mulheres cientistas
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“Elas fazem ciência”. Este é o tema do primeiro Encontro da Pós-Graduação da Universidade de São Paulo (USP), organizado pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação e o Escritório USP Mulheres, com a participação da ONU Mulheres.

O evento acontece de 16 a 18 deste mês de forma on-line – para acompanhar é necessário se inscrever pelo site. A iniciativa vai reunir mais de 1.500 mulheres cientistas e será aberta para participação de todo o país.  

A ONU Mulheres estará na abertura do encontro com o painel “Desafios globais, regionais e locais para a promoção da igualdade entre homens e mulheres”, que  contará com a participação da diretora regional para as Américas e Caribe, Maria-Noel Vaeza, da representante no Brasil, Anastasia Divinskaya, e do líder global da iniciativa ElesPorElas (HeForShe), Edward Wageni.

A USP é uma das 10 universidades do mundo a fazerem parte do Impacto 10x10x10, de lideranças engajadas com o movimento ElesPorElas. 

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Programação

Durante os três dias do evento, acontecerão palestras, debates e workshops destacando o trabalho de grandes cientistas brasileiras incluindo lideranças de instituições científicas, empresas, escritórios de inovação e universidades. Uma mesa redonda especial abordará as contribuições das mulheres no enfrentamento à pandemia da Covid-19 no Brasil.

Outra sessão tratará de projetos que incentivam o acesso e a permanência de meninas e mulheres em áreas nas quais elas são sub-representadas, como ciência, tecnologia, engenharia e matemática. 

“Instituições de ensino pré-escolar e escolas desempenham um papel central na produção de diferenças entre meninos e meninas, fortalecendo e perpetuando a divisão sexual do conhecimento e contribuindo de maneira decisiva para o processo de afastamento de muitas meninas das ciências exatas e tecnologia”, explica Maria-Noel Vaeza, diretora regional da ONU Mulheres para Américas e Caribe. 

Desigualdade

Persiste no Brasil uma desigualdade de gênero e raça entre pesquisadores e pesquisadoras no país. De acordo com um levantamento da Gênero e Número,  em 2017, as mulheres recebiam apenas 20% dos financiamentos de pesquisa acima de 120 mil reais em exatas, engenharias e ciências da terra.

O Censo da Educação Superior de 2016 indica que apenas 3% do corpo docente de pós-graduação no Brasil era formado mulheres negras com doutorado. 

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“As mulheres negras são particularmente afetadas nessa conjuntura de disparidade. O enfrentamento dessa desigualdade deve ser prioridade na academia e também no mercado de trabalho. As empresas da área de ciência e tecnologia comprometidas com a promoção da igualdade de gênero podem adotar medidas concretas para combater as múltiplas discriminações que as mulheres, e particularmente as mulheres negras, enfrentam para ter acesso oportunidades educacionais e profissionais nas ciências e tecnologia”, afirmou Anastasia Divinskaya, representante da ONU Mulheres Brasil. 

No encontro, estudantes vão apresentar seus trabalhos na forma de e-pôsteres e participar de webinários com universidades estrangeiras parceiras. No último dia do evento, uma cerimônia vai apresentar os vencedores e as vencedoras do Prêmio USP de Tese e Prêmio de Melhores Vídeos de 2020, numa parceria com a TV Cultura.

Já foram recebidos cerca de 250 vídeos de curta de alunos e alunas matriculadas em programas de mestrado e doutorado. As produções audiovisuais devem estar inseridas em um dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. 

Cientistas brasileiras que inspiram 

Ao longo do encontro, o público participante conhecerá experiências de mulheres cientistas doutoras que marcaram a história e o seu tempo, bem como servem de referência para outras mulheres e para a sociedade.  

Entre elas estão:

  • A engenheira Edith Ranzini que em 1972 compôs a equipe responsável pela criação do primeiro computador brasileiro.
  • A física brasileira Marcia Bernardes Barbosa que no Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência foi reconhecida pela ONU Mulheres como uma das sete cientistas que moldaram o mundo.
  • A química Vanderlan da Silva Bolzan homenageada pela Sociedade Brasileira de Química com um prêmio que leva seu nome e tem o objetivo de reconhecer mulheres que se destacam na área.

Além destes trabalhos, o encontro também destaca o trabalho excepcional de mulheres frente à pandemia, como a reorganização histórica do Hospital das Clínicas da FMUSP, as pesquisadoras que decodificaram o genoma do primeiro caso da Covid-19 no país e viraram personagens da Turma da Mônica, além das análises científicas e sociais das respostas adotadas no Brasil.