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Sistema mapeia riscos climáticos e propõe soluções de adaptação

Com tecnologia do Google Cloud, plataforma Natureza ON é lançada pela Fundação Grupo Boticário e MapBiomas

Published 28/10/2025

Foto: Jackson Rodrigues | Prefeitura de Goiânia

Secas prolongadas, enchentes catastróficas, frequentes ondas de calor. O Brasil e o mundo têm sofrido com eventos extremos intensificados pelas mudanças climáticas. Como resposta a tal urgência, o MapBiomas e a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, usando tecnologia do Google Cloud, unem suas expertises para a criação de uma plataforma que mapeia riscos climáticos e propõe soluções de adaptação e resiliência urbana.

Batizada de Plataforma Natureza ON, a iniciativa permite que qualquer pessoa possa consultar o nível de vulnerabilidade de uma rua, bairro, território, município ou bacia hidrográfica. Além disso, a ferramenta sugere Soluções Baseadas na Natureza (SBN), que contempla iniciativas que aproveitam a própria natureza, como arborização, parques lineares, renaturalização de rios, restauração de ecossistemas costeiros, sistemas naturais de drenagem, entre outros, para reduzir riscos climáticos, melhorar a qualidade de vida da população e contribuir com a conservação da biodiversidade.

Parque Bacacheri. Foto: Lucilia Guimarães/SMCS

Essa preocupação é reforçada por dados recentes que evidenciam o agravamento dos impactos climáticos no país. De acordo com estudo da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica, em parceria com a Fundação Grupo Boticário, os desastres climáticos aumentaram 250% no início desta década (2020–2023), em comparação com os registros da década de 1990. Segundo os pesquisadores, para cada aumento de 0,1°C na temperatura média global do ar, ocorreram 360 novos desastres climáticos no Brasil.

Como funciona a Plataforma Natureza ON

Com três níveis de recorte – setor censitário, município e bacia hidrográfica – todo o território brasileiro está mapeado na plataforma. Deslizamento, inundação, segurança hídrica, uso e ocupação do solo são os principais indicadores do sistema. Em uma área com risco de inundações, por exemplo, podem ser recomendadas estratégias para aumentar a permeabilidade do solo, como jardins de chuva, telhados verdes e biovaletas. Em alguns casos, também podem ser recomendadas lagoas de retenção, parques alagáveis ou a criação de parques lineares nas margens dos rios.

Segundo André Ferretti, gerente sênior de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, o sistema foi criado para ser intuitivo, pensado para ser usado por qualquer pessoa. “Ao entrar, a plataforma já identifica a localização e, inserindo CEP ou cidade, mostra as informações principais. As estatísticas e explicações das soluções aparecem prontas, com desenhos e casos reais que facilitam o entendimento. A ideia é tornar tudo simples, visual e acessível, aproximando as pessoas das soluções na prática”, diz.

O sistema também oferece informações relevantes para a iniciativa privada e pesquisadores. Entre possíveis usos, imagine que empresas e investidores possam avaliar riscos de localização e operação antes de abrir um negócio ou que um cidadão entenda o grau de vulnerabilidade climática de determinada região antes de comprar um imóvel ou mudar de cidade.

Soluções para adaptação climática nas cidades

Para além de munir a sociedade com dados acessíveis, atualizados e orientados à ação, as funcionalidades da plataforma podem influenciar a condução de planejamentos urbanos resilientes e contribuir com a criação de planos de prevenção a desastres naturais, afinal, a adaptação climática é uma ação local, uma vez que os impactos e soluções variam conforme o relevo, tipo de solo e uso do território.

Foto: Alexander Robinson

Todo o código-fonte é aberto e gratuito, permitindo o uso e aprimoramento por qualquer entidade interessada. Aliás, uma das ideias é justamente popularizar o acesso a ferramentas de mapeamento ambiental, tornando-as acessíveis e customizáveis para governos locais, universidades e ONGs. Desta forma, estados ou prefeituras poderiam, por exemplo, criar suas próprias plataformas, adaptando-se a diferentes temas ou regiões.

