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Do Xingu, Replikka vence o prêmio de Melhor Curta-Metragem Documental

É o primeiro curta brasileiro co-dirigido por um indígena a vencer o HotDocs em Toronto; filme agora é elegível ao Oscar

Published 08/05/2026
Replikka

Filme foi co-dirigido pelo cineasta indígena do Xingu Piratá Waurá e pela diretora Heloisa Passos. Foto: Fernanda Ligabue

Um curta brasileiro acaba de ser premiado no Hot Docs 2026, o maior festival de documentários da América do Norte e um dos mais importantes do mundo. Replikka, filme co-dirigido pelo cineasta indígena do Xingu Piratá Waurá e pela diretora Heloisa Passos, foi eleito o Melhor Curta-Metragem Documental Internacional. Com a premiação no festival, reconhecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, Replikka entra na corrida do Oscar

Em 2018, um ato de vandalismo destruiu gravuras históricas em uma caverna do Xingu, no município de Paranatinga, em Mato Grosso. Considerada sagrada, a gruta seria o lar do ancestral guerreiro Kamukuwaká – o local era tombado pelo Iphan. Uma força-tarefa criou uma réplica em 3D a partir da digitalização tridimensional das inscrições originais, unindo tecnologia à sabedoria ancestral xinguana. O filme justamente acompanha o ritual de inauguração da réplica em tamanho real (8 metros de largura x 4 metros de altura).

Foto: Heloisa Passos

“A réplica é um ato de resistência para preservar nossa história, cultura e cosmologia para as futuras gerações”, diz Akari Waurá, cacique da aldeia Topepeweke. 

Unindo memória e resistência, o filme é um desdobramento de quase dez anos de pesquisa colaborativa entre a People’s Palace Projects / Queen Mary University of London, Factum Foundation, antropólogos, arqueólogos, e o povo Wauja, em torno da preservação da gruta sagrada do Kamukuwaká. Com parceiros nacionais e internacionais, o projeto resultou na produção do curta Replika e também em uma experiência de realidade virtual – Kamukuwaká – O chamado da Floresta, também dirigido por Piratá Waurá em parceria com Francisco Almendra do Studio KWO.

O vídeo abaixo, produzido pelo Studio 1504, faz uma retrospectiva dessa história:

Replikka: trajetória de premiações

Além do prêmio em Toronto, o filme também recebeu reconhecimento de outros importantes festivais nacionais e internacionais: venceu os prêmios de Melhor Direção e Melhor Edição de Som no Festival de Brasília, em setembro de 2025; integrou a Seleção Oficial Première Brasil do Festival do Rio, em outubro de 2025; conquistou o Prêmio Canal Brasil de Melhor Curta no Panorama Coisa de Cinema, em março de 2026; e recebeu Menção Honrosa de Melhor Curta Ibero-Americano no Festival Internacional de Cine en Guadalajara (FICG), em abril de 2026.

Independentemente de entrar na premiação do Oscar, Replikka já é considerado um marco para o audiovisual indígena, uma vez que é o primeiro curta-metragem brasileiro com co-direção de um cineasta indígena a vencer o prêmio Hot Docs.

É o primeiro curta-metragem brasileiro com co-direção de um cineasta indígena a vencer o prêmio Hot Docs. Foto: Divulgação

“O Hot Docs reconhece não apenas nossa obra, mas a luta do nosso povo por memória e demarcação”, afirma o diretor Piratá Waurá. Já a Heloisa Passos salienta que “este prêmio pertence ao povo Wauja e a todos que acreditaram que tecnologia e memória ancestral podiam caminhar juntas.”

Para assistir ao curta, haverá uma boa oportunidade, em breve, em São Paulo. O filme é um dos 51 selecionados na Mostra Ecofalante.

Sinopse de Replikka

Na fronteira do Território Indígena do Xingu, uma gruta sagrada é vandalizada, ameaçando a memória coletiva dos povos do Xingu. REPLIKKA é uma meditação sobre memória, identidade, perda e renascimento, à medida que uma réplica em tamanho real da gruta é concebida, produzida e instalada na aldeia Ulupuwene para transferir conhecimento para nova geração.

Foto: Fernanda Ligabue

Esse filme nos convida a refletir sobre o conhecimento ancestral do povo Wauja e como tecnologia e sabedoria Indígena podem se unir como um ato de resistência. Dirigido por Piratá Waurá (Território do Xingu) e Heloisa Passos (São Paulo), o filme se constrói a partir de um ritual e um sonho, inteiramente falado na língua indígena, aruaki, e realizado com apoio de jovens da aldeia.

Foto: Heloisa Passos

Ficha Técnica

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