Unesp abre mestrado para assentados e quilombolas em 2026
Parceria entre Unesp e Incra cria, em 2026, turma especial de mestrado com 20 vagas para assentados da reforma agrária e quilombolas
Parceria entre Unesp e Incra cria, em 2026, turma especial de mestrado com 20 vagas para assentados da reforma agrária e quilombolas
Em 2026, o Programa de Pós-Graduação (PPG) em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe, sediado no Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais (IPPRI) da Unesp, vai ofertar uma turma especial de mestrado destinada a assentados da reforma agrária, acampados, quilombolas e pessoas envolvidas com atividades e trabalhos ligados à educação no campo. O curso terá 20 vagas, duração de 30 meses e integra uma iniciativa construída em parceria com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).
A formação conta com financiamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), além de prever contrapartida da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Unesp. O convênio firmado entre a Universidade e o Incra foi publicado na semana passada no Diário Oficial da União e formaliza uma trajetória de quase 30 anos de cursos, formações e experiências desenvolvidas com participação da Unesp no âmbito do Pronera, coordenado pelo Incra.
Segundo a professora Silvia Fernandes, coordenadora do programa de pós-graduação, a turma especial do mestrado terá foco em três linhas principais de pesquisa: uma voltada a professores que atuam em escolas de educação no campo; outra dedicada a aprofundar o debate sobre a relação entre campesinato e capitalismo; e uma terceira que articula agronomia, saúde e soberania alimentar, mais alinhada a perfis da área de biológicas.
“Embora o vínculo do mestrado seja com geografia (o título de mestre será concedido nesta área), o curso é multifacetado e abrange pessoas com diferentes áreas de formação inicial”, afirma a docente da Faculdade de Filosofia e Ciências do câmpus de Marília da Unesp.

A organização pedagógica do curso seguirá a metodologia da pedagogia da alternância, que intercala períodos de estudo presencial com atividades realizadas nas comunidades de origem dos estudantes. As aulas presenciais ocorrerão nos meses de maio e novembro, na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, e na sede do IPPRI-Unesp, em São Paulo. Já as atividades desenvolvidas nas comunidades acontecerão nos locais onde vivem os pós-graduandos.
Este será o 13º curso estruturado pela Unesp em parceria com o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária, criado em 1998. Naquele período e nos quatro anos seguintes, a Universidade ofereceu cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA) em conjunto com o Incra — um dos objetivos iniciais do Pronera era assegurar o acesso à educação para jovens e adultos residentes em assentamentos rurais e comunidades vinculadas à reforma agrária.
Desde 1998, além das formações em EJA, a parceria entre Unesp e Pronera viabilizou cursos em agropecuária e agroecologia, capacitação tecnológica direcionada a famílias assentadas, curso técnico integrado ao ensino médio, cursos de extensão, uma graduação em geografia e um primeiro mestrado, realizado entre 2013 e 2015. “Veja que esta parceria com a Unesp conseguiu atingir todos os níveis de ensino com o Pronera em São Paulo, da alfabetização até a pós”, pontua Sonia Rodrigues, coordenadora do Pronera na representação paulista do Incra.
O acesso ao mestrado ocorrerá por meio de processo seletivo. O edital que trará as regras para inscrição será publicado em 2026, e os candidatos deverão apresentar um projeto de pesquisa. Nesta quinta-feira (dia 11), os coordenadores da pós-graduação se reuniram com representantes do Incra, em videoconferência, para definir os critérios que vão orientar a seleção. “O mestrado vai selecionar pessoas que pensam o desenvolvimento territorial e ecológico dessas áreas. (Após a pós-graduação) Elas estarão em condições de dar um retorno para a comunidade em que vivem, levando ações e políticas públicas”, afirma Sonia Rodrigues.
As iniciativas desenvolvidas pela Unesp em parceria com o Pronera desde o final dos anos 1990 contribuíram para que a Universidade fosse escolhida como sede da Cátedra Unesco de Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial, instituída em 2009. Entre seus objetivos gerais estão a realização de projetos e eventos voltados à promoção e à divulgação dos avanços e desafios relacionados ao desenvolvimento territorial sustentável de comunidades rurais.