação ou uma árvore caída no caminho podem atrasar o grupo em poucas horas, mas o suficiente para o sol se pôr. A lanterna de cabeça é a melhor opção, pois deixa as mãos livres para se equilibrar em pedras ou segurar galhos. Além disso, usar o celular como lanterna é perigoso porque a bateria acaba rápido, o LED não alcança longas distâncias e, se derrubar o aparelho ou ficar sem bateria, ficará sem luz e sem comunicação.

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Capa de chuva, corta-vento e protetor solar

O clima na montanha ou na mata muda com uma velocidade impressionante. Às vezes não está chovendo, mas o vento no topo de um morro pode “roubar” todo o seu calor. Uma camada fina que bloqueie o vento faz uma diferença enorme no conforto térmico.

Foto: Mikhail Nilov | Pexels

“Corta-vento e capas de chuva são imprescindíveis em qualquer trilha. Mesmo que o céu esteja azul, uma chuva repentina pode molhar sua roupa e, com o vento, baixar sua temperatura corporal rapidamente, levando à hipotermia (mesmo em climas tropicais). Capas de estilo poncho também ajudam a proteger a sua mochila”, comenta o clínico geral.

Além disso, em altitudes maiores, a camada atmosférica é mais fina e os raios UV são mais agressivos. A queimadura solar não é apenas dolorosa, ela também desidrata o corpo e pode causar fadiga sistêmica.

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Como montar um kit de primeiros socorros?

Outro item inegociável é o kit de primeiros socorros e existem alguns itens que todas as pessoas que apreciam trilhas devem levar. Dentre os principais, estão:

  • Curativos adesivos de tamanhos variados e gaze estéril para limpar e cobrir feridas maiores. Além de esparadrapo ou fita micropore para fixar gazes (o micropore é melhor por deixar a pele respirar). Leve também curativos específicos para bolhas que protegem a pele onde o calçado está machucando.
  • Bandagem elástica (atadura) para imobilizar um pulso ou tornozelo em caso de torção (entorse) e antisséptico em spray ou lenços umedecidos com álcool (pesam menos que frascos de soro).
  • Sachês de sais de reidratação oral são importantes pois são leves e salvam em casos de exaustão por calor.
  • Pinça, para remover farpas, espinhos ou carrapatos, e tesoura pequena para cortar faixas ou roupas – se necessário.
  • Luvas de procedimento com o intuito de garantir a segurança ao cuidar do ferimento próprio ou de outra pessoa.
  • Apito de emergência caso alguém se machuque e precise pedir ajuda sem gastar energia gritando.
  • Medicamentos básicos, além daqueles de uso contínuo (se houver), como analgésicos, antitérmicos, anti-inflamatórios, anti-histamínico e para azia ou diarreia, com o intuito de ter à mão caso seja necessário. Não esqueça de considerar possíveis alergias daqueles que estão no grupo de trilha.
  • Manta térmica de emergência (aluminizada), que é um item que pesa apenas alguns gramas e é acessível. Ela serve para manter o calor do corpo em caso de acidente onde você precise esperar resgate à noite ou sob frio intenso.

“A dica final é manter seu kit sempre seco (em sacos estanques ou Ziplocs), revisar a validade dos itens semestralmente e buscar treinamento básico. Se tiver alergias graves, deixe seus medicamentos em local de fácil acesso e informe seus acompanhantes”, ressalta o médico.

A comunicação é outro fator importante, ou seja, nunca saia para uma trilha sem avisar alguém de confiança sobre o seu roteiro e o horário previsto de chegada. Como o sinal de celular é instável em áreas de mata, o uso de mapas offline e aplicativos de GPS é a recomendação padrão para evitar desorientação.

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Como agir em casos de emergência?

Saber como agir nos primeiros minutos após um incidente pode evitar que o quadro se agrave. “As duas situações que demandam atenção no turismo de aventura são entorses e picadas de animais peçonhentos. Porém, em áreas remotas, o objetivo não é ‘curar’, mas sim estabilizar a pessoa até que ela possa chegar a um hospital ou ser resgatada”, explica o médico.

contato com a natureza
Foto: César Badilla Miranda | Unsplash

Segundo o especialista, o resgate deve ser acionado imediatamente se: houver suspeita de fratura (deformidade ou incapacidade total de movimento); a vítima apresentar sinais de choque (pele pálida, fria, pulso rápido e fraqueza); houver perda de consciência ou confusão mental; ocorrer picada de cobra, mesmo que a pessoa pareça bem no início.

Por fim, onde não houver sinal de celular, envie alguém do grupo (sempre em dupla) de volta até o ponto onde o sinal funciona, levando anotado: local exato (coordenadas GPS), horário do acidente, sintomas da vítima e descrição do animal (se possível).

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