“O clima da Terra sempre mudou”. “Os dados de desmatamento da Amazônia são manipulados”. “O licenciamento ambiental atrasa o desenvolvimento do país”. “O agronegócio brasileiro é o mias sustentável do mundo”. “Tem muita terra para pouco índio”.

Quantas vezes não nos deparamos com afirmações das quais duvidamos? Muitas vezes estas afirmações vem pelas redes sociais ou WhatsApp acompanhadas de matérias em sites pouco conhecidos (e confiáveis), ou em vídeos e mensagens de áudio de pessoas que se dizem especialistas ou falam de experiências pessoais.

Vivemos um momento em que a disseminação de fake news, as famosas “notícias mentirosas”, não só é constante como também é arquitetada por grupos interessados em tirar proveito da falta de informação e da boa fé das pessoas.

Infelizmente, na área ambiental, as fake news também estão presentes e são especialmente perigosas. Ao deixar de receber a informação correta ou, pior, acreditar no que não é verdade, as pessoas passam a enxergar os alertas sobre as mudanças climáticas e consequências do desmatamento como irreais. Deixam de se preocupar e se mobilizar por medidas que protejam o planeta e a humanidade.

Fakebook

Para combater a desinformação e notícias falsas na área ambiental, foi lançado o site fakebook.eco.br. A plataforma surge para sistematizar, de maneira didática, o conhecimento essencial sobre os principais mitos, as distorções e os mal-entendidos que rondam o debate ambiental no Brasil.

No site, é possível encontrar quais são os maiores mitos ou as “Falácias Frequentes” (como aquelas que estão no início do texto) e dados reais sobre estas afirmações para ajudar a informar as pessoas e descontruir estes mitos.

Há também uma seção de verificações rápidas, chamada “Verificamos”, onde é possível checar a veracidade de declarações de autoridades ou fake news diversas sobre meio ambiente.

Foto: Reprodução | Fakebook

De acordo com os responsáveis pelo site, o compromisso da página é aliar o método jornalístico de verificação de fatos com as melhores referências científicas disponíveis. “Como ninguém é à prova de falhas, o site tem um canal de comunicação de erros”, esclarecem.

No lançamento do site, o físico Ricardo Galvão, ex-presidente do Inpe, publicou um artigo como colunista convidado falando sobre o cenário para a Amazônia com o desmatamento em alta.

Há também uma seção de vídeos, onde temas complicados são explicados de forma simples e alguns mitos são desvendados e afirmações falsas rebatidas.

Neste vídeo, o engenheiro florestal Tasso Azevedo conversa com a atriz Marisa Orth sobre licenciamento ambiental, um dos pedaços mais complexos e injustamente criticados da legislação socioambiental brasileira.

Inspiração na música popular

O nome é inspirado na música popular. Os fakebooks são uma tradição entre músicos de jazz, iniciada na primeira metade do século 20. Eles consistiam em compilações das informações básicas sobre diversas canções (os acordes, a melodia e, às vezes, a letra) para que os músicos pudessem improvisar livremente a partir delas.

Com um fakebook na mão, um bom músico de jazz ou bossa nova tem um roteiro mínimo que lhe permite sobreviver a qualquer apresentação.

“Quando nós começamos a checar as fake news mais frequentes do governo de Jair Bolsonaro na área ambiental, não imaginávamos que o resultado seria um libreto de 35 páginas. Ele acabou ganhando o nome de “Fakebook” – um trocadilho com seu conteúdo – porque também fornecia um roteiro mínimo a jornalistas, investidores e membros de governos e organizações internacionais que precisassem lidar com o discurso do governo sem ter conhecimento prévio da situação ambiental do Brasil”, conta o texto de apresentação do site.

Parcerias e financiamento

O site tem parceria com os portais de notícias ambientais e científicas  OecoInfoAmazôniaDireto da Ciência, Projeto Colabora, e com o blog O que você faria se soubesse o que eu sei?, do climatologista Alexandre Araújo Costa.

Ele é a junção de dois outros projetos: o Fakebook, produzido em colaboração pelo OC, o Greenpeace e o ClimaInfo em 2019, e o Agromitômetro, a iniciativa de checagem de informações ambientais do OC existente desde 2018.

Fakebook.eco é mantido pelo Observatório do Clima. A rede tem recursos do Instituto Clima e Sociedade, da Rainforest Foundation Norway, da Fundação Oak e da Climate and Land Use Alliance.