Em 40 anos, Amazônia perdeu quase 50 milhões de hectares de florestas
Desmatamento acelera e aproxima bioma do ponto de não retorno, revelam dados do MapBiomas
Desmatamento acelera e aproxima bioma do ponto de não retorno, revelam dados do MapBiomas
A Amazônia é o maior bioma do país. Com 421 milhões de hectares, ocupa quase metade (49,5%) do território brasileiro. Mas, tanta magnitude está em risco: o bioma perdeu 52 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2024, uma redução de 13% de sua cobertura original. A supressão incidiu principalmente sobre formações florestais, que perderam quase 50 milhões de hectares (49,1 milhões) de área nos últimos 40 anos. No mesmo período, a agropecuária cresceu 415% na Amazônia.
O levantamento, feito a partir da análise de imagens de satélite, consta na nova Coleção 10 de mapas do MapBiomas. Por meio destes dados, é possível entender como a antropização da Amazônia é recente: 83% da área antropizada no bioma ocorreu nestas últimas quatro décadas. Segundo a entidade, os usos antrópicos, como agropecuária, mineração e infraestrutura, já ocupam 15,3% do bioma amazônico.
Toda essa situação culmina em um fator preocupante: a possibilidade da Amazônia chegar ao ponto de não retorno.
O avanço do desmatamento está levando a Amazônia a um limiar crítico. “A Amazônia brasileira está se aproximando da faixa de 20% a 25% prevista pela ciência como o possível ponto de não retorno do bioma, a partir do qual a floresta não consegue mais se sustentar”, alerta Bruno Ferreira, do MapBiomas. Ele completa: “Já podemos perceber alguns dos impactos dessa perda de cobertura florestal, como nas áreas úmidas do bioma. Os mapas de cobertura e uso da terra na Amazônia mostram que ela está mais seca”.

As áreas úmidas da Amazônia, incluindo rios, campos e florestas alagáveis, recuaram 2,6 milhões de hectares entre 1985 e 2024. Oito dos dez anos com maior redução de superfície de água ocorreram na última década.
A ocupação humana da Amazônia cresceu 471% nos últimos 40 anos, um acréscimo de 57 milhões de hectares de uso antrópico. Confira os pontos de maior pressão neste impacto:

Embora a soja ainda ocupe 5,9 milhões de hectares na Amazônia em 2024, a Moratória da Soja, firmada em 2008, reduziu drasticamente sua relação direta com o desmatamento.
“De lá para cá, a conversão direta de formação florestal para soja reduziu em 68% (769 mil hectares). Após 2008, a soja cresceu principalmente em áreas já abertas de pastagem (+2,8 milhões de hectares, ou +1047%) e de agricultura (+1 milhão de hectares / +2708%)”, mostram os dados do MapBiomas.
Atualmente, três em cada quatro hectares convertidos para agricultura (74,4%) são ocupados por lavouras de soja.
O estado de Rondônia se destaca como o mais impactado pela conversão de vegetação nativa em pastagens, que passaram de 7% do território estadual em 1985 para 37% em 2024. Hoje, Rondônia possui a menor proporção de cobertura nativa na Amazônia: apenas 60%, à frente de Mato Grosso (62%), Tocantins (65%) e Maranhão (67%).
A região AMACRO (Acre, Amazonas e Rondônia) concentrou 14% da perda líquida de vegetação nativa na Amazônia nos últimos 40 anos, com destaque para os últimos 10 anos, que registraram a maior parte dessa perda: 2,7 milhões de hectares.
Em 2024, cerca de 6,9 milhões de hectares da Amazônia eram de vegetação secundária, ou seja, áreas em regeneração após o desmatamento. Esse tipo de vegetação, no entanto, é menos afetado pela supressão atual. Segundo os dados, “em 2024, 88% do desmatamento na Amazônia aconteceu em áreas de vegetação primária; apenas 12% foram em vegetação secundária”.
