Família Schurmann Voz dos Oceanos
Foto: Divulgação
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A situação é grave e o desafio de encontrar soluções para a poluição plástica, que já pode ser considerada uma epidemia mundial, é enorme. Os danos ao meio ambiente e à saúde humana causados pelo plástico crescem a cada dia. 

“O descarte incorreto desse material contribui para a redução da biodiversidade, poluição dos mares e, consequentemente, para a degradação do ecossistema. E, mesmo assim, a sua produção e consumo continuam crescendo”, afirma Vilfredo Schurmann.

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A família Schurmann faz parte do grupo de incansáveis que buscam entender e diminuir o impacto que o plástico causa no planeta, em especial nos oceanos. Com este objetivo eles irão sair de Santa Catarina, no final de agosto, para mais uma expedição. 

Foto: Facebook | Família Schurmann

A bordo do veleiro Kat, a família Schurmann vai passar 24 meses no mar e deve percorrer a seguinte rota: costa brasileira, ilhas do Caribe, costa atlântica dos Estados Unidos, arquipélago das Bermudas, voltando para o Caribe, cruzando o canal do Panamá, navegando até Galápagos, seguindo pelo Oceano Pacífico Sul até a Polinésia e terminando na Nova Zelândia, além de navegar por alguns pontos dos mares, onde os mais variados itens de plástico se acumulam, vindos de diferentes partes do mundo por meio das correntes marítimas.

“A expedição Voz dos Oceanos terá 24 meses. Vamos documentar a poluição plástica nos mares e identificar possíveis soluções para a questão, mobilizando cientistas, empreendedores, escolas, poder público, setores privados e a população em geral em 40 destinos”, relata Heloisa Schurmann.

Pesquisa científica

Um dos objetivos da expediçãoé documentar, especificamente, a poluição plástica nos mares. A expedição faz parte do movimento voz dos Oceanos e tem como parceira a Infinito Mare, empresa fundada pelo cientista ambiental e marinho Dr. Bruno Libardoni. O projeto tem três metas principais:

Investigar a qualidade da água e a biogeoquímica dos oceanos. Um sistema autônomo de elevada eficiência e sustentabilidade será instalado a bordo para analisar e acompanhar a expedição. Observações em alta resolução, com dados coletados a cada minuto de lugares contrastantes com o objetivo de mostrar os impactos sofridos pelos oceanos e sua biogeoquímica, que visa compreender como as atividades humanas estão alterando a química dos ecossistemas marinho-costeiro, buscando soluções para reverter este cenário.

Analisar áreas mais amplas dos oceanos, em associação com vôos de drone e sensoriamento remoto via satélites. Uma câmera hiper-espectral acoplada a um drone fará vôos periódicos para coletar informações sobre a interação da luz do Sol na superfície da água. Como todos os objetos possuem uma assinatura espectral (uma identidade), incluindo o lixo plástico, os sensores serão calibrados a fazer a leitura via Assinatura Espectral dos materiais detectando, assim, materiais plásticos presentes na superfície da água do mar.

Construir o Hub Voz dos Oceanos, uma rede global para defender e proteger os oceanos, a fim de disponibilizar, de forma veloz, dados confiáveis para a comunidade científica e para a opinião pública em geral, unindo assim pesquisadores, ambientalistas, empreendedores, ONGs, instituições e governos em torno de um propósito comum: proteger e conservar os oceanos.

Foto: Facebook | Voz dos Oceanos

A presença científica na expedição garantirá que validações rigorosas sejam feitas juntamente com manutenções e calibrações técnicas a cada dois meses. Um Conselho Científico Consultivo composto por 10 renomados cientistas brasileiros e quatro estrangeiros também vai contribuir com as pesquisas. 

“Montamos um time de profissionais com grande experiência em um approach disruptivo e inter-transdisciplinar nas Ciências Marinhas. Afinal, o pilar científico da Voz dos Oceanos é um projeto de pesquisa inédito no mundo, que busca unir a comunidade científica. Será como explorar as águas usando um microscópico e um telescópico, desde uma gota d’água até largas porções dos mares, o objetivo é mostrar a ciência por trás da Voz dos Oceanos”, afirma o Dr. Bruno Libardoni. 

David Schurmann, um dos líderes da iniciativa Voz dos Oceanos. “Por meio da parceria com a Infinito Mare, esperamos aprofundar ainda mais os conhecimentos em torno dos impactos gerados pela produção, consumo e descarte do plástico e do microplástico. Isso será relevante, inclusive, para outra meta do nosso projeto: encontrar soluções e alternativas para reverter o cenário preocupante, que sufoca nossos oceanos”, acrescenta David.

Voz dos Oceanos

Foto: Facebook | Voz dos Oceanos

A expedição faz parte do movimento Voz dos Oceanos, lançado em dezembro de 2020 pela Família Schurmann. O programa recebeu apoio do Programa da ONU para o Meio Ambiente e, além das atividades de campo, tem também um pilar de tecnologia. Em parceria com a Spin, empresa aceleradora de startups, soluções tecnológicas capazes de ajudar as indústrias a reduzirem o impacto dos plásticos e microplásticos nos mares e oceanos são avaliadas e aceleradas. 

Na jornada global para identificar startups inovadoras, 1,5 mil inscritos deverão ser selecionados para o processo classificatório. Os melhores terão a oportunidade de conectar as soluções com demandas de indústrias ligadas à cadeia de valor do plástico, passar por aceleração e receber investimento para impulsionar as iniciativas. 

Espera-se que as propostas contemplem as mudanças necessárias impostas pela pandemia. Nos últimos meses, as corporações precisaram se reinventar ainda mais e, ainda, direcionar o olhar com mais intensidade à responsabilidade ligada ao ESG (Environment, Social and Governance ou meio ambiente, social e governança).

Além disso, um pilar educativo vai desenvolver atividades com ONGs, escolas e educadores em cada ponto de parada da expedição. O objetivo é conscientizar um número cada vez maior de pessoas sobre os cuidados necessários com a conservação dos oceanos por meio do compate ao uso e descarte inadequado de produtos plásticos.

Poluição plástica nos oceanos

plásticos nos oceanos
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  • Mais de 8 milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos todos os anos. O custo ambiental atinge US$ 8 bilhões anualmente.
  • Em 2018, a produção mundial foi de 280 milhões de toneladas de material plástico. Um terço dessa produção são de itens de uso único, como sacolas, canudos ou copos.
  • Segundo o Banco Mundial, o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico no mundo, com 11,3 milhões de toneladas, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia.
  • O Brasil recicla menos de 2% do lixo plástico coletado. Esse é um dos menores índices da pesquisa e bem abaixo da média global de reciclagem plástica, que é de 9%.
  • O custo estimado do lixo marinho varia de € 259 a € 695 milhões, principalmente para o setor do turismo e da pesca.
  • A reciclagem de 1 milhão de toneladas de plástico equivale a retirar 1 milhão de carros das estradas (CO2).
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