“É a primeira plataforma construída sobre a própria plataforma do mundo. A gente criou um modelo que permite reproduzir isso, de forma que outras organizações possam construir suas próprias plataformas com facilidade. É como um LEGO: você pega os componentes da plataforma original e pode montar em qualquer outro site. Essa é a primeira criada com essa ideia”, explica Tasso Azevedo, coordenador geral do MapBiomas -, a mais completa base de dados espaciais sobre o uso da terra no país.

Foto: Prefeitura de Curitiba

Desde 2015, o MapBiomas validou mais de 470 mil alertas de desmatamento (280 mil na Amazônia) e identificou atividades ilegais, como garimpo e pistas de pouso clandestinas, inclusive em terras Yanomami. Seus dados apoiam políticas públicas, fiscalização e ações judiciais, em um modelo de ciência aberta, que reúne universidades, ONGs e empresas de tecnologia.

Do analógico ao digital

Há mais de uma década, André Ferretti imaginou a possibilidade de mapear, com funcionários e clientes, os desafios ambientais cotidianos. Apesar de analógica (a ideia seria usar mapas em papel e canetas coloridas), foi uma ideia pioneira, que, agora, se concretiza com o lançamento da Plataforma Natureza ON.

Foto: Suzanna Tierie

Materializando essa visão inicial em uma ferramenta dinâmica e colaborativa, o sistema foi concebido para estar em constante evolução. A plataforma não faz projeções futuras automáticas, pois se baseia em dados concretos já observados. Mas, ao integrar dados científicos e inteligência artificial, passará por atualizações contínuas, uma vez que tanto os problemas como as soluções estão em transformação. Mudanças no território podem ocorrer, como desmatamentos e incêndios, assim como novas estratégias podem surgir.

Na imagem, Parque Guairaca, no CIC.
Foto: Luiz Costa/SMCS

A expectativa é que o uso da ferramenta contribua de forma prática para a adaptação às mudanças climáticas. “O que a gente espera ver a longo prazo é que alguns desses riscos vão diminuir justamente porque a gente está adotando as medidas certas para mitigar esses riscos”, destaca Ferretti.

Tecnologia

O novo serviço, que já conta com o uso do Google Earth Engine pelo MapBiomas no monitoramento da cobertura e do uso da terra em todo o Brasil, também utilizará um conjunto robusto de tecnologias do Google Cloud, como o BigQuery, que será empregado para processar e analisar volumes massivos de dados climáticos e sociais em alta velocidade, enquanto o Cloud Storage garantirá o armazenamento seguro e resiliente das informações. Essas arquiteturas integradas permitem a escala e a agilidade necessárias para um desafio de amplitude nacional e, além disso, o Google Cloud também participou do projeto através do seu time de consultores que ajudaram no desenho da arquitetura.

Foto: Prefeitura de Sobral

“Hoje, nenhuma informação é mais crítica do que os dados que podem nos ajudar a compreender e a nos adaptar às mudanças climáticas. Ao aplicar IA e outras soluções de nuvem a conjuntos de dados ambientais complexos, podemos transformar informação em insights acionáveis. A Plataforma Natureza ON é um exemplo perfeito desse princípio em ação”, afirma Ricardo Fernandes, Head do Google Cloud no Brasil.

Foto: Prefeitura de Goiânia

Além da robustez tecnológica, o projeto também reflete uma preocupação com a sustentabilidade em sua infraestrutura digital. A ferramenta opera na Google Cloud, cuja instalação no Brasil funciona com 90% de energia limpa. Isso significa que o processamento e armazenamento dos dados possuem baixo impacto ambiental, alinhando-se aos princípios do projeto.

O lançamento oficial da plataforma será no dia 11 de novembro, durante a COP30, em Belém (PA).

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