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“O futuro da Amazônia é incerto, ainda vamos pagar o preço do que já emitimos”

Líder de comitê científico da COP30, Thelma Krug alerta que a janela para ultrapassar limite do Acordo de Paris é mínima e países precisam acelerar redução de emissões

Thelma Krug
Thelma Krug em conferência de abertura da Reunião Magna 2025, com o tema “Amazônia Já”. Foto: Marcos André Pinto | Divulgação ABC

“O futuro da Amazônia é incerto, e mesmo que façamos muito para reduzir emissões, ainda vamos pagar o preço do que já emitimos”. A avaliação é de Thelma Krug, presidente do Comitê Diretor do Sistema de Observação Global do Clima e uma das maiores autoridades mundiais em florestas e mudanças climáticas. A fala foi feita nesta terça-feira (6) durante a conferência de abertura da Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

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Líder de um comitê científico criado pela presidência da COP30, Thelma reforça que as florestas têm papel importante para tentar contrabalancear o impacto das mudanças climáticas, mas alerta que, se não houver redução das emissões, “de nada adianta segurar a floresta e o desmatamento” – o que significa que, essas medidas, sozinhas, não darão conta do recado.

Thelma reforça que o mundo está com uma janela mínima para ultrapassar o limite de 1,5ºC de aumento na temperatura global definido pelo Acordo de Paris. Segundo ela, os dados de 2024, registrado como o ano mais quente da história da humanidade e que chegou a ultrapassar esse limiar de 1,5ºC, não podem ser interpretados isoladamente, e a meta do acordo ainda precisa ser perseguida.

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“Quando se tem um único dado, pode-se estar olhando para um ano atípico. Lutei muito para dizer que não ultrapassamos os 1,5ºC de aumento [dos limites do Acordo de Paris], mas sei que estamos com uma janela desse tamanhinho para ultrapassar”, afirma ela. “Por isso, um dos desafios que vamos ter na COP30 é continuar com os países reiterando seus esforços, e só vamos ter isso quando aumentarmos enormemente as ambições de reduções de emissões.”

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“Um dos desafios da COP em Baku, no Azerbaijão [COP29], é que não conseguimos estimular o financiamento pelos países na ordem de trilhões anuais para ter ações de mitigação. E acho muito difícil conseguirmos reverter esse cenário. Hoje é mais plausível [para muitos países] financiar a guerra e outras coisas”, afirma ela, para quem o tema deve ser reforçado na COP30, em Belém.

A palestra de Thelma Krug marca a abertura da Reunião Magna, principal evento da Academia Brasileira de Ciências e a primeira com foco nas diferentes dimensões e desafios enfrentados pela Amazônia. Com o tema “Amazônia já! Sem tempo a perder”, o encontro dará ao público a oportunidade de conhecer os diferentes olhares da comunidade científica e dos povos tradicionais sobre ameaças que afetam o bioma. O evento acontecerá entre 6 e 8 de maio no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas aqui.

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“Não temos mais tempo a perder. A cada dia que hesitamos, fragmentos de floresta desaparecem. A cada dia que adiamos, comunidades inteiras perdem o futuro. A cada dia que silenciamos, apagamos vozes que há milênios guardam o equilíbrio entre a vida e a terra. E mesmo assim a Amazônia, que cobre mais da metade do território nacional, segue recebendo menos de 4% de investimento em ciência, tecnologia e inovação no país”, afirma o coordenador do encontro e vice-presidente da ABC para a Região Norte, Adalberto Val.

Desmatamento
Fogo em Mato Grosso do Sul, 2020. | Foto: Silas Ismael/ WWF-Brasil

Em sua fala de abertura, Helena Nader, presidente da ABC, destacou que essa é a primeira vez que a Academia traz uma Reunião Magna totalmente focada na Amazônia, tema que já vinha sendo discutido em outros eventos.

“Está na hora deste país que vai sediar a COP30 realmente passar a olhar a população da Amazônia dentro de um contexto maior. Este evento é acima de tudo um convite à ação. O momento é agora, e precisamos unir ciência, políticas públicas e saberes tradicionais para construir uma Amazônia que prospere em harmonia com sua gente e seu ecossistema”, afirmou.

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Ao longo de três dias, a conferência reúne cientistas brasileiros, de países amazônicos e internacionais, com destaque para a participação de pesquisadores indígenas e demais especialistas que vivem na Amazônia. O objetivo é debater os principais desafios enfrentados pelo bioma e caminhos para o futuro.

Nesta quinta-feira (8), Andrea Encalada, pesquisadora da Universidade San Francisco de Quito, no Equador, e do Painel Científico para a Amazônia fará a conferência magna de encerramento às 9h. Seguida pela sessão plenária que vai abordar a infraestrutura da Amazônia, com foco nos aspectos científicos, tecnológicos e educacionais. A coordenação será da bióloga Maria Olivia de Andrade Ribeiro Simão (UFAM), com participações de Carlos Alfredo Joly (Unicamp), referência em políticas públicas para biodiversidade; Emmanuel Tourinho (UFPA), que tem ampla atuação na gestão universitária e pesquisa; e Bradley Olsen (MIT), especialista em engenharia química com colaborações internacionais na área de biotecnologia.

A programação completa pode ser vista neste link.

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