Cortar o cabelo pode ser algo simples, mas também pode ser uma prática com significados que vão muito além da estética e da moda. Doar as “madeixas” para a fabricação de perucas é um jeito indolor de ajudar pessoas que estão na batalha contra o câncer.

Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer, somente em 2014, mais de 235 mil mulheres devem ser diagnosticadas com essa doença. Em consequência dos tratamentos altamente agressivos, é comum que ocorra a queda dos pelos e cabelo, o que acaba afetando a autoestima de muitas pacientes. Em contrapartida, existem mulheres com cabelo de sobra e dispostas a ajudar.

Este é o caso das amigas Raíssa Muniz e Marina Marconi. As duas jovens, do interior de São Paulo, resolveram se desapegar dos cabelões por uma causa muito justa. “Quando menina, eu gostava muitos dos meus cabelos e não gostava muito de cortá-los. Mas, essas meninas não têm escolha. Fiquei imaginando o quanto isso deve afetar a autoestima delas e resolvi que queria ajudar o projeto”, explica Marina, que doou para o Cabelegria, uma iniciativa parceira do Hospital do Câncer de Barretos.

O projeto escolhido por elas para a doação é recente. Criada em outubro de 2013, a ONG foi idealizada por Mylene Duarte e Mariana Robrahn, ambas de São Paulo. A intenção era obter uma ferramenta que conectasse os dois pontos da cadeia: quem quer ajudar, mas não sabe como, e quem precisa receber. Deu certo. Em pouco mais de sete meses de trabalho, a página no Facebook teve mais de 195 mil seguidores e as doações já ultrapassavam os sete mil, com mais de 20 perucas entregues. Hoje, a página conta com mais de 218 mil curtidas.

O processo é simples. O mais difícil é realmente criar coragem para cortar o cabelo. “Já faz cinco anos que eu quero doar, mas faltava coragem e achava que ficaria feia com cabelo curto, sempre fui de brigar por cada dedo cortado do meu cabelo. Acordei uma manhã, lavei o cabelo e me olhei no espelho. Aquele monte de cabelo me fez lembrar que tem muitas meninas que adorariam ter um pouco dele. Aí a coragem surgiu como uma luz. Foi incrível”, conta Raíssa. Tanto ela, como Marina, tiveram contato com outras amigas que fizeram o mesmo tipo de doação, o que deu um incentivo a mais.

Como participar?

Alguns passos devem ser seguidos para o melhor aproveitamento do cabelo doado. O Cabelegria dá as dicas: primeiro é importante salientar que são aceitos qualquer tipo de cabelo, mesmo os que possuem algum tipo de tratamento químico.

Para doar é necessário que ele tenha o comprimento mínimo de dez centímetros. Antes de cortar amarre-o em um rabo de cavalo, corte acima dessa marcação e guarde este cabelo em um saco plástico. Ele pode ser enviado por correio para qualquer ONG que atua nesta área. Uma sugestão é enviar diretamente ao Hospital do Câncer de Barretos, que possui uma parceria com os Correios, assim o envio é gratuito.

Curiosidade

Em junho deste ano a ONG Mexicana Casa de La Amistad realizou um festival beneficente de rock. A entrada poderia ser paga em dinheiro ou com a doação de cabelo, cortado na própria entrada do show. A ação, criada pela agência Ogilvy, foi um sucesso e no fim do HairFest, que durou apenas oito horas, a organização comemorou a arrecadação de cabelo suficiente para produzir 107 perucas. Veja abaixo o vídeo da ação: 

Por Thaís Teisen – Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.