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Bitucas viram moeda de troca por alimentos na Holanda

Projeto transforma bitucas e outros resíduos em recompensas, incentivando a limpeza urbana e a conscientização ambiental

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Foto: Pixabay

As bitucas de cigarro estão ganhando um destino inusitado na Holanda: virar moeda de troca por comida. Em algum lugar do país, um pequeno carrinho ambulante recebe punhados desses resíduos e oferece, em troca, porções de poffertjes, as tradicionais mini panquecas holandesas. A iniciativa é promovida pela WasteBar, um projeto que recompensa quem recolhe lixo das ruas, transformando a coleta de resíduos em uma experiência prática e acessível. Bitucas de cigarro e latas são a principal “moeda” utilizada, enquanto alimentos e bebidas estão entre as recompensas disponíveis. 

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A escolha pelas bitucas não é por acaso. Todos os anos, os Países Baixos descartam entre cinco e dez bilhões delas. Embora muita gente não perceba, cada filtro é produzido com acetato de celulose, um tipo de plástico que pode levar até uma década para se decompor. Nesse período, libera nicotina e metais pesados no solo e nos cursos d’água, ampliando os impactos ambientais. Para enfrentar esse problema, a WasteBar firmou parceria com a artista Angelina Kumar e com a organização UPPACT, especializada em reciclar resíduos plásticos e transformá-los em novos produtos. 

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Foto: Pixabay

Dessa colaboração nasceu a instalação Het Peukenbos (A Floresta de Bitucas de Cigarro), criada por Kumar a partir de mais de 500 mil bitucas coletadas e em exibição na cidade de Utrecht até setembro de 2025. A campanha de 2026 estabeleceu uma meta ainda mais ambiciosa: reunir um milhão de bitucas para que o material seja reciclado pela UPPACT e convertido em um banco ou conjunto de jardim. O projeto busca mostrar que um resíduo altamente poluente pode ser reaproveitado, ao mesmo tempo em que estimula a participação da população. 

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Ao chegar ao carrinho, porém, os visitantes não recebem apenas panquecas. A equipe da WasteBar aproveita a interação para explicar os danos que as bitucas causam ao meio ambiente e orientar sobre a separação e a reciclagem de outros tipos de resíduos. A abordagem é simples e discreta: a comida atrai as pessoas, mas elas saem levando também informação. Embora a ideia de recolher bitucas de desconhecidos em troca de um lanche possa parecer improvável, os resultados mostram o contrário. Os Países Baixos produzem cerca de 50 milhões de quilos de lixo por ano, e o projeto encontrou uma forma de tornar a limpeza das ruas uma atividade recompensadora. Afinal, seja com dez ou cem bitucas, a cidade fica um pouco mais limpa e quem participa também leva algum benefício para casa. 

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