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Desafio revela alimentos que ajudam a regenerar a natureza

Empresas de todo o mundo criaram produtos baseados nos princípios da economia circular

Published 05/02/2025
alimentos natureza

Foto: Fundação Ellen MacArthur

Após uma jornada de um ano e meio de aprendizado e inovação, os produtos desenvolvidos durante o Desafio ‘O Grande Redesenho de Alimentos’, promovido pela Fundação Ellen MacArthur em parceria com o Sustainable Food Trust, foram oficialmente apresentados em evento realizado no dia 30 de janeiro em São Paulo. O Desafio convidou empresas de todo o mundo a criar ou redesenhar produtos alimentícios usando os princípios da economia circular, com o intuito de regenerar a natureza. Ao todo, foram desenvolvidos 141 produtos por 57 empresas, em 12 países.

No Brasil, 11 empresas aceitaram o desafio e chegaram à fase final da jornada: Amazônia Agroflorestal, Amazonika Mundi, Bebajapí Bebidas Fermentadas, Cuíca, Horta da Terra, Mahta, Nude, Nutricandies, Puravida, Santa Food e Viva Regenera. As inovações incluem um cereal proteico feito à base da biomassa da aveia; blend proteico em pó com ingredientes da floresta amazônica, como o cogumelo Yanomami e a castanha-do-Brasil; creme adoçante de mel de cacau; pão de mel com recheio à base de doce de biomassa de banana verde; e muitos outros.

No Brasil, 11 empresas aceitaram o desafio e chegaram à fase final da jornada. | Foto: Fundação Ellen MacArthur

Os produtos submetidos ao desafio foram desenvolvidos com base no modelo de design circular de alimentos, que propõe critérios de escolhas de ingredientes, fornecimento e embalagem para que o resultado final ajude a natureza a prosperar. O modelo sugere que sejam priorizados ingredientes mais diversos em espécies e culturas; o uso de coprodutos alimentares; a escolha de ingredientes que geram menor impacto ambiental; e que a maioria desses sejam produzidos com práticas que regeneram a natureza. Além disso, as embalagens desses produtos devem seguir os princípios da economia circular, isto é, evitar a geração de resíduos e poluição e ser feita de materiais que possam circular na prática e em escala.

“O Desafio ‘O Grande Redesenho de Alimentos’ foi uma forma de demonstrar que é possível desenvolver produtos priorizando o resultado positivo que eles trarão para a natureza. Isso é fundamental para desencadear uma mudança no nosso atual sistema de alimentos, para que ele deixe de ser um dos principais contribuintes para as mudanças climáticas e para a perda de biodiversidade e passe a ser parte da solução a esses desafios”, afirma Luisa Santiago, diretora executiva para a Fundação Ellen MacArthur na América Latina. “Essa jornada de inovação também é um convite para que outras empresas de alimentos vejam que é possível desenvolver produtos que são bons para as pessoas e para a natureza e comecem a repensar o seu portfólio com base no design circular de alimentos”, completa.

Da ideia ao produto final: relembre o Desafio

Lançado em 2023, o Desafio ‘O Grande Redesenho de Alimentos’ se originou a partir do relatório de mesmo nome, que analisou o papel que as empresas de bens de consumo de não duráveis e os varejistas de alimentos podem ter rumo a um sistema de alimentos que gere impactos positivos para os negócios, as pessoas e o meio ambiente. O relatório demonstrou como as empresas poderiam pensar o seu portfólio de produtos de modo a desencadear mudanças positivas no campo em termos de aumento de biodiversidade, captura de carbono, melhoria da qualidade da água, ar e solo e diminuição da pressão sobre a terra. A partir dessa análise, foi apresentado o modelo do design circular de alimentos como uma ferramenta para colocar em prática essa mudança.

Os produtos submetidos ao desafio foram desenvolvidos com base no modelo de design circular de alimentos. | Foto: Mahta | Divulgação

O Desafio surgiu para mostrar como essa reformulação de produtos poderia acontecer na prática. A jornada se dividiu em três etapas. Na primeira, a fase de design, as empresas participantes tiveram a oportunidade de assistir a uma série de webinars com especialistas em economia circular para aprender sobre o design circular de alimentos e formular o conceito dos seus produtos. As ideias que atendiam os critérios do Desafio passaram para a segunda etapa, a fase de produção, na qual as empresas desenvolveram o produto na sua totalidade.

Na fase de produção, 19 startups e PMEs foram contempladas com um subsídio total de £570.000 (aproximadamente R$4.101.725), sendo £30.000 (aproximadamente R$215.880) por empresa, para ajudar na execução das suas propostas de produtos. Entre as contempladas, destacaram-se quatro empresas brasileiras: Bebajapi Bebidas Fermentadas, Horta da Terra, Mahta e Nutricandies.

Cacau Ativado da Floresta. Foto: Viva Regenera

Para Santiago, “as empresas partiram de estágios diferentes no desenvolvimento dos seus produtos. Algumas já estavam avançadas no seu modo de escolher ingredientes e fornecedores, enquanto outras começaram do zero. Esse subsídio foi um auxílio para garantir que as boas ideias de fato se concretizassem.”

Apoio do Carrefour

A fase de produção também contou com a participação ativa do Grupo Carrefour Brasil, um dos apoiadores varejistas do Desafio. Por meio de orientações individuais, a empresa compartilhou o conhecimento e experiência do varejo e da relação direta com consumidores como forma de auxiliar os participantes a criarem opções que não fossem apenas viáveis, mas também mais acessíveis e contribuíssem com o aprendizado e conscientização do consumidor.

“Somos um elo entre quem produz os alimentos e nossos consumidores brasileiros. Ser esse elo é também poder contribuir para evoluções e novas abordagens de produção e de consumo. O que nos move é colaborar com toda cadeia até o consumidor final para oferecer alimentos de qualidade socioambiental de maneira acessível aos brasileiros e brasileiras”, afirma a diretora sênior de Sustentabilidade do Grupo Carrefour Brasil, Susy Yoshimura.

Imagem: Fundação Ellen MacArthur

A fase de exibição, que foi iniciada no último dia 30, apresenta ao público os produtos finais, que começam a ficar disponíveis aos consumidores em diversos países. Os apoiadores varejistas que, além do Grupo Carrefour Brasil, incluem Quitanda, Casa Rica, Waitrose, Abel & Cole e Fortnum & Mason, escolherão alguns dos produtos do Desafio para estarem nas suas prateleiras. Tais criações poderão ser identificadas pelos consumidores por meio do selo “Aliado da natureza”.

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