mulher negra
Foto: Pixabay
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No dia 25 de julho, próximo domingo, é celebrado o Dia da Mulher Negra, Latina e Caribenha. Para marcar a data, no Brasil, este dia tem vai homenagear a líder Teresa de Benguela, que no século XVIII comandou por décadas o quilombo de Quariterê, simbolizando a resistência contra a escravidão e enaltecendo a força da mulher negra.

Na década de 70, o Movimento das Mulheres Negras (MNN), criou base para o feminismo negro após constatar o feminismo no seu conceito mais amplo, não representava a dupla discriminação das mulheres negras – de gênero e de raça. 

Esta visão é defendida pelas contemporâneas embaixadoras do feminismo negro, como a filósofa e pesquisadora Djamila Ribeiro. Ela defende a importância de um movimento específico que aborde todos os preconceitos e discriminações sofridos pela mulher afrodescendente.

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Para Vania Santana, membro da Coalizão Negra de Direitos, uma grande fatia da sociedade representada pelas mulheres negras não tem voz na mídia e quando são retratadas são sempre através de situações de precariedade e condições de miséria.

A mulher negra busca sua representatividade e o fortalecimento de sua comunidade através da expressão, em sua grande maioria, de mães de família, pobres e periféricas.

Vania ressalta essas mulheres têm muito a agregar na sociedade com suas vivências, conhecimentos e perseverança.

Baixa representação na sociedade

A representatividade política das mulheres negras também é muito inexpressiva. Se por um lado elas são cerca de 28% da população brasileira, por outro, menos de 5% dos cargos de administração municipal são preenchidos por elas.

No mundo corporativo a situação não é diferente. A pesquisa intitulada “Potências (in)visíveis: a realidade da mulher negra no mercado de trabalho”, realizada no final de 2020, pela consultoria Indique uma Preta e a empresa de pesquisas Box1824, entrevistou 1000 mulheres negras.

De todas as entrevistadas, nenhuma era CEO. Apenas 2% ocupavam cargos de direção, 3% de gerência e a maioria, 54% estava sem nenhuma remuneração. Dentre as remuneradas, as negras recebem em média 58% do que recebem suas colegas brancas. Ou seja, a situação da mulher negra no mercado de trabalho é dura e injusta.

De olho nessa situação, o Indique uma Preta foi criado para realizar um trabalho pela inserção e acolhimento da mulher no mercado de trabalho. As idealizadoras sentiram a necessidade de uma rede de apoio à mulher negra pois suas experiências sempre foram solitárias e árduas durante o crescimento profissional.

Para saber mais, siga o perfil no Instagram: @indiqueumapreta.

O caminho da equidade é longo, contudo, ao menos hoje temos nossas mulheres inspiradoras que apesar de poucas, nos enchem de esperança de um mundo mais diversificado e representativo. Conheça algumas delas:

Conheça algumas defensoras do feminismo negro

Lélia Gonzalez

Filósofa e antropóloga, Lélia participou ativamente do Movimento Negro Unificado (MNU), da criação do Instituto de Investigação da Cultura Negra (IPCN)e do Coletivo de Mulheres Negras e produziu rico material sobre a posição da mulher negra e indígena. Foi uma das primeiras pessoas a tratar da intersecção de raça, gênero e classe social.

Segundo ela “Tratar da divisão sexual do trabalho sem articulá-la com seu correspondente em nível racial, é recair numa espécie de racionalismo universal abstrato, típico de um discurso masculinizado e branco.”

Sueli Carneiro

Filósofa e doutora em educação pela Universidade de São Paulo (USP), Sueli fundou o Geledés (Instituto da Mulher Negra) em 1988, trazendo à tona a discussão de raça dentro do feminismo. Colabora com diversas mídias brasileiras e é autora do livro “Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil”. Foi uma das idealizadoras do projeto de cotas raciais para universidades públicas como forma de promover a inserção de negros no ensino superior.

Conceição Evaristo

Escritora e doutora em literatura pela Universidade Federal Fluminense. É um dos nomes mais expressivos da atual literatura brasileira. Sua origem humilde moldou sua obra e seu trabalho está pautado na promoção da cultura negra do país.

Djamila Ribeiro

Ativista, professora e filósofa, Djamila é uma das mais importantes vozes na desconstrução do racismo brasileiro. Autora de diversos livros, como “Pequeno Manual Antirracista” e “Quem tem medo do feminismo negro?” Leva a discussão do racismo estrutural a diversas camadas da sociedade através da internet e participação em diversos meios de comunicação.

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