Amazônia Imersiva: uma experiência de arte contemporânea em Belém
Experiência audiovisual em 360° entrelaça pinturas, fotografias, vídeos, música e arte digital da arte amazônida em um percurso sensorial
Experiência audiovisual em 360° entrelaça pinturas, fotografias, vídeos, música e arte digital da arte amazônida em um percurso sensorial
De 10 de março a 6 de maio de 2026, Belém recebe o projeto Amazônia Imersiva, uma experiência audiovisual 360° em grande formato dedicada à arte contemporânea amazônida. A programação acontece no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, um dos principais polos culturais da capital paraense.
Criado por dois importantes nomes da cena cultural do Pará, a cantora Aíla e a artista visual Roberta Carvalho, o projeto propõe uma imersão artística que combina tecnologia, música, artes visuais e ancestralidade amazônica.
“Se por séculos foram projetadas sobre a Amazônia imagens de ausência, violência e estereótipos, agora projetamos nossa presença. Uma presença forjada na arte, nas tecnologias que criamos, nos pensamentos que cultivamos e na disputa radical pelos nossos imaginários e narrativas”, comenta Roberta Carvalho, cocriadora do Amazônia Mapping, festival pioneiro de arte e tecnologia no Brasil, nascido em Belém do Pará.
A entrada é gratuita, mediante um breve cadastro realizado na portaria do espaço.
A ocupação Amazônia Imersiva será dividida em três ambientes principais, oferecendo ao público diferentes formas de contato com a produção artística da região.
No primeiro espaço acontece a experiência imersiva audiovisual, criada especialmente para o projeto. A obra reúne trabalhos de diversos artistas visuais da Amazônia, incluindo: Ailton Krenak, Coletivo Mahku, Elza Lima, Ge Viana, Glicéria Tupinambá, Hal Wildson, Jaider Esbell, Keila Sankofa, Olinda Silvano, Paulo Desana, Roberta Carvalho, Ronaldo Guedes, VJ Suave e PV Dias.

As obras, que transitam entre pintura, gravura, fotografia e vídeo, serão transformadas em projeções audiovisuais 360°, criando uma experiência sensorial ampliada.
A trilha sonora da instalação é conduzida pela cantora e pesquisadora musical Aíla e composta pelo produtor indígena amazonense Nelson D.. O trabalho percorre diversos ritmos e territórios sonoros da região, reforçando a pluralidade musical amazônica.
O áudio será distribuído no espaço com mixagem especializada e qualidade de som cinematográfico, ampliando a sensação de imersão do público.
Além da experiência audiovisual, o espaço também receberá apresentações ao vivo que combinam música e artes visuais, criando performances híbridas entre som e imagem.
Entre os destaques da programação estão:
Show As Amazônias 360º, com Aíla, Djuena Tikuna e Patrícia Bastos, acompanhado de visuais de Roberta Carvalho e Priscila Tapajowara

Performance do grupo peruano Dengue Dengue Dengue, responsável também pelos visuais
Apresentação do projeto UAPI Amazônia Percussiva, com projeções visuais de PV Dias e Nay Jinknss
A proposta curatorial destaca diferentes olhares sobre a Amazônia contemporânea, reunindo artistas de diversos estados, territórios e países.
“São muitos artistas envolvidos, desde a trilha sonora da experiência, que vai imergir em ritmos amazônicos, do marabaixo a música indígena, até a música eletrônica experimental e das radiolas de reggae do Maranhão. Teremos também apresentações ao vivo, de música e imagem, que reforçam o caráter híbrido e múltiplo do projeto”, adianta Aíla, artista-curadora e diretora artística do projeto, que foi responsável também pela direção musical da NAVE, projeto emblemático do Rock in Rio 2022, que levou mais de 50 artistas da região ao maior festival de música do mundo.
O segundo ambiente da exposição é a Sala Manifesta, um espaço dedicado à reflexão sobre as narrativas amazônicas.
No local, o público poderá conhecer: frases e conceitos de pensadores e artistas da Amazônia, biografias dos artistas participantes, além da instalação Ouriços Falantes. Nesta última, caixas de som são incorporadas a ouriços de castanha, transmitindo depoimentos e reflexões de artistas e pensadores sobre o significado de imergir na Amazônia.
A sala também contará com experiência em realidade virtual, permitindo ao visitante acessar obras do acervo do Amazônia Mapping em outra perspectiva.
A terceira sala do projeto apresenta uma abordagem expandida do conceito de tecnologia, destacando as chamadas tecnologias ancestrais da Amazônia.
O espaço convida o público a refletir sobre conhecimentos tradicionais ligados a: cultivo e manejo da floresta, alimentação e biodiversidade, medicina da floresta, práticas de cuidado e equilíbrio ambiental.
A proposta é mostrar que inovação e tradição caminham juntas, revelando a inteligência presente nas práticas culturais e ecológicas dos povos amazônicos.
O projeto também contará com uma colaboração internacional realizada em parceria com o British Council e o Instituto Guimarães Rosa, celebrando o Ano do Brasil no Reino Unido.
Dois artistas escoceses, Tom Scholefield e Sonia Killmann, participarão de uma residência artística em Belém, criando uma obra inédita em colaboração com artistas amazônidas, incluindo Renata Chebel e Nelson D.
O resultado será apresentado em um espetáculo especial de música e imagem, desenvolvido pelas duplas criativas.
O projeto arquitetônico da ocupação é assinado pelos arquitetos Luís Guedes e Pablo do Vale, sócios e fundadores da Guá Arquitetura.
A proposta espacial foi desenvolvida para potencializar as experiências sensoriais e imersivas do público ao longo das três salas da exposição.
O Amazônia Imersiva é uma exposição de grande formato que reúne obras de artistas da região amazônica utilizando tecnologias imersivas de imagem e som. A proposta é criar uma experiência sensorial que une arte, tecnologia e diversidade cultural, convidando o público a mergulhar nas narrativas contemporâneas da Amazônia.
Além da exposição, o projeto contará com atividades gratuitas e shows quinzenais. A programação completa será divulgada no perfil oficial do evento no Instagram.
Terças, quintas e domingos: 9h às 17h
Sextas e sábados: 9h às 20h
A iniciativa é apresentada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Nubank, em parceria com o British Council e apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Pará